Fundo canadense CPPIB vende R$ 970 milhões em ações de Allos e Azzas em leilão na B3 nesta sextaPor Janderson Luiz
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O fundo de pensão Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) iniciou nesta sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, a venda de participações acionárias nas empresas brasileiras Allos e Azzas 2154 por meio de leilões na B3, em São Paulo. A operação, coordenada pelo Bank of America, envolveu 24 milhões de ações da Allos, administradora de shoppings, e 10 milhões de ações da Azzas 2154, varejista de moda, totalizando quase R$ 1 bilhão em recursos. O movimento ocorre como parte de estratégia de reciclagem de capital do fundo, que gerencia mais de US$ 700 bilhões em ativos globais e planeja manter investimentos no Brasil.
As transações acontecem em horário local de São Paulo, com término previsto para as 11h20. Antes da venda, o CPPIB detinha 13,9% do capital da Allos, tornando-se o maior acionista, e 5,1% da Azzas 2154, uma das principais posições no free float da companhia. A decisão reflete ajustes no portfólio do fundo canadense, que alocou R$ 3 bilhões no mercado brasileiro apenas em 2025.
- Principais ações vendidas: 24 milhões na Allos (R$ 700 milhões) e 10 milhões na Azzas (R$ 270 milhões).
- Redução na Allos: de 13,9% para 7,5%, mantendo liderança acionária.
- Na Azzas: saída total da posição, zerando a participação.
- Coordenador: Bank of America, com garantia firme nas operações.
Após o anúncio, as ações da Allos (ALOS3) registraram queda de 2,80%, cotadas a R$ 28,89, enquanto as da Azzas (AZZA3) caíram 5,05%, a R$ 27,08, com volume negociado de R$ 342,5 milhões na varejista até o meio da manhã. Esses ajustes iniciais no pregão refletem a absorção do volume extra pelos investidores institucionais.
Detalhes da operação na Allos
A venda na Allos envolveu 22,9 milhões de ações a R$ 28,38 cada, representando um deságio de 4,44% em relação ao fechamento anterior. Essa transação, classificada como block trade, permitiu a liquidação rápida do lote sem impactar excessivamente o mercado. O CPPIB, que entrou na companhia em anos anteriores como investidor estratégico, optou por reduzir a exposição para liberar recursos.
O fundo se comprometeu com um lock-up de seis meses sobre a posição remanescente na Allos, período em que não poderá vender mais ações. Essa cláusula visa estabilizar a base acionária e evitar volatilidade adicional. Após a operação, o Grupo Alexander Otto surge como o segundo maior acionista, com cerca de 6,8% do capital.
A Allos administra portfólio de shoppings em diversas regiões do Brasil, com foco em ativos premium. A companhia reportou crescimento de 12% em vendas de lojistas nos últimos trimestres, impulsionado por recuperação do setor de varejo físico. Investidores monitoram como essa redução na participação do CPPIB pode influenciar decisões futuras de governança.

Contexto da Azzas 2154 na transação
O CPPIB zerou completamente sua posição na Azzas 2154 com a venda de 10 milhões de ações por R$ 270 milhões. A varejista, listada na B3 desde 2021, opera lojas de moda em múltiplos estados brasileiros e expandiu presença online nos últimos anos. Essa saída marca o fim de uma participação que representava 5,1% do free float.
A operação na Azzas atrasou o início do pregão na B3, estendendo o leilão de abertura até as 11h para acomodar o volume. O Bank of America atuou novamente como coordenador, garantindo a execução eficiente. Analistas observam que a companhia mantém solidez financeira, com margens operacionais acima de 15% no período recente.
Estratégia de investimentos do CPPIB no Brasil
O Canada Pension Plan Investment Board opera desde 1997 como gestor independente do fundo de pensão canadense, com foco em diversificação global. No Brasil, o fundo acumulou posições em setores como imóveis e varejo desde 2010, totalizando aportes acima de R$ 10 bilhões nos últimos cinco anos. Essa venda específica libera capital para novas alocações, alinhadas a retornos de longo prazo.
Em 2025, o CPPIB destinou R$ 3 bilhões a ativos brasileiros, incluindo equity e infraestrutura. A estratégia enfatiza mercados emergentes com crescimento estável, onde o Brasil se destaca por sua economia diversificada. O fundo mantém equipe dedicada em São Paulo para monitorar oportunidades locais.
Representantes do CPPIB destacam que o país continua prioritário, com planos de expansão em private equity. Essa abordagem equilibra riscos e yields, priorizando ativos com potencial de valorização acima de 10% ao ano. A reciclagem de capital, como nessa operação, permite rotação para setores em ascensão, como tecnologia e energias renováveis.
Impactos iniciais no mercado de capitais
As ações da Allos e Azzas enfrentaram pressão de venda imediata após o leilão, mas o volume absorvido indica interesse de fundos locais. O Ibovespa registrou variação mínima no dia, influenciado por fatores macroeconômicos globais. Investidores institucionais, como fundos de pensão brasileiros, participaram ativamente da absorção.
O block trade na Allos movimentou R$ 700 milhões em minutos, demonstrando liquidez do papel. Na Azzas, o giro de R$ 342,5 milhões superou em cinco vezes o pregão anterior, sinalizando engajamento do mercado. Esses eventos reforçam a maturidade da B3 para operações de grande porte.
Reguladores da bolsa monitoram conformidade, garantindo transparência nas negociações. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não reportou irregularidades até o momento. O episódio ilustra como fundos estrangeiros utilizam a B3 para ajustes estratégicos.
Histórico de participações do fundo
O CPPIB adquiriu fatia na Allos em rodadas de investimento inicial, elevando-a gradualmente para 13,9%. Essa posição inicial visava capturar o ciclo de recuperação do setor imobiliário pós-pandemia. Na Azzas, a entrada ocorreu em 2021, alinhada à oferta pública inicial da varejista.
Ao longo dos anos, o fundo ajustou portfólios semelhantes em outros emergentes, como México e Índia. No Brasil, participações em empresas como Multiplan e BR Malls precederam essa venda. Esses movimentos refletem avaliações anuais de risco-retorno.
A saída da Azzas encerra um capítulo curto, mas lucrativo, com ganhos estimados em 20% desde a aquisição. Para a Allos, a retenção de 7,5% sugere confiança contínua no management e nos ativos.
Reações do setor varejista
Executivos da Allos emitiram nota confirmando a transação e reafirmando compromisso com expansão. A companhia planeja aquisições de shoppings regionais em 2026, financiadas por geração de caixa interna. Na Azzas, a diretoria destacou foco em e-commerce, que representou 25% das vendas no terceiro trimestre.
O setor de moda enfrenta desafios com inflação de insumos, mas a Azzas reportou alta de 8% em receitas anuais. A Allos, por sua vez, beneficia-se de tráfego de pedestres em alta, com 15% de aumento em visitas. Ambas mantêm ratings de crédito estáveis junto a agências internacionais.
Analistas preveem estabilidade nas cotações após o fim do lock-up na Allos. O varejo brasileiro, como um todo, registra recuperação gradual, com projeções de crescimento de 4% no PIB setorial para 2026.







