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Maior porta-aviões americano entra em águas latinas e agrava atrito com regime de Nicolás Maduro

Porta-aviões
Foto: Porta-aviões - Rawpixel.com/shutterstock.com
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Autoridades americanas confirmaram nesta terça-feira (11) a chegada do grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald R. Ford à área do Comando Sul dos Estados Unidos, que abrange o Caribe e partes da América Latina. O navio, o maior e mais moderno do mundo, soma-se a uma frota já robusta na região para intensificar ações contra o narcotráfico. A movimentação ocorre em meio ao acirramento das relações entre Washington e Caracas, com o presidente Donald Trump acusando o governo venezuelano de facilitar o tráfico de drogas.

O Pentágono descreveu o reforço como medida para detectar e desmantelar organizações criminosas transnacionais. Comissionado em 2017, o Gerald R. Ford transporta mais de 5 mil marinheiros e dezenas de aeronaves, incluindo caças F-35. Essa presença naval representa a maior concentração de forças americanas no Caribe desde a invasão do Panamá em 1989, segundo análises de especialistas em defesa.

Desde setembro, os Estados Unidos realizaram pelo menos 20 ataques aéreos e navais contra embarcações suspeitas de tráfico no Caribe e no Pacífico latino-americano. Essas operações resultaram na morte de mais de 75 pessoas, incluindo supostos membros de gangues como o Tren de Aragua e o Cartel de los Soles, ligado ao regime de Nicolás Maduro.

Capacidades do USS Gerald R. Ford

O USS Gerald R. Ford mede 333 metros de comprimento e desloca cerca de 100 mil toneladas. Equipado com tecnologia avançada, como catapultas eletromagnéticas para lançamentos de aviões, o navio pode operar até 75 aeronaves simultaneamente.

Sua propulsão nuclear permite autonomia de anos sem reabastecimento, tornando-o ideal para missões prolongadas. O grupo de ataque inclui três destróieres, como o USS Bainbridge e o USS Mahan, que fornecem defesa antiaérea e antissubmarino.

Essa configuração eleva a capacidade de projeção de poder aéreo dos EUA na região, permitindo vigilância constante e respostas rápidas a ameaças. Autoridades navais destacam que o foco permanece em alvos marítimos, sem menção a ações terrestres.

Contexto da operação antidrogas

A campanha americana contra o narcotráfico ganhou ímpeto em agosto, quando Trump dobrou a recompensa por informações sobre Maduro para US$ 50 milhões. O líder venezuelano nega envolvimento e classifica as acusações como pretexto para intervenção.

Desde então, mais de 10 mil militares americanos operam no Caribe, com bases reativadas em Porto Rico. Bombardeiros B-1 e drones MQ-9 Reaper complementam as patrulhas, cobrindo 100% das rotas costeiras de Venezuela em tempo real.

  • Principais alvos incluem portos e pistas de pouso usadas por militares venezuelanos para exportação de cocaína.
  • Gangues como o ELN colombiano também foram atingidas em ações coordenadas.
  • Recuperação de drogas ultrapassa 5 toneladas, segundo dados preliminares do Departamento de Defesa.
Nicolás Maduro
Nicolás Maduro – Foto: Instagram

Resposta de Caracas à presença naval

Nicolás Maduro ordenou uma mobilização massiva de forças armadas venezuelanas, incluindo milícias civis e equipamentos russos como mísseis Igla-S. Em pronunciamento, ele alertou que qualquer incursão resultaria em resistência armada de milhões de cidadãos.

Documentos internos revelam planos de guerrilha urbana com armas antiaéreas obsoletas, mas adaptadas para cenários assimétricos. Maduro apelou à Celac por defesa coletiva do Caribe, mas a cúpula em Bogotá rejeitou ameaças de força sem citar os EUA diretamente.

A escalada inclui sanções americanas a aliados de Maduro, como oficiais do exército. Analistas observam que a resposta de Caracas visa unir apoio regional, mas enfrenta limitações logísticas internas.

Tensões regionais se estendem à Colômbia

As relações entre EUA e Colômbia azedaram nas últimas semanas, com Trump chamando o presidente Gustavo Petro de facilitador de drogas. Em retaliação, Washington impôs sanções a Petro, citando falhas em controles fronteiriços.

Petro rebateu as acusações como ofensivas e defendeu a soberania colombiana. A proximidade geográfica com Venezuela amplifica preocupações com spillover de conflitos.

  • Sanções incluem congelamento de ativos de oficiais colombianos ligados a rotas de tráfico.
  • Diálogos bilaterais foram suspensos, afetando cooperações em migração.
  • Observadores temem que o atrito isole Bogotá de aliados sul-americanos.

Reforço americano no Caribe

O Comando Sul dos EUA reativou a base naval de Roosevelt Roads, em Porto Rico, para logística de longo prazo. Essa instalação, abandonada desde a Guerra Fria, agora abriga esquadrões de F-35 e helicópteros MH-60.

A operação envolve cooperação com marinhas aliadas, como a dominicana, que recuperou cargas de drogas de navios afundados. O Pentágono estima que o fluxo de cocaína para os EUA diminuiu 20% desde o início das patrulhas.

Especialistas em segurança apontam que o cerco naval pressiona não só traficantes, mas também o alto escalão em Caracas. No entanto, críticos no Congresso americano questionam a legalidade das ações sem aprovação formal.

A presença do Gerald R. Ford sinaliza compromisso sustentado de Washington com a segurança hemisférica, enquanto Maduro reforça defesas costeiras com 5 mil mísseis portáteis. A dinâmica pode evoluir com negociações diplomáticas ou novas rodadas de confrontos marítimos, mantendo a região em alerta elevado.

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