Crise de saúde agrava: Bolsonaro recebe atendimento médico urgente na Superintendência da PFPor Beatriz
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O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu atendimento médico na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, nesta quinta-feira (27), devido a uma crise acentuada de soluços e refluxo. Os sintomas iniciaram na noite de quarta-feira (26) e persistiram ao longo do dia, impedindo o sono do detento. A família confirmou o quadro agravado, que levou à ação imediata da equipe médica.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após o trânsito em julgado da condenação por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e outros crimes. A prisão preventiva foi mantida em audiência de custódia na quarta-feira (26), com o ex-presidente detido desde sábado (22).
A defesa monitora o estado de saúde de perto, considerando o histórico de complicações abdominais do ex-presidente.
- Principais sintomas reportados: soluços incoercíveis e refluxo gastroesofágico intenso.
- Duração do episódio: mais de 12 horas, com agravamento progressivo.
- Medidas iniciais: administração de medicamentos e avaliação contínua na cela.
Visitas familiares marcam o dia do atendimento
Na manhã desta quinta-feira, Bolsonaro recebeu visitas de familiares na Superintendência da PF. O vereador Jair Renan Bolsonaro, de Balneário Camboriú (SC), relatou que o pai não dormiu devido aos sintomas e descreveu a crise como mais intensa que episódios anteriores. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também esteve presente, oferecendo suporte emocional.
Renan destacou a persistência do refluxo, que se estendeu desde o dia anterior. Ele mencionou esforços para elevar o ânimo do pai, levando itens como um livro de caça-palavras durante a visita. A família expressou preocupação com o impacto psicológico da detenção sobre o quadro físico.
O encontro ocorreu em horários autorizados pelo STF, separando visitas de diferentes filhos para evitar aglomerações.

Histórico de complicações intestinais persiste
Desde o atentado a faca em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro passou por múltiplas cirurgias abdominais. A lesão inicial atingiu vasos e o intestino grosso, exigindo colostomia emergencial e procedimentos subsequentes para remoção da bolsa e correção de hérnias.
Em 2019, uma cirurgia removeu a colostomia após 18 dias de internação. Em setembro do mesmo ano, tratou-se uma hérnia incisional. Em 2021 e 2022, obstruções intestinais demandaram hospitalizações, com cirurgias evitadas por tratamentos conservadores.
O quadro inclui aderências intestinais crônicas, que formam cicatrizes fibrosas e causam obstruções recorrentes. Especialistas explicam que cada intervenção abdominal aumenta o risco de novas aderências, complicando o esvaziamento gástrico e gerando sintomas como soluços e refluxo.
Procedimentos recentes demandam monitoramento constante
Em abril de 2025, Bolsonaro submeteu-se a uma cirurgia de 12 horas em Brasília para desobstruir o intestino e reconstruir a parede abdominal. O procedimento tratou gastroparesia e suboclusão causadas por aderências, com internação de 21 dias, incluindo tempo em UTI. O boletim médico indicou estabilidade, mas quadro instável seguiu com idas ao hospital por dores e vômitos.
Em setembro de 2025, removeu-se lesões cutâneas diagnosticadas como carcinoma de células escamosas em estágio inicial. Entre maio e novembro de 2025, ocorreram dois episódios de pneumonia aspirativa, ligados a refluxo e apneia do sono severa, com 85 paradas respiratórias por hora.
A defesa listou dez condições de saúde em laudo ao STF, incluindo hipertensão essencial, anemia por deficiência de ferro e hérnia inguinal. Esses fatores, somados ao histórico da facada, elevam riscos de infecções respiratórias e crises cardiorrespiratórias.
O monitoramento 24 horas foi determinado por Moraes, com medicamentos fornecidos pela família.
Condições associadas ao quadro atual
O refluxo gastroesofágico com esofagite, comum em pacientes com múltiplas cirurgias abdominais, provoca irritação esofágica e soluços persistentes. No caso de Bolsonaro, a condição agrava-se por apneia obstrutiva, reduzindo oxigenação a 78% em episódios.
Outras comorbidades incluem oclusão de carótidas e aterosclerose coronariana, que demandam controle rigoroso. A pneumonia bacteriana recorrente surge de aspirações durante refluxos noturnos, exigindo antibióticos e suporte ventilatório.
- Riscos elevados: obstruções intestinais parciais, levando a náuseas e desidratação.
- Tratamento conservador: jejum, sondas nasogástricas e antiácidos intravenosos.
- Fatores agravantes: estresse da detenção e ausência de rotina familiar.
Exame inicial na prisão confirma cuidados
Logo após a prisão em 22 de novembro, Bolsonaro passou por exame de corpo de delito na PF. O procedimento, realizado na manhã do sábado, verificou integridade física e sinais vitais normais, sem lesões ou soluços detectados no momento. A análise contradisse alegações iniciais de saúde debilitada, mas reforçou a necessidade de acompanhamento médico contínuo.
O laudo da PF indicou bom estado geral, com ausência de estresse agudo. A juíza Luciana Yuki Fugishita Sorrentino homologou a custódia, confirmando legalidade da detenção. Bolsonaro alegou, em videoconferência, “paranoia” por medicamentos ao violar a tornozeleira eletrônica.
A Superintendência da PF adaptou a cela com equipamentos para monitoramento, incluindo acesso a CPAP para apneia. Até o momento, não há indícios de transferência hospitalar, mas a família pressiona por prisão domiciliar humanitária.
O caso destaca a interseção entre saúde e custódia, com a defesa argumentando que as condições prisionais exacerbam comorbidades crônicas. Autoridades judiciais mantêm a pena em execução, priorizando assistência médica integral.







