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Um técnico de empresa parceira da Enel Distribuição São Paulo foi preso em flagrante na tarde de quinta-feira (11) na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, ao cobrar R$ 2.500 para restabelecer o fornecimento de energia em estabelecimentos comerciais afetados pelo vendaval. A ação ocorreu após denúncia de um comerciante, que acionou o subprefeito Rafael Minatogawa para investigar a situação. O caso, registrado como corrupção passiva, ganhou repercussão com a divulgação de mensagens e áudios que comprovam a exigência de pagamento via PIX antes do serviço.

A prisão aconteceu na Praça Manuel Vaz de Toledo, próximo à Rua Estado de Israel, onde o veículo da prestadora de serviços Alpitel estava estacionado. Minatogawa, sem se identificar inicialmente, abordou o suspeito e obteve confissão sobre a cobrança, que justificava como compensação por deslocamento extra. Policiais civis do 16º Distrito Policial (Vila Clementino) ratificaram a detenção, e o inquérito segue em andamento sem arbitramento de fiança devido à pena máxima superior a quatro anos de reclusão.

O incidente se desenrola em meio ao apagão que afeta a Grande São Paulo desde quarta-feira (10), causado por rajadas de vento acima de 100 km/h associadas a um ciclone extratropical. A Enel informou que restabeleceu energia para 1,8 milhão de clientes dos 2,2 milhões impactados inicialmente, mas mais de 700 mil unidades permanecem sem fornecimento na manhã de sexta-feira (12).

Evidências digitais confirmam esquema de cobrança

Mensagens de texto trocadas entre o técnico e o comerciante revelam a insistência em transferências bancárias antes da religação. Em um áudio, o suspeito ameaça desligar o medidor e abandonar o local caso o pagamento não ocorra imediatamente.

O subprefeito obteve prints da chave PIX fornecida pelo funcionário, que indicava o valor exato de R$ 2.500 para o serviço fora da rota oficial. Essas provas foram anexadas ao boletim de ocorrência e encaminhadas à delegacia.

Vídeo gravado por Minatogawa captura o momento da abordagem, com o técnico admitindo o “bico” e justificando o preço como custo adicional por atender rua diferente da agenda. A filmagem, compartilhada em redes sociais, acelerou a intervenção policial.

Denúncias semelhantes agitam outras regiões

Em Diadema, na Grande São Paulo, três funcionários de prestadora de serviços da Enel foram detidos na mesma quinta-feira por suspeita de cobrar propina em condomínio na Rua São Pedro. Os valores variavam de R$ 300 iniciais a mais de R$ 1.000 para conclusão do religamento, segundo relatos de moradores à Polícia Militar.

A ocorrência, registrada no 3º Distrito Policial de Diadema, envolveu equipe que chegou ao local durante o pico do apagão. Moradores relataram pressão para pagamentos em espécie, o que levou à intervenção policial e ao encaminhamento dos suspeitos para depoimento.

A Secretaria de Segurança Pública confirmou as detenções separadas, destacando que ambas surgem no contexto de sobrecarga na rede elétrica. A Enel classificou os envolvidos como terceirizados e reforçou que tais práticas violam o código de conduta da companhia.

Casos isolados como esses contrastam com o volume de chamadas para quedas de árvores, que ultrapassaram 1.600 desde segunda-feira (8), complicando o atendimento geral na região metropolitana.

Posicionamento oficial da concessionária e autoridades

A Enel emitiu nota afirmando que serviços emergenciais de reparo e restabelecimento não preveem cobranças individuais aos clientes. A empresa orienta denúncias via canais oficiais, como o 0800 72 11 893, e iniciou apuração interna sobre o incidente na Vila Mariana.

Autoridades reguladoras, como a Aneel e a Arsesp, monitoram o apagão de perto, com foco em priorizar unidades de saúde e transporte público. Pelo menos 114 unidades municipais de saúde operam com geradores há mais de 24 horas, consumindo diesel para manter equipamentos essenciais.

O Ministério Público de São Paulo designou a Promotoria de Defesa do Consumidor para acompanhar prejuízos, como perda de alimentos e remédios, e cobrar indenizações. O governador Tarcísio de Freitas criticou a estrutura da Enel, pedindo intervenção federal para evitar recorrências.

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Um post compartilhado por Rafael Minatogawa (@rafaminatosp)

Complexidade dos reparos atrasa normalização

Trechos inteiros da rede elétrica demandam reconstrução completa, incluindo substituição de postes, transformadores e cabos de quilômetros de extensão. Equipes da Enel, reforçadas por prestadores de outros estados, trabalham 24 horas, mas a extensão dos danos eleva o tempo médio de intervenção.

Áreas como Vila Maria e zona norte registram queixas de mais de 48 horas sem luz, com impactos em home office e conservação de medicamentos. Moradores relatam mensagens automáticas da concessionária prometendo equipes no local, sem efetivação visível.

O Instituto Nacional de Meteorologia classifica o vendaval como histórico, com duração de 12 horas e ventos que danificaram 31,81% da rede de concessão. A companhia estima mobilização de 1.600 equipes, mas sem previsão unificada para retorno total.

  • Principais danos identificados: Quedas de árvores sobre linhas de alta tensão e rompimentos em subestações.
  • Regiões mais afetadas: Capital (890 mil imóveis), Santo André (44 mil) e Cotia (41 mil).
  • Medidas paliativas: Uso de geradores em hospitais e escolas, com consumo de 250 litros de diesel por unidade em alguns casos.

Impacto no comércio e na população vulnerável

Comerciantes da Avenida Sena Madureira estimam perdas de até 50% em vendas de fim de ano devido ao fechamento forçado. Lojas de perecíveis enfrentam descarte de estoques refrigerados, agravando prejuízos em período sazonal.

Pacientes crônicos, como diabéticos, relatam dificuldades para armazenar insulina sem refrigeração adequada. A Secretaria Municipal de Saúde remanejou insumos e consultas, mas reconhece limitações em unidades sem energia.

Transporte público registra atrasos em linhas de trem e metrô afetadas indiretamente pelo apagão, com 189 voos cancelados em aeroportos de Congonhas e Guarulhos até sexta. A CPTM opera com velocidade reduzida em trechos críticos.

O caso reforça debates sobre a infraestrutura de distribuição, com o TCU recomendando análise de intervenção na concessão da Enel, vigente até 2028. Multas pendentes superam R$ 260 milhões por falhas recorrentes em eventos climáticos.

Medidas preventivas e fiscalizações em curso

A Aneel exigiu relatório detalhado da Enel em cinco dias, avaliando conformidade com plano de contingência e capacidade operacional. A agência joint com Arsesp fiscaliza presencialmente o Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil.

Prefeituras municipais, como a de São Paulo, acionam Justiça para ressarcimentos coletivos, incluindo poda de árvores em zonas controladas pela rede elétrica. O MPF suspendeu processos de renovação contratual até resolução de pendências.

Moradores são orientados a registrar queixas no Procon-SP, que notificou a Enel por falhas no atendimento pós-vendaval. A companhia promete auditoria em prestadores terceirizados para coibir irregularidades como a prisão em Vila Mariana.

Relatos em redes sociais indicam ao menos dez denúncias semelhantes desde o início da crise, com valores entre R$ 300 e R$ 1.500. Autoridades recomendam gravações de abordagens suspeitas para subsidiar investigações.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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