Cientistas da Universidade Estadual de Michigan publicaram uma análise sobre possíveis colisões de cometas interestelares com a Terra. O estudo, liderado por Darryl Seligman, concentrou-se no cometa 3I/Atlas, o terceiro objeto desse tipo detectado no Sistema Solar. As simulações indicam uma velocidade média de 72 quilômetros por segundo no momento do impacto.
A pesquisa ocorreu em colaboração com especialistas de instituições europeias e utilizou dados observacionais de três cometas interestelares conhecidos. Os modelos computacionais reproduziram trajetórias reais desses objetos. Não há risco imediato de colisão com o 3I/Atlas, que passou pelo periélio em outubro de 2025.
O cometa 3I/Atlas entrou no Sistema Solar em julho de 2025, com velocidade inicial de 58 km/s em relação ao Sol. Sua órbita hiperbólica confirma origem externa à Via Láctea. Observações do Telescópio Hubble estimam o núcleo entre 440 metros e 5,6 km de diâmetro.
Trajetórias e velocidades calculadas
As simulações geraram milhares de cenários possíveis para impactos. A velocidade de 72 km/s surgiu como o valor mais frequente na distribuição analisada. Essa taxa resulta da combinação entre a entrada hiperbólica e o movimento orbital da Terra.
Pesquisadores consideraram parâmetros como excentricidade orbital e aceleração não gravitacional. Os cometas interestelares mantêm velocidades elevadas devido à falta de captura gravitacional prolongada pelo Sol. A análise reforça que tais eventos são raros no curto prazo.
Características observadas do 3I/Atlas
O cometa exibe emissões de gás cianeto e vapor de níquel, similares a objetos do Sistema Solar. Sua coma forma-se pela sublimação de gelo ao se aproximar do Sol. Observações do Very Large Telescope confirmaram atividade cometária ativa.
A cor do objeto variou de avermelhada para azul durante a aproximação solar, um comportamento atípico. Telescópios terrestres detectaram ejeção de material antes do periélio. O diâmetro do núcleo, refinado por dados do Hubble, fica abaixo de 1 km na estimativa mais precisa.
Colaboração internacional no projeto
Dušan Marčeta, da Universidade de Belgrado, contribuiu com modelagens de dinâmica orbital. Eloy Peña-Asensio, do Politecnico di Milano, analisou fragmentação em impactos de alta velocidade. A equipe integrou dados de missões como ExoMars Trace Gas Orbiter.
Os resultados foram validados contra trajetórias de ‘Oumuamua e 2I/Borisov. A simulação considerou 2,6 bilhões de objetos sintéticos baseados em estrelas anãs M. Essa abordagem ampliou a precisão das previsões de velocidade relativa.
A publicação ocorreu em revista científica especializada, com foco em astrofísica dinâmica.
Formação de crateras em impactos
Colisões a 72 km/s geram crateras com formatos distintos das causadas por asteroides locais. A fragmentação do material é maior devido à energia cinética elevada. A tectônica de placas e erosão dificultam identificação de antigas marcas interestelares na Terra.
As simulações preveem concentrações de impactos em latitudes baixas, próximas ao Equador. A geometria orbital favorece encontros diretos nessa região durante o movimento anual da Terra. Até objetos pequenos causariam danos significativos nessa velocidade.
Estudos indicam que a poeira ejetada poderia alterar padrões climáticos temporariamente. A raridade desses eventos, estimada em uma chance muito baixa, baseia-se em distribuições galácticas de estrelas.
Origem provável do cometa
O 3I/Atlas origina-se do disco espesso da Via Láctea, região de formação estelar intensa. Sua idade pode exceder 7 bilhões de anos, superior à do Sistema Solar. A velocidade relativa de 58 km/s na entrada sugere ejeção de outro sistema estelar.
Observações do James Webb Space Telescope revelaram composição química alterada por bilhões de anos de viagem. A trajetória aponta para o disco fino ou espesso da galáxia. Modelos indicam aceleração por efeito estilingue gravitacional do Sol.
Detalhes das simulações computacionais
- Milhares de trajetórias hiperbólicas foram testadas com base em velocidades observadas.
- A distribuição de velocidades concentrou-se em 72 km/s como pico provável.
- Parâmetros incluíram excentricidade de 6,2 e perturbações por outgassing.
- Modelos incorporaram dados de três cometas interestelares para calibração.
- Resultados validaram raridade de colisões, com probabilidade inferior a eventos anuais de asteroides.
Essas ferramentas computacionais permitiram prever dinâmicas sem observações diretas de impactos reais.
Observações telescópicas recentes
O Hubble capturou imagens em agosto de 2025, refinando o tamanho do núcleo. O JWST analisou emissões em ultravioleta em novembro. A ESA registrou a passagem por Marte a 30 milhões de km em outubro.
Essas observações confirmaram ausência de cauda inicial e aceleração não gravitacional. O cometa permanece visível até setembro de 2026 para telescópios terrestres. Dados do Atacama Large Millimeter Array detectaram desvios de 4 arcsegundos na trajetória.
A velocidade de saída equivalerá à de entrada, cerca de 58 km/s, após o flyby solar.
