Suspeitos de ataque em Sydney realizaram treinamentos táticos e reconhecimento prévio

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bondi beach Foto: bondi beach - AustralianCamera/Shutterstock.com

Polícia australiana divulga novos detalhes sobre o atentado terrorista ocorrido em 14 de dezembro de 2025 na praia de Bondi, em Sydney, que resultou em 15 mortos e dezenas de feridos durante uma celebração do Hanukkah. Os suspeitos, pai e filho identificados como Sajid Akram, de 50 anos, e Naveed Akram, de 24 anos, planejaram o ataque por meses, incluindo treinamentos com armas e visitas de reconhecimento ao local. Sajid foi morto pela polícia no dia do incidente, enquanto Naveed, ferido, foi transferido para prisão e enfrenta múltiplas acusações de terrorismo e assassinato.

O ataque aconteceu no final da tarde, por volta das 18h47 no horário local de Sydney, quando os atiradores abriram fogo contra a multidão reunida em um parque próximo à praia. Autoridades classificaram o ato como terrorista de motivação antissemita, inspirado na ideologia do Estado Islâmico. Além dos tiros, os suspeitos lançaram dispositivos explosivos caseiros que não detonaram.

Detalhes do planejamento revelados

Documentos judiciais divulgados em 22 de dezembro mostram que os suspeitos organizaram sessões de treinamento tático em área rural de Nova Gales do Sul. Imagens recuperadas exibem os dois praticando tiros com espingardas e movimentos coordenados. Essas atividades ocorreram nos meses anteriores ao ataque, indicando preparação prolongada.

Os investigadores encontraram um vídeo no celular de um dos suspeitos, gravado em outubro, onde eles aparecem diante de uma bandeira do Estado Islâmico. No registro, recitam trechos do Alcorão e expressam repúdio a sionistas, detalhando motivações para o atentado. Bandeiras semelhantes foram localizadas no veículo usado no dia do crime.

Dois dias antes do ataque, em 12 de dezembro, os suspeitos visitaram Bondi para reconhecimento. Câmeras de segurança captaram eles percorrendo a ponte de onde dispararam os tiros. No dia do incidente, saíram de uma acomodação alugada carregando itens embrulhados, incluindo armas e explosivos.

Perfil dos suspeitos e investigação

Sajid Akram, de origem indiana, entrou na Austrália em 1998 com visto e possuía licença para várias armas de fogo. Naveed, nascido no país, tem nacionalidade australiana e já havia sido monitorado por autoridades em anos anteriores por possíveis ligações extremistas. A polícia confirmou que não há indícios de participação de terceiros no planejamento.

Autoridades recuperaram seis armas legais pertencentes a Sajid, incluindo as usadas no ataque. Dispositivos explosivos improvisados, como bombas de tubo e uma com bola de tênis, foram desativados no local. A investigação continua para apurar possíveis conexões internacionais, incluindo viagem recente dos suspeitos às Filipinas.

Naveed Akram enfrenta 59 acusações, entre elas terrorismo, 15 homicídios e lesões graves. Ele permanece sob custódia hospitalar enquanto se recupera de ferimentos sofridos durante confronto com a polícia.

Polícia, Crimes, Homicidio, assassinato
Polícia, Crimes, Homicidio, assassinato – Foto: Zag Advertising/shutterstock

Reações oficiais e homenagens

O primeiro-ministro Anthony Albanese reiterou compromisso com leis mais rigorosas contra discursos de ódio e extremismo. Ele pediu desculpas à comunidade judaica e anunciou revisão nos serviços de inteligência e polícia. O governo federal planeja reformas na posse de armas, incluindo limite no número de licenças por indivíduo.

No estado de Nova Gales do Sul, o parlamento se reuniu extraordinariamente para aprovar medidas endurecendo o controle de armas. A proposta limita a posse a quatro armas por pessoa, ou dez em casos especiais como agricultores. Além disso, proíbe exibição de símbolos terroristas e permite restrições temporárias a protestos após incidentes.

  • Um minuto de silêncio foi observado em todo o país no dia 21 de dezembro, uma semana após o ataque.
  • Memoriais na praia de Bondi receberam flores e velas de visitantes.
  • Vigílias ocorreram em várias cidades, com reforço na segurança de locais judaicos.

Medidas de controle de armas ampliadas

O atentado reacendeu debate sobre posse de armas na Austrália, apesar de leis estritas desde o massacre de Port Arthur em 1996. Dados indicam aumento no número de armas registradas, com mais de quatro milhões em circulação privada no país. Em Nova Gales do Sul, há cerca de 1,1 milhão de armas civis.

O governo estadual anunciou proibição de símbolos associados ao Estado Islâmico, encontrados no veículo dos suspeitos. Autoridades planejam programa de recompra para retirar armas das ruas. Especialistas apontam que o incidente expõe necessidade de atualização nas regulamentações atuais.

Contexto de segurança no país

A Austrália elevou nível de ameaça terrorista em anos recentes devido a tensões comunitárias. O ataque em Bondi é considerado um dos mais violentos em décadas, direcionado especificamente à comunidade judaica durante celebração religiosa. Policiamento foi intensificado em sinagogas, escolas e eventos públicos.

Comunidades muçulmanas condenaram o ato e recusaram ritos fúnebres para o suspeito morto. Líderes judaicos expressaram luto e pediram ações concretas contra antissemitismo. O incidente gerou solidariedade internacional, com governos reforçando proteção a minorias.

  • Reforço policial em áreas judaicas continua ativo.
  • Doações de sangue aumentaram após apelo público.
  • Heróis civis, como o que desarmou um atirador, receberam reconhecimento oficial.

Avanços na apuração judicial

A divulgação de documentos judiciais fornece visão detalhada sobre a preparação do ataque. Evidências incluem vídeos de treinamento, manifesto ideológico e planejamento logístico. A polícia afirma que os suspeitos agiram motivados por extremismo jihadista, sem células organizadas identificadas.

Casos de vítimas começaram a ser processados, com enterros e homenagens individuais. Uma menina de 10 anos foi a vítima mais jovem, gerando comoção nacional. Sobreviventes recebem apoio psicológico e médico contínuo.

O processo contra Naveed Akram prossegue, com expectativa de julgamento detalhado. Autoridades buscam garantir justiça às famílias afetadas enquanto implementam mudanças legislativas.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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