Ciência

NASA simula colisão de cometa 3I/ATLAS com Madri e projeta destruição catastrófica na cidade

Hubble Images of 3I/ATLAS - Divulgação
Hubble Images of 3I/ATLAS - Divulgação

O Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da NASA mantém uma vigilância constante sobre os céus, monitorando incessantemente objetos que se aproximam da Terra. Estima-se que anualmente cerca de 17.000 cometas e asteroides adentrem a atmosfera terrestre, e um subgrupo significativo é classificado como “Asteroides Potencialmente Perigosos” (PHAs). Esta categorização exige que o corpo celeste possua uma órbita que o leve a menos de 7,5 milhões de quilômetros do nosso planeta e que seu diâmetro ultrapasse os 150 metros, critérios essenciais para o planejamento de qualquer eventual defesa planetária.

Neste cenário de monitoramento intensivo, o cometa 3I/ATLAS, um objeto de origem interestelar, tem sido objeto de estudo aprofundado por parte da comunidade científica. Sua natureza e trajetória únicas motivaram a criação de cenários simulados para avaliar os potenciais efeitos de uma colisão.

Ferramentas como o Asteroid Launcher, desenvolvido pelo engenheiro de computação Neal Agarwal, permitem que pesquisadores e o público em geral visualizem as consequências hipotéticas de impactos em diversas localidades. Em uma dessas simulações perturbadoras, a cidade de Madri, capital da Espanha, foi escolhida para demonstrar os efeitos devastadores de um eventual encontro com o cometa 3I/ATLAS.

Vigilância espacial intensificada pela NASA

terra

A agência espacial norte-americana, através de seu Escritório de Coordenação de Defesa Planetária, mantém um sofisticado sistema de alerta para identificar e rastrear corpos celestes. O volume anual de objetos que se aproximam da Terra sublinha a necessidade contínua de avanços em tecnologias de detecção e análise de trajetórias, um trabalho fundamental para a segurança do planeta.

Essa vigilância é crucial não apenas para identificar riscos iminentes, mas também para caracterizar a população de objetos próximos à Terra, compreendendo suas origens e composições. O conhecimento acumulado é vital para refinar modelos de previsão e desenvolver estratégias de mitigação.

A singularidade do cometa 3I/ATLAS

Descoberto pelo telescópio do Sistema de Alerta Final de Impacto Terrestre de Asteroides (ATLAS) em Río Hurtado, Chile, em 1º de julho de 2025, o cometa 3I/ATLAS é o terceiro objeto conhecido a ter se originado de fora do nosso sistema solar. Sua órbita, que não forma um caminho fechado ao redor do Sol, confirma sua classificação como um corpo interestelar.

Este fato por si só o torna um alvo de imenso interesse científico. A chance de estudar matéria vinda de outras estrelas é rara e oferece insights incomparáveis sobre a formação de sistemas planetários além do nosso.

Os astrônomos buscam entender como esses visitantes cósmicos se comportam e quais segredos podem revelar sobre as condições primordiais do universo. A análise de sua composição pode desvendar pistas sobre a química presente em outras nebulosas e discos protoplanetários.

Janela de observação inédita para cientistas

No período entre 19 e 26 de janeiro de 2026, o cometa 3I/ATLAS se alinhará de forma quase perfeita com a Terra e o Sol. Este fenômeno astronômico proporcionará uma “oportunidade sem precedentes”, como destacou o astrofísico Avi Loeb, para que a comunidade científica estude profundamente suas características.

As observações realizadas antes e depois deste alinhamento são cruciais para caracterizar o albedo, que é a capacidade da superfície do cometa de refletir a radiação solar. Este dado, juntamente com a análise de sua estrutura e a composição da matéria interestelar, permitirá um entendimento mais completo do objeto.

Conforme explicado por Loeb em um artigo, a permanência do cometa com um ângulo de fase menor que 2 graus por aproximadamente uma semana é um evento raro. Geralmente, as geometrias de oposição cometária duram apenas algumas horas, tornando a oportunidade de 3I/ATLAS algo que “talvez não se repita por décadas”.

