Ouro despenca 3,8% e registra maior queda em quatro anos após pico de US$ 4.381 por onçaPor Luís Henrique Costa
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Ouro registra nesta terça-feira, 21 de outubro de 2025, a maior queda percentual em quatro anos, com desvalorização de até 3,8% nos contratos futuros negociados em Nova York. O metal precioso, que atingiu pico de US$ 4.381,52 por onça na segunda-feira, opera agora em torno de US$ 4.164, influenciado por um dólar mais forte e redução na demanda global por ativos de refúgio. Essa correção ocorre em meio a expectativas de negociações comerciais entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping, marcadas para a próxima semana, o que diminui a aversão ao risco nos mercados. Investidores ajustam posições após semanas de rally acelerado, com indicadores técnicos sinalizando território de sobrecompra.
A variação negativa afeta não só o ouro, mas também a prata, que despenca 6,98% no mesmo período. Esses movimentos refletem uma pausa no ímpeto de alta que elevou o ouro em mais de 50% ao longo de 2025. Analistas apontam para a consolidação natural após ganhos rápidos, sem sinais de reversão de tendência de longo prazo.

Fatores como o shutdown do governo americano agravam a incerteza, ao privar traders de relatórios semanais da Commodity Futures Trading Commission sobre posições em futuros de ouro e prata. Essa ausência de dados pode levar a acúmulos especulativos excessivos, aumentando a vulnerabilidade a correções.
Pressões cambiais impulsionam a correção
O fortalecimento do dólar americano, com alta de 0,29% no índice DXY, encarece o ouro para compradores fora dos EUA, principal motivo da queda observada hoje. Essa dinâmica cambial reduz o apelo do metal como reserva de valor em moedas emergentes, onde grande parte da demanda física se concentra.
Negociações comerciais iminentes entre EUA e China aliviam temores de escalada tarifária, o que historicamente impulsiona compras de refúgio em ouro. Bancos centrais, que acumularam mais de 900 toneladas do metal em 2025, podem pausar aquisições se o risco global diminuir.
Demanda sazonal e especulativa em xeque
A recente maratona de compras na Índia, impulsionada por festivais, encerrou sem renovar picos de volume, contribuindo para o arrefecimento. Esse padrão sazonal, que historicamente adiciona 200 toneladas à demanda anual, não compensou a realização de lucros por fundos de hedge.
- Indicadores de força relativa (RSI) superaram 90, nível visto pela última vez em 1980, sinalizando exaustão no rally.
- Volumes de opções ligadas a ETFs de ouro bateram recorde de 2 milhões de contratos na semana passada, indicando hedge contra volatilidade.
- Posições especulativas longas cresceram 15% em setembro, segundo dados atrasados da CFTC, elevando risco de pullback.
Ole Hansen, estrategista de commodities no Saxo Bank, observa que correções revelam a força subjacente do mercado, com suporte provável em níveis de US$ 4.000 para limitar perdas maiores.
Volatilidade eleva opções de hedge para traders
Contratos de opções sobre o maior ETF de ouro negociado registraram mais de 2 milhões de transações em dois dias consecutivos na semana passada, superando o recorde anterior. Essa atividade reflete buscas por proteção contra quedas em portfólios diversificados, especialmente em meio ao shutdown governamental nos EUA.
Traders ajustam estratégias para capturar lucros do rally, com foco em consolidação em vez de nova alta imediata. A ausência de relatórios posicionais da CFTC, impactada pelo fechamento parcial do governo, força decisões baseadas em fluxos observados em tempo real.
A prata acompanha o ouro nessa retração, com queda de 6,98%, mas mantém ganhos anuais de 69%, superando o metal nobre em performance relativa.
Histórico de rallies e pausas no mercado de ouro
O ouro acumulou alta de 50% em 2025, impulsionado por compras de bancos centrais e tensões geopolíticas iniciais, mas pausas como esta ocorreram em ciclos passados. Em 2021, uma correção de 4% seguiu pico similar, precedendo nova expansão para US$ 2.000 por onça em meses subsequentes; o padrão se repetiu em 2011, com pullback de 5% após RSI acima de 85, levando a consolidação por três semanas antes de recuperação de 10%. Esse comportamento atual, com suporte técnico em US$ 4.100 identificado por médias móveis de 50 dias, sugere força persistente apesar da volatilidade recente, alinhada a previsões de bancos como UBS que veem médias acima de US$ 3.455 para o ano; no entanto, atrasos em dados econômicos americanos, como o impacto do shutdown em indicadores de emprego, podem prolongar a incerteza, forçando ajustes em modelos de precificação que incorporam yields de treasuries em alta de 0,5% na curva de 10 anos. Previsões de longo prazo, como as do Goldman Sachs para US$ 4.900 em 2026, baseiam-se em enfraquecimento contínuo do dólar e riscos persistentes, mas eventos como o encontro Trump-Xi introduzem variáveis que historicamente moderam ganhos de curto prazo em 2-3%.
Estratégias de posicionamento para investidores
Gestores de fundos monitoram fluxos para ETFs de ouro, que detêm 3.900 toneladas projetadas até o fim de 2025, próximo ao recorde de 2020. Essa acumulação reflete preferência por exposição líquida em vez de física durante correções.
Posições longas especulativas em futuros cresceram, mas o pullback atual testa resiliência, com analistas prevendo limitação de perdas por bids subjacentes de compradores institucionais.
Operações recordes em opções sinalizam cautela
O volume de 2 milhões de contratos de opções em ETFs de ouro na quinta e sexta-feiras passadas marca o maior já registrado, indicando hedge amplo contra riscos em ativos correlatos. Traders usam essas ferramentas para lucrar com a queda ou proteger posições longas acumuladas no rally.
Essa atividade coincide com yields de treasuries subindo, o que atrai capital para renda fixa e pressiona metais preciosos.







