Oito montadoras chinesas desembarcam no Brasil com elétricos e híbridos enquanto uma marca se despedePor Jeronimo Santos
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O cenário automotivo nacional passou por uma transformação profunda em 2025, marcada por uma expressiva onda de investimentos de fabricantes da China. Este movimento reconfigurou a oferta de veículos, principalmente no segmento de eletrificados, com a chegada de oito novas marcas e a consolidação de operações que visam a produção local. A estratégia agressiva demonstra a confiança no potencial de crescimento do mercado brasileiro.
Essa expansão é impulsionada pela busca dos consumidores por tecnologias mais sustentáveis e eficientes, como os carros elétricos e híbridos. As novas montadoras chegam com portfólios diversificados, que vão desde modelos de luxo até veículos mais acessíveis, acirrando a competitividade com as marcas já estabelecidas. A maioria dos projetos inclui planos robustos para a construção de fábricas e o desenvolvimento de redes de concessionárias em todo o território nacional.
Em contrapartida a esse avanço, o ano também registrou o encerramento das atividades de uma das montadoras chinesas que havia chegado ao país recentemente. A saída evidencia os desafios de penetração em um mercado competitivo, onde a construção de uma marca sólida e uma rede de pós-venda eficiente são fatores cruciais para o sucesso a longo prazo.
As estreias de luxo e o retorno da MG Motor
Uma das chegadas mais notáveis foi a da Denza, posicionada como a submarca de luxo da gigante BYD. A estreia oficial aconteceu durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro, onde a empresa apresentou o SUV híbrido B5. O modelo, que já está em pré-venda com preço fixado em R$ 436 mil, mira um consumidor exigente que busca sofisticação e tecnologia. Para garantir uma experiência exclusiva, a Denza aposta em uma rede própria de concessionárias, com a primeira unidade inaugurada na capital paulista, e já planeja a expansão de sua linha com a chegada da perua Z9 GT no primeiro semestre de 2026, reforçando sua aposta no segmento premium.
Outro movimento importante foi o retorno da MG Motor, que agora opera de forma independente no Brasil. A marca britânica, controlada pela chinesa SAIC, iniciou suas vendas em novembro com um trio de veículos elétricos. O portfólio inclui o hatch MG4, com preço de R$ 238.800, o sedã S5, por R$ 229.800, e o conversível esportivo Cyberster, avaliado em R$ 499.800. A estratégia da MG não se limita à importação, pois a empresa já confirmou planos para a produção local em Horizonte, no Ceará, a partir do final de 2026, com a segunda geração do MG4 sendo um dos modelos cotados para a nacionalização.
Ofensiva de GAC e Leapmotor com produção local
A GAC Motor iniciou suas operações em maio com uma estratégia de impacto, lançando cinco modelos de uma só vez para atender a diferentes perfis de consumidores. A linha inclui os elétricos Aion V, Aion Y e Aion ES, além do híbrido GS4. A empresa já confirmou a chegada de mais três veículos em 2026, entre eles o Aion UT, mostrando um plano de expansão contínuo. A viabilidade da operação no longo prazo está atrelada a uma parceria com o grupo HPE, que prevê a produção local de veículos, sendo o SUV GS3 o modelo mais cotado para ser o primeiro GAC fabricado no Brasil.
No mesmo ritmo, a Leapmotor chegou ao mercado através de uma aliança estratégica com o grupo Stellantis. A marca iniciou suas vendas com o SUV C10, disponível em versões híbrida e elétrica com preços a partir de R$ 189.990. A distribuição dos veículos é realizada em 36 concessionárias da rede Stellantis, aproveitando a capilaridade do grupo. Para janeiro de 2026, está previsto o lançamento do B10 elétrico por R$ 172.990, e a empresa confirmou que a produção de seus modelos eletrificados ocorrerá na fábrica da Stellantis em Goiana, Pernambuco.
Omoda Jaecoo e Geely fortalecem parcerias estratégicas
Parte do conglomerado Chery, a Omoda Jaecoo começou suas atividades no início de 2025, focando em SUVs com design moderno e motorização eletrificada. Os primeiros modelos a chegarem foram o Jaecoo 7 híbrido plug-in e o Omoda E5, totalmente elétrico.
Posteriormente, a marca expandiu sua linha com os modelos Omoda 5 e Omoda 7, ambos híbridos, ampliando as opções para o consumidor. A empresa já confirmou três novos lançamentos para 2026: Jaecoo 5, Jaecoo 8 e Omoda 4, além de um investimento de R$ 15 milhões para desenvolver motores flex adaptados à eletrificação a partir de 2027.
