O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou na sexta-feira (19) uma nova leva de documentos relacionados à investigação contra Jeffrey Epstein. O material inclui fotos de celebridades, e-mails e anotações com centenas de páginas censuradas. Entre as referências identificadas, duas envolvem o Brasil diretamente, o que gerou atenção imediata em meio a críticas sobre a transparência da divulgação.
Os arquivos fazem parte de um processo que ganhou força após a aprovação de uma lei em novembro pelo Congresso americano, sancionada pelo presidente Donald Trump. A medida exigia a liberação de materiais não classificados sobre as investigações de Epstein, condenado em 2008 por aliciar menores para prostituição e acusado de tráfico sexual em 2019. O financista morreu na prisão naquele ano, com a causa oficial sendo suicídio.
Menções específicas ao Brasil nos documentos
Um bilhete datado de 2005 solicita que Epstein retorne uma ligação sobre o tema Brasil. Outro registro menciona uma mulher que teria viajado ao país aos 17 anos e retornado aos Estados Unidos aos 20 anos, em 2005. O nome da pessoa permanece oculto, e o texto indica que ela não teria conhecimento da foto associada ao documento.
Um conjunto de fotografias identificadas como relacionadas ao Brasil aparece majoritariamente censurado com tarjas pretas. As imagens não trazem detalhes visíveis sobre o contexto ou as pessoas envolvidas. As referências não indicam envolvimento direto de autoridades ou figuras públicas brasileiras no esquema de Epstein.
Críticas de vítima brasileira à divulgação parcial
A brasileira Marina Lacerda, uma das vítimas de Epstein, concedeu entrevista no sábado (20) à Sky News. Ela relatou que o primeiro contato com o financista ocorreu quando tinha 14 anos. Marina descreveu a casa de Epstein como um local de constante fluxo de mulheres jovens, com abusos diários que envolviam várias pessoas ao mesmo tempo.
Marina criticou a liberação incompleta dos arquivos, afirmando que a censura e a falta de detalhes representam uma decepção para as vítimas. Ela destacou que esperava maior transparência após anos de espera por esclarecimentos sobre a rede de exploração sexual. A vítima forneceu depoimento ao FBI em 2019, após a reabertura das investigações.
Fotos de celebridades e desaparecimento de arquivos
O material divulgado inclui imagens inéditas de Epstein ao lado de figuras como o ex-presidente Bill Clinton, o cantor Michael Jackson e o líder dos Rolling Stones, Mick Jagger. Uma foto mostra Clinton em uma piscina com outras pessoas, sem indicação de contexto ou data específica. Outras imagens apresentam Epstein com celebridades em ambientes variados, mas sem explicações sobre as relações mantidas.
No domingo (21), pelo menos 16 arquivos sumiram do site oficial do Departamento de Justiça. Entre eles estava uma fotografia envolvendo Donald Trump. O vice-procurador-geral Todd Blanche explicou que remoções ocorrem para proteger identidades de vítimas ou por determinação judicial, negando motivações políticas. O departamento afirmou que investigará as ausências e que mais documentos serão liberados nas próximas semanas.
Contexto da investigação e do caso Epstein
Jeffrey Epstein construiu uma rede de contatos com políticos, empresários e celebridades ao longo de décadas. Ele foi acusado de abusar de mais de 250 menores e de operar um esquema de tráfico sexual. As investigações federais ocorreram em Miami e Nova York, com acordos judiciais criticados por sua leniência.
A divulgação atual segue pressões políticas durante a campanha de 2024, quando Trump prometeu transparência total sobre os arquivos. O governo alega que parte do material permanece sob sigilo para proteger vítimas e investigações em andamento. Críticas continuam sobre a extensão das censuras e o ritmo lento da liberação.
O Departamento de Justiça informou que nem todos os arquivos serão publicados de imediato, priorizando a revisão para evitar exposição indevida de informações pessoais. Vítimas e observadores aguardam as próximas fases da divulgação para avaliar se novos detalhes surgirão sobre a extensão da rede de Epstein.

