Mercados aguardam Copom e Fed em super quarta: IPCA e corte de juros definem rumos para 2026Por Luís Henrique Costa
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Mercados globais iniciam a semana de 8 a 12 de dezembro com atenção redobrada às decisões de política monetária. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, e o Federal Reserve (Fed), dos Estados Unidos, anunciam suas resoluções na quarta-feira (10), em evento conhecido como super quarta. Esses posicionamentos ocorrem em meio a um cenário de inflação persistente e projeções incertas para 2026, influenciando ativos financeiros e o ritmo da economia mundial.
Analistas preveem manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Copom, com foco no comunicado para pistas sobre possíveis reduções futuras. Nos EUA, o mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa federal de fundos, atualmente em 4% a 4,25%, conforme projeções do Sumário de Projeções Econômicas (SEP). A coletiva do presidente Jerome Powell, às 16h30 (horário de Washington), deve esclarecer a trajetória dos juros.
Outros indicadores complementam o calendário, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro no Brasil e o relatório de vagas de emprego JOLTS nos EUA. Esses dados ajudam a calibrar expectativas de atividade econômica e pressão inflacionária.
- IPC-S semanal da FGV, às 8h de segunda-feira (8), mede variação de preços em nove capitais.
- Relatório Focus do Banco Central, às 8h25, atualiza projeções de mercado para PIB e inflação.
- Balança comercial semanal da Secex, às 15h, avalia superávit externo recente.
Indicadores iniciais guiam expectativas
O IPC-S semanal da Fundação Getulio Vargas (FGV) abre a agenda doméstica na segunda-feira (8), às 8h, capturando variações de preços em supermercados e serviços. Esse índice serve como termômetro precoce para o IPCA mensal, esperado em alta moderada de 0,45% para novembro.
Logo após, o Relatório Focus, às 8h25, revela ajustes nas previsões de analistas para a Selic em 2026, possivelmente em 13,5% ao ano, refletindo volatilidade recente no câmbio. A balança comercial, divulgada às 15h pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), projeta saldo positivo de US$ 1 bilhão na semana, impulsionado por exportações de commodities.
Esses números iniciais calibram o humor dos investidores antes dos eventos centrais.
Na terça-feira (9), a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) libera o IPC semanal às 5h, focado em São Paulo, enquanto a FGV apresenta a primeira prévia do IGP-M às 8h, indicador amplo de custos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a Pesquisa Industrial Mensal Regional às 9h, com produção de São Paulo em queda de 2,1% em outubro.
Sequência de dados industriais e inflacionários
A terça-feira (9) concentra indicadores que avaliam a saúde setorial no Brasil. O IPC da Fipe, às 5h, registra variação de 0,32% na capital paulista, sinalizando estabilidade em alimentos e transportes. A prévia do IGP-M, às 8h, avança 0,78%, puxada pelo IPA de produtos industriais.
O IBGE detalha, às 9h, a produção industrial regional de outubro, com o Sudeste registrando retração de 1,5% ante setembro. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) complementa às 10h com seus indicadores mensais, mostrando utilização da capacidade em 78%, acima da média histórica.
Esses relatórios destacam resiliência em manufatura apesar de custos elevados.
No México, o índice de preços ao consumidor de novembro, às 9h, sobe 0,18% no mês, influenciando moedas emergentes como o real. Nos EUA, o JOLTS de outubro, às 12h (horário de Nova York), aponta 8,7 milhões de vagas abertas, métrica chave para o Fed avaliar o mercado de trabalho.
A China contribui na madrugada de terça, às 22h30 (horário de Pequim), com o PPI e CPI de novembro: o produtor cai 2,5% ao ano, enquanto o consumidor avança 0,4%, indicando deflação fabril persistente.
Super quarta concentra decisões cruciais
O IPCA de novembro sai às 9h de quarta-feira (10) no Brasil, com expectativa de alta de 0,47%, acumulando 4,85% em 12 meses. Esse dado antecede o fluxo cambial semanal do Banco Central, às 14h30, que registrou entrada de US$ 2,3 bilhões na semana anterior.
Às 18h30, o Copom divulga sua deliberação, mantendo a Selic em 15% conforme consenso de 90% dos economistas consultados. O comunicado deve enfatizar vigilância fiscal e riscos inflacionários, sem sinalizar corte imediato para janeiro.
Nos EUA, o Fed anuncia às 16h (horário de Washington) a redução esperada de 0,25 ponto na taxa, para 3,75% a 4%. O resultado fiscal mensal de novembro, no mesmo horário, mostra déficit de US$ 196 bilhões, acima das projeções.
Repercussões nos mercados americanos
O discurso de Jerome Powell, às 16h30 de quarta-feira (10), esclarece as projeções do dot plot, com mediana de dois cortes adicionais em 2026. Mercados precificam 85% de chance de pausa em janeiro, dependendo de dados de emprego.
O JOLTS de terça reforça a visão de resfriamento laboral, com vagas em 8,7 milhões, queda de 200 mil ante setembro. Isso apoia o argumento para afrouxamento gradual, evitando recessão.
O Departamento do Tesouro divulga o déficit fiscal de novembro às 16h, estimado em US$ 196 bilhões, pressionando yields dos Treasuries para 4,2% no título de 10 anos. Analistas monitoram se Powell menciona impactos de políticas comerciais sobre inflação importada.
Na quinta-feira (11), pedidos de auxílio-desemprego saem às 10h30 (Nova York), projetados em 225 mil, estável. O PPI de novembro, no mesmo horário, avança 0,2% no mês, excluindo alimentos e energia.
Avanços na agenda agrícola e comercial
O IBGE libera às 9h de quinta-feira (11) o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de novembro, com safra de soja em 169 milhões de toneladas, alta de 5% ante 2024. A Pesquisa Mensal de Comércio, também às 9h, indica vendas no varejo subindo 0,4% em outubro.
A CNI publica o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) de dezembro às 10h, em 55,2 pontos, sinalizando otimismo moderado com demanda externa. Esses dados avaliam o desempenho do agro e consumo doméstico.
O setor agrícola impulsiona 25% das exportações brasileiras, com o relatório destacando estoques de milho em 1,2 milhão de toneladas.
Vendas no varejo crescem impulsionadas por eletrodomésticos, mas frete elevado limita expansão em regiões Norte e Nordeste.
Fechamento com foco em serviços e confiança
A semana encerra na sexta-feira (12), às 9h, com a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE para outubro, estimada em expansão de 0,6%, liderada por turismo e TI. Esse indicador reflete 70% do PIB de serviços no Brasil.
A confiança industrial medida pelo ICEI de quinta reforça tendências de quinta, com emprego em manufatura estável em 2,1 milhões de vagas.
Dados globais, como o PPI chinês, indicam pressões deflacionárias na Ásia, afetando commodities.
- Produção agrícola: soja +5%, milho -2% em relação a 2024.
- Varejo: alta de 0,4% em outubro, com foco em bens duráveis.
- Serviços: crescimento de 0,6%, impulsionado por tecnologia.
Esses fechamentos fornecem base para ajustes semanais nos mercados.