A Geely também marcou seu retorno ao Brasil, desta vez por meio de uma robusta parceria com a Renault. A montadora chinesa adquiriu 26,4% das operações da marca francesa no país, um movimento que garante o uso da fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, para a produção de seus veículos. O plano prevê a fabricação de até quatro modelos diferentes até 2027, com foco na tecnologia híbrida.
Novas apostas programadas para 2026
A parceria entre o grupo Caoa e a Changan foi formalmente apresentada em 2025, mas a estreia comercial dos veículos está programada para o início de 2026. O projeto é ambicioso e visa uma produção anual de 100 mil veículos na fábrica da Caoa em Anápolis, Goiás. Para isso, está previsto um investimento mínimo de R$ 1,6 bilhão, com pelo menos três modelos da Changan sendo montados localmente a partir do próximo ano.
A Jetour, outra marca do grupo Chery, oficializou sua chegada em novembro de 2025, com foco em SUVs de perfil mais robusto e aventureiro. A empresa planeja lançar três modelos já no primeiro trimestre de 2026: o S06, o T1 e o T2. A produção nacional também está nos planos e pode ter início no final do mesmo ano ou em 2027, com um portfólio que deve totalizar seis veículos.
Já a Lynk & Co, marca premium do grupo Geely, planeja uma estreia direta, sem intermediários. O primeiro modelo a ser lançado será o SUV 08, que utiliza a plataforma CMA Evo, a mesma compartilhada com modelos da Volvo, como o XC40. O veículo se destaca pela motorização híbrida de alta performance, com potência combinada de 593 cv. O crossover 02 elétrico também está nos planos da marca para o mercado brasileiro.
Por fim, a Neta está reestruturando suas operações no Brasil após enfrentar desafios financeiros na matriz. A empresa reativou seu site oficial e mantém as vendas em uma concessionária única no Rio de Janeiro. A principal aposta para 2026 é a chegada do SUV Neta L, enquanto a companhia busca regularizar dívidas para garantir a continuidade de suas operações e expandir sua presença no país.
A curta trajetória e o encerramento da Seres no país
Em meio a tantas chegadas, a Seres foi a marca que encerrou suas atividades no Brasil em 2025. Com uma trajetória breve, de julho de 2023 a julho de 2024, a empresa não conseguiu se consolidar no mercado, registrando a venda de apenas oito veículos ao longo de 2024. O site da marca foi desativado no início do ano, e os modelos oferecidos, o Seres 3 por R$ 199.990 e o Seres 5 por R$ 394 mil, não alcançaram a tração necessária para competir no acirrado segmento de elétricos.
O cenário da eletrificação e a competitividade no mercado
A chegada massiva de montadoras chinesas está diretamente ligada à transição global para a mobilidade elétrica e ao programa Mover, que incentiva a produção de veículos mais sustentáveis no Brasil. Essas empresas enxergam no país um mercado com enorme potencial de crescimento para carros híbridos e elétricos, segmentos ainda em desenvolvimento. Com tecnologias avançadas, design arrojado e preços competitivos, elas exercem uma forte pressão sobre as fabricantes tradicionais, forçando uma aceleração nos planos de eletrificação e uma revisão nas estratégias de preços. Para o consumidor, essa nova dinâmica se traduz em mais opções, acesso a novas tecnologias e uma provável queda no custo dos veículos eletrificados. No entanto, o desafio para as recém-chegadas é grande: elas precisam não apenas vender carros, mas também construir uma rede de concessionárias e de assistência técnica confiável, além de conquistar a confiança do consumidor brasileiro, que historicamente valoriza a robustez e a tradição das marcas estabelecidas.
Detalhes dos novos modelos e faixas de preço
O portfólio apresentado pelas novas marcas chinesas é vasto e cobre diferentes segmentos do mercado. No topo, modelos como o MG Cyberster e o Denza B5 buscam atrair consumidores de alta renda com design esportivo e acabamento premium. O Cyberster, por exemplo, é um conversível elétrico de dois lugares que promete alto desempenho, enquanto o SUV da Denza foca no luxo e na tecnologia embarcada para competir com marcas alemãs.
Na outra ponta, há opções que visam popularizar a eletrificação, como o Leapmotor B10, anunciado por R$ 172.990. Modelos como o MG4 e o Omoda E5 também se posicionam de forma competitiva, oferecendo um bom pacote de equipamentos e autonomia por um preço inferior ao de muitos concorrentes diretos, o que deve intensificar a disputa na faixa de entrada dos veículos elétricos e híbridos nos próximos anos.