Durante esse alinhamento, o cometa estará a aproximadamente 3,33 Unidades Astronômicas (UA) do Sol e a 2,35 UA da Terra. Após sua passagem, espera-se que o 3I/ATLAS deixe o nosso Sistema Solar permanentemente, desaparecendo para sempre e levando consigo as informações que os cientistas conseguirem extrair.

Descobertas sobre sua composição e origem

Embora o tamanho exato do cometa 3I/ATLAS ainda não seja totalmente conhecido, observações do Telescópio Espacial Hubble indicam que seu núcleo possui um diâmetro de pelo menos 440 metros. Ao ser descoberto na órbita de Júpiter, o cometa estava viajando a uma velocidade impressionante de 221.000 quilômetros por hora, segundo dados da NASA.

Atraído pela força gravitacional do Sol, sua velocidade aumentou consideravelmente, atingindo 246.000 quilômetros por hora em sua maior aproximação à estrela. Essa velocidade, combinada com outros fatores, sugere uma origem em um sistema planetário extremamente antigo. Os cientistas acreditam que o 3I/ATLAS pode ser uma cápsula do tempo cósmica, carregando vestígios de um passado muito distante.

Pesquisadores detectaram uma proporção de dióxido de carbono para água maior do que o usual, comparado a cometas típicos do nosso Sistema Solar. Além disso, foram encontrados vestígios de gás rico em níquel em comparação com o ferro. Essas anomalias na composição química são elementos-chave para desvendar sua história e o ambiente em que se formou. “O 3I/ATLAS não é apenas uma janela para outro sistema solar; é uma janela para um passado remoto, tão remoto que antecede até mesmo a formação da Terra e do Sol”, afirmou Tom Statler, cientista-chefe da NASA para pequenos corpos do sistema solar.

Cenário de destruição: o impacto em Madri

Uma das simulações mais impactantes e detalhadas é a de um possível impacto do cometa 3I/ATLAS na Puerta del Sol, no coração de Madri. As consequências seriam de proporções catastróficas, redefinindo completamente a paisagem e a vida na região.

O impacto inicial geraria uma cratera com aproximadamente 3,8 quilômetros de diâmetro e 439 metros de profundidade. O centro da cidade, incluindo a emblemática Puerta del Sol e bairros adjacentes como Centro, Salamanca, Chamberí, Arganzuela e Retiro, seria instantaneamente vaporizado. Estima-se que mais de 2.000 pessoas morreriam apenas na área direta da cratera.

A energia liberada pela colisão seria equivalente a 826 megatons de TNT, uma força superior à capacidade combinada de todas as armas nucleares existentes atualmente no mundo. A onda de choque resultante, acompanhada por um estrondo ensurdecedor de 242 decibéis, ceifaria a vida de centenas de milhares de pessoas em questão de segundos. Em um raio de 18 quilômetros, abrangendo quase toda a cidade e municípios vizinhos como Getafe, Leganés e Alcobendas, inúmeras pessoas sofreriam danos pulmonares severos. A até 24 quilômetros, a maioria dos tímpanos se romperiam, e a 41 quilômetros do ponto de impacto, a maioria das edificações desabaria. Os ventos, com velocidades que poderiam alcançar até 4 quilômetros por segundo, devastariam Madri e seus arredores, com um número estimado de 1,7 milhão de mortes apenas devido à tempestade. Adicionalmente, um terremoto de magnitude 6,4 na escala Richter seria provocado, intensificando a destruição e o número de vítimas. Um evento dessa magnitude é extremamente raro, com uma ocorrência média estimada em uma vez a cada 30.000 anos.

Prevenção e defesa planetária contínua

Apesar da raridade de eventos de impacto tão devastadores, a vigilância e o estudo de objetos como o cometa 3I/ATLAS são componentes essenciais dos esforços de defesa planetária. A compreensão detalhada de suas características e trajetórias permite que a ciência esteja preparada para futuros desafios cósmicos.

Investimentos em pesquisa e tecnologia de rastreamento de asteroides e cometas são fundamentais para proteger a Terra. A colaboração internacional é vital para fortalecer as capacidades de detecção e desenvolver estratégias eficazes, garantindo a segurança de nosso planeta contra ameaças vindas do espaço.

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