A Volkswagen formalizou um movimento estratégico para ampliar sua gama de veículos eletrificados no Brasil ao depositar o nome “Tivian” junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), em 1º de julho de 2025. Essa ação sinaliza a iminente introdução de um SUV elétrico no mercado nacional até 2028, conforme apurado por veículos especializados do setor, gerando debates sobre as dimensões e atributos do vindouro modelo.
A montadora alemã, que já destinou vultosos R$ 16 bilhões em investimentos no Brasil até 2028, tem planos ambiciosos de fabricar veículos híbridos e totalmente elétricos em suas instalações locais. A fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, emerge como uma das principais cotadas para a produção.
O nome “Tivian” instigou a curiosidade do setor devido à sua semelhança com a marca americana Rivian, parceira tecnológica da Volkswagen. Contudo, não há confirmação de que o novo veículo incorporará diretamente a tecnologia da empresa norte-americana. A iniciativa reforça o comprometimento da montadora com a mobilidade sustentável, alinhada a projeções globais de lançar 22 milhões de veículos elétricos até 2028.
Expansão elétrica da Volkswagen no Brasil
A Volkswagen tem intensificado seus esforços para consolidar o Brasil como um polo estratégico na mobilidade elétrica para a região da América do Sul. Em 2023, a empresa anunciou um plano de investimentos robusto, totalizando R$ 16 bilhões até 2028, com o objetivo de lançar 16 novos modelos, incluindo opções híbridas e elétricas.
A planta de São José dos Pinhais, no Paraná, é apontada como a principal candidata para a produção do Tivian, aproveitando sua infraestrutura já preparada para veículos mais modernos. Paralelamente, a fábrica de Anchieta, em São Bernardo do Campo, também está sendo adaptada para a produção de modelos híbridos flex, como o Tayron e o Tayron Coupé.
Detalhes sobre o futuro SUV Tivian
O registro do nome “Tivian” no INPI sugere que a Volkswagen está planejando um SUV elétrico com dimensões que podem variar entre 4,2 e 4,5 metros. Esse porte o posicionaria como um competidor direto de modelos já estabelecidos no mercado, como o BYD Song Plus e o Toyota Corolla Cross.
A escolha por um SUV reflete a forte preferência do mercado consumidor, onde o segmento domina as vendas, representando cerca de 40% do total de emplacamentos em 2024, de acordo com dados da Fenabrave. A montadora busca, assim, atender à crescente demanda por veículos sustentáveis, impulsionada por políticas de redução de emissões e benefícios fiscais para veículos elétricos.
Entre os pontos principais do registro do Tivian, destacam-se:
– Nome registrado no INPI em julho de 2025.
– Possível produção em São José dos Pinhais até 2028.
– SUV elétrico com variantes de cinco ou sete assentos.
Características técnicas e posicionamento de mercado
Embora as especificações técnicas detalhadas do Tivian permaneçam no campo da especulação, é esperado que o modelo utilize a plataforma MEB (Modular Electric Drive Matrix). Essa arquitetura é empregada em outros veículos elétricos da Volkswagen, como o ID.4 e o ID. Buzz, e oferece grande flexibilidade para diferentes tamanhos e configurações.
A plataforma MEB permite configurações de tração dianteira ou integral e uma autonomia estimada entre 400 e 500 km, dependendo da capacidade da bateria. O Tivian pode ser projetado para competir no segmento de SUVs compactos a médios, com uma precificação atrativa para o mercado, possivelmente na faixa de R$ 200 mil a R$ 300 mil, considerando os custos de produção local.
Cenário competitivo dos SUVs elétricos
O mercado nacional de SUVs tem demonstrado um crescimento notável, com um aumento de 15% nas vendas em 2024, segundo informações da Fenabrave. Modelos como o Volkswagen T-Cross, Nivus e Taos já solidificaram a presença da marca como uma das líderes neste segmento. No entanto, a ausência de um SUV elétrico produzido localmente representa uma lacuna que o Tivian tem o potencial de preencher. Concorrentes como a BYD, com o Yuan Plus, e a GWM, com o Haval H6, já oferecem opções elétricas e híbridas no país, exercendo pressão para que a Volkswagen acelere sua estratégia de eletrificação. O Tivian pode ser posicionado como uma alternativa mais acessível, especialmente quando comparado ao ID.4, que é importado e tem um custo aproximado de R$ 300 mil. A produção doméstica do veículo resultaria em uma redução significativa dos custos relacionados a impostos de importação, tornando o modelo mais competitivo em termos de preço. Adicionalmente, o governo tem incentivado a adoção de veículos elétricos por meio de isenções fiscais e programas como o Mover, que oferece incentivos para a produção de automóveis sustentáveis.
A relação entre Volkswagen e Rivian
A colaboração entre Volkswagen e Rivian, estabelecida em 2024 com um investimento de US$ 5 bilhões, visa o desenvolvimento de plataformas e softwares para veículos elétricos em escala global. O foco está na próxima geração de modelos, com resultados esperados a partir de 2028.
Embora o nome “Tivian” possa sugerir uma conexão com a Rivian, não existem evidências de que o SUV brasileiro vá incorporar tecnologias diretamente da marca americana. O registro no INPI indica que o nome é exclusivo para o mercado sul-americano, o que ajudaria a evitar possíveis conflitos com a Rivian em outros mercados, como os Estados Unidos.
Marcos temporais do projeto
A trajetória do Tivian reflete o compromisso da Volkswagen com a eletrificação no país.
– 2023: Volkswagen anuncia investimento de R$ 16 bilhões no Brasil até 2028.
– 2024: Parceria com Rivian para desenvolvimento de tecnologias elétricas.
– Julho de 2025: Registro do nome “Tivian” no INPI.
– 2028: Previsão de início da produção do Tivian em São José dos Pinhais.
Potencial de mercado e incentivos
A introdução do Tivian pode reconfigurar o panorama dos veículos elétricos no Brasil, onde a penetração de modelos movidos a bateria ainda é inferior a 2% das vendas totais, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A fabricação local de um SUV elétrico com preço competitivo fortaleceria a posição da Volkswagen em um mercado que tem visto o crescimento de marcas asiáticas, como BYD e GWM.
Além disso, a iniciativa pode atrair consumidores com foco em sustentabilidade, especialmente em grandes centros urbanos, onde a infraestrutura de recarga está em processo de expansão. A Volkswagen pode, ainda, beneficiar-se de programas governamentais que incentivam a produção de veículos com baixa emissão de carbono, como o Mover.


