Otimismo impulsiona compras de fundos multimercados no Brasil com correlação máxima de ganhos desde 2021Por Janderson Luiz
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Gestores de fundos multimercados aumentaram as posições em ativos brasileiros no início de dezembro de 2025, em São Paulo e outras capitais financeiras. Essa movimentação ocorre em meio a um otimismo com a economia local, antes do anúncio de pré-candidatura política que gerou volatilidade. A correlação entre os retornos desses fundos subiu para o maior nível desde 2021, refletindo alinhamento de estratégias entre as gestoras.
O fenômeno afeta diretamente investidores institucionais e de alta renda, que buscam diversificação em renda fixa, ações e câmbio. Dados da Anbima indicam que o setor registrou saídas de R$ 324 bilhões em 2024, mas sinais de recuperação aparecem nos últimos meses. A alta correlação sugere que os fundos macro, focados em tendências econômicas, estão sincronizados em apostas positivas no Brasil.
Estratégias alinhadas impulsionam o mercado
A elevação na correlação dos retornos reflete decisões semelhantes entre gestoras como XP Investimentos e Itaú Asset. Victor Scalet, da XP, destacou que fundos macro adotaram posturas compradas em juros reais e ações domésticas. Essa sincronia ocorre após meses de baixa performance, com o IHFA registrando 5,72% até novembro, abaixo do CDI de 9,95%.
Gestores ajustaram alocações para capturar ganhos em small caps e NTN-Bs intermediárias. A expectativa de cortes no Fed Fund para 3% no fim de 2025 favorece essa tendência. No Brasil, a Selic em 12,25% com sinalizações de altas adicionais influencia as estratégias de curto prazo.

Fatores econômicos por trás da alta correlação
O otimismo inicial com a economia brasileira impulsionou as compras em dezembro. A desvalorização do dólar favoreceu o real, abrindo espaço para maior exposição a renda variável local. Gestores como Bruno Serra, do Itaú Asset, apontam o aumento da correlação global entre ativos como desafio para alocações precisas.
- Exposição a small caps cresceu 15% em carteiras macro desde novembro.
- Posições em NTN-Bs longas subiram para 20% do patrimônio médio.
- Estratégias long and short renderam 20,9% no acumulado até setembro.
Esses ajustes visam superar o CDI em 2025, com foco em setores sensíveis a juros. A volatilidade política recente, no entanto, exige monitoramento constante de riscos fiscais.
Desempenho recente dos fundos
Fundos multimercados superaram o CDI em 6,36% entre julho e dezembro de 2024, contra 6,07% da referência. Essa recuperação marca uma virada após 18 meses de retornos abaixo do esperado. O IHFA, que acompanha a classe, acumulou 11,8% em estratégias capital protegidas até o terceiro trimestre.
A classe long and short destacou-se com 20,9% no ano, impulsionada por posições simultâneas em ativos comprados e vendidos. Trading fundos renderam 10,6%, enquanto o consenso aponta para adaptação ativa em ambientes voláteis. Investidores de alta renda migraram R$ 250 bilhões para renda fixa em 2024, mas voltam a considerar multimercados para diversificação.
Gestores preveem retorno maior em 2025, com alocações em crédito privado e internacionais. A indústria total de fundos atingiu R$ 9 trilhões em patrimônio, com multimercados representando 20%. Essa dinâmica reforça a necessidade de gestão estratégica para bater benchmarks elevados.
Posicionamentos em ativos brasileiros
Gestores aumentaram posições em juros reais em 13 pontos percentuais no início de 2025. Essa mudança veio de reduções em posturas neutras, conforme pesquisa da XP. No exterior, o foco recai sobre a economia americana, com apostas em small caps e indústria.
A correlação fraca entre top fundos, variando de -0,10 a 0,19, indica estratégias independentes. O Avantgarde Multifatores Absoluto FIM alcançou 18,25% anualizado, acima da mediana de 6,99%. Essas diferenças permitem resiliência a choques sistêmicos, com baixa exposição a fatores comuns.
Em renda variável, 33% das gestoras estão compradas no Brasil, contra 20% vendidas. O PIB projetado em 2,06% e IPCA em 5,71% guiam essas decisões. A liquidez D+1 e taxas de 0,80% a.a. atraem aplicações mínimas de R$ 500 em fundos como AZ Quest.
Recuperação e desafios para investidores
A indústria de multimercados enfrenta saídas bilionárias, mas desacelerações de 77,3% em resgates sinalizam otimismo. Gestores como Alfredo Menezes, da Armor Capital, veem espaço para reajustes pós-alta da Selic. Estratégias macro reacendem interesse, com retornos mensais recordes acima de 3% em abril de 2024.
Diversificação internacional ganha tração, com S&P 500 subindo 24,9% em dólares. No Brasil, FIDCs emergem como opção sofisticada, regulados pela Resolução 175 da CVM. Investidores private, com R$ 2,3 trilhões, crescem 9,7% em patrimônio, priorizando segurança.
A alta correlação desde 2021 exige equipes adaptáveis para alocações de risco. Fundos como JGP Strategy superam o CDI em janelas de dois anos. Essa evolução posiciona a classe para retornos consistentes, apesar de volatilidades globais e domésticas.
Tendências globais influenciam alocações
O enfraquecimento do dólar e cortes de 75 pontos-base no Fed impulsionam teses em ativos de risco. Gestoras calibram carteiras com foco em setores domésticos sensíveis a juros. Paula Moreno, da Armor Capital, destaca alocações em NTN-Bs e small caps como cruciais para 2025.
- Consenso em queda de 25 pontos na Selic para dezembro de 2025.
- Exposição a infraestrutura de IA no exterior sobe para 15%.
- Debêntures e FIDCs captam R$ 250 bilhões em renda fixa.
Essas tendências favorecem fundos com gestão ativa, como os da Kinea Investimentos. A média de projeções para Fed Fund em 3% reforça otimismo em bonds high yield, com 8% em dólares. No Brasil, a curva de juros fecha, com NTN-B 2035 em 7,71%.
Perspectivas para o setor em 2025
A expectativa unânime entre gestores aponta para volta por cima em 2025, com cenários macro mais claros. Multimercados combinam renda fixa em alta com variável, oferecendo flexibilidade. A Selic projetada em 14% beneficia pós-fixados, mas abre espaço para equity.
Fundos como BTG Pactual Asset e Absolute Investimentos lideram rankings de performance. A baixa correlação com top fundos permite diversificação resiliente. Investidores buscam alpha acima do Ibovespa, que acumula 21,6% no ano.
A indústria consolida crescimento, com previdência privada superando multimercados em patrimônio. Estratégias equal weight favorecem economia aquecida, com foco em bancos regionais. Essa configuração equilibra riscos e oportunidades em um ano de juros elevados.







