O banco britânico Barclays anunciou na quinta-feira (22), em Londres, na Inglaterra, um plano para eliminar cerca de 5.000 vagas de emprego em tempo integral até o final de 2026. A medida equivale a aproximadamente 5% da força de trabalho global da instituição financeira e faz parte de uma reestruturação para reduzir custos operacionais e ampliar o uso de inteligência artificial (IA).
De acordo com os dados divulgados pela empresa, cerca de 1.000 postos de trabalho já foram encerrados durante o primeiro semestre de 2026. Com isso, restam aproximadamente 4.000 desligamentos previstos para ocorrer até dezembro deste ano. O diretor-executivo (CEO) do Barclays, C.S. Venkatakrishnan, afirmou que a instituição vai expandir o uso de novas ferramentas tecnológicas nos processos internos. “Vamos empregar a IA em grande escala”, disse o executivo. Ele completou a avaliação sobre o peso da tecnologia no plano geral: “Mas a IA é a cereja do bolo, não o bolo em si.”
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Áreas de apoio e desenvolvedores concentram 60% dos cortes no Barclays
O programa de demissões do Barclays atinge principalmente os setores administrativos e operacionais da instituição. Segundo o banco, cerca de 60% das 5.000 vagas eliminadas devem se concentrar em funções internas de suporte, o que inclui desenvolvedores de sistemas e de software.
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A diretora financeira (CFO) do Barclays, Anna Cross, explicou que os desligamentos estão ligados ao redesenho da estrutura corporativa e ao avanço da automação. “As mudanças que estamos fazendo no terceiro e no quarto trimestres deste ano são consideráveis. Elas se relacionam tanto com a simplificação da organização quanto com alguns dos impactos que estamos começando a ver da IA”, declarou a executiva, em tradução livre.
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Para executar o plano de redução de pessoal e reorganização interna ao longo de 2026, o banco britânico reservou um orçamento específico que soma cerca de 600 milhões de libras no fechado do ano. O valor total está dividido em duas etapas principais de desembolso:
- Gastos nos primeiros nove meses de 2026: 307 milhões de libras (equivalente a R$ 2,1 bilhões), sendo que 201 milhões de libras foram aplicados diretamente em medidas de redução de custos estruturais durante o terceiro trimestre.
- Previsão de gastos adicionais até dezembro de 2026: mais 300 milhões de libras (cerca de R$ 2 bilhões) para concluir as etapas previstas para o quarto trimestre.
Balanço do Barclays no terceiro trimestre de 2026 tem lucro de 2,3 bilhões de libras
O anúncio do corte de 5.000 vagas ocorreu simultaneamente à publicação dos resultados financeiros do Barclays referentes ao terceiro trimestre de 2026, em 22 de outubro de 2026. O lucro antes de impostos registrado pela instituição teve alta anual de 12%, mas ficou abaixo da média projetada por analistas do mercado financeiro.
Enquanto a receita total do grupo apresentou crescimento no período entre julho e setembro, a área que reúne operações de renda fixa, moedas e matérias-primas (commodities) teve retração de quase um quinto no faturamento na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. As provisões financeiras reservadas para cobrir riscos de calotes em empréstimos também diminuíram. Os números exatos do balanço do terceiro trimestre de 2026 do Barclays foram os seguintes:
- Lucro antes de impostos: 2,3 bilhões de libras (R$ 15,5 bilhões ou US$ 3,08 bilhões), um crescimento de 12% na comparação anual.
- Estimativa média dos analistas para o lucro antes de impostos: 2,42 bilhões de libras (R$ 16,3 bilhões).
- Receita total do grupo: 7,4 bilhões de libras (R$ 49,8 bilhões), o que representa uma alta anual de 3%.
- Receita com renda fixa, moedas e commodities: cerca de 1 bilhão de libras (R$ 6,7 bilhões), queda anual de 19%.
- Provisões para perdas de crédito (empréstimos inadimplentes): 503 milhões de libras, recuo de 20% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Cortes em bancos do Reino Unido atingem HSBC e Standard Chartered
O Barclays contava com cerca de 93.000 funcionários em todo o mundo no final de 2025. Com a decisão de enxugar 5% do seu quadro de pessoal até dezembro de 2026, a empresa se soma a outros grandes bancos sediados no Reino Unido que colocaram em prática programas de demissão impulsionados pela adoção de inteligência artificial e automação neste ano.
O banco britânico HSBC avalia cortar até 20.000 cargos ao longo dos próximos cinco anos. Os desligamentos estudados pela instituição financeira têm como alvo funções de apoio e setores de suporte intermediário (conhecidos no mercado financeiro pelo termo em inglês middle-office), que fazem o controle de risco e o processamento de operações entre o atendimento ao cliente e a administração central.
Já o banco Standard Chartered planeja eliminar mais de 7.800 vagas de trabalho até o ano de 2030. O volume previsto de demissões representa um corte superior a 15% nas funções corporativas da instituição financeira.
