Nova análise revela que aglomerado das Plêiades é o centro de estrutura vinte vezes maior

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Complexo das Grandes Plêiades Foto: Complexo das Grandes Plêiades - Alexandru Canpan/ shutterstock.com

Astrônomos da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill identificaram que o famoso aglomerado estelar Messier 45, popularmente conhecido como as Plêiades, representa apenas o núcleo denso de uma formação muito mais vasta. O estudo publicado no The Astrophysical Journal redefiniu as fronteiras deste objeto celeste, demonstrando que o grupo de estrelas é aproximadamente vinte vezes mais extenso do que as estimativas anteriores sugeriam. A descoberta introduz o conceito do “Complexo das Grandes Plêiades”, uma estrutura massiva que engloba milhares de estrelas em processo de dispersão.

A pesquisa utilizou uma combinação de dados provenientes de duas das missões espaciais mais importantes da atualidade: o satélite TESS, da NASA, e o observatório Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA). Ao cruzar as informações de movimentação e luminosidade, os cientistas conseguiram traçar uma linhagem comum entre astros que, à primeira vista, pareciam desconectados no céu noturno. Essa nova perspectiva altera fundamentalmente a compreensão sobre como aglomerados estelares se comportam e evoluem ao longo de bilhões de anos.

Complexo das Grandes Plêiades
Complexo das Grandes Plêiades –
Alexandru Canpan/ shutterstock.com

O método aplicado para chegar a essa conclusão baseou-se na análise da rotação estelar como um indicador preciso de idade, permitindo diferenciar membros reais do complexo de outras estrelas que apenas cruzavam a região. A validação desses dados confirmou que as “Sete Irmãs”, visíveis a olho nu, são acompanhadas por uma vasta rede de “irmãs perdidas” que se afastaram do centro gravitacional, mas mantêm a mesma origem química e cronológica.

Mapeamento detalhado da estrutura cósmica

O mapeamento realizado pela equipe liderada pelo astrônomo Andrew Boyle exigiu uma abordagem técnica inovadora para superar as limitações das observações tradicionais. O telescópio Gaia forneceu as coordenadas precisas e o movimento próprio de milhões de estrelas, criando um mapa tridimensional de alta fidelidade da vizinhança solar. No entanto, apenas a posição não era suficiente para confirmar a filiação das estrelas ao aglomerado, visto que astros de diferentes origens podem cruzar o mesmo campo de visão.

Para resolver essa questão, os pesquisadores integraram as curvas de luz obtidas pelo TESS, instrumento originalmente projetado para a detecção de exoplanetas através do método de trânsito. A sensibilidade do satélite permitiu medir a velocidade de rotação das estrelas candidatas. Como estrelas mais jovens tendem a girar mais rapidamente do que as mais antigas, essa métrica serviu como um filtro temporal, isolando apenas os objetos que nasceram na mesma época que o núcleo das Plêiades.

Dinâmica de dispersão e evolução

A identificação do Complexo das Grandes Plêiades oferece um laboratório natural para o estudo da dinâmica de desagregação de famílias estelares. O que se observa agora não é um grupo estático, mas uma associação em plena transformação, onde as forças de maré da Via Láctea e interações gravitacionais com nuvens moleculares gigantes lentamente desmantelam a estrutura original. Esse processo de evaporação estelar é o destino comum da maioria dos aglomerados abertos.

Andrew Mann, coautor do estudo, ressalta que a nova definição de extensão do aglomerado sugere que muitas estrelas próximas ao Sistema Solar podem pertencer a estruturas semelhantes, ainda não mapeadas com a devida profundidade. A capacidade de rastrear esses membros dispersos é crucial para reconstruir a história de formação da galáxia local e entender os ambientes onde estrelas como o Sol se formaram.

  • Identificação de milhares de novas estrelas associadas ao complexo.
  • Utilização da girocronologia para datação precisa de membros distantes.
  • Confirmação de uma área de influência vinte vezes superior ao núcleo visível.
  • Demonstração da eficácia do uso conjunto de dados do Gaia e TESS.

Implicações para a astrofísica moderna

A descoberta transcende a simples catalogação de novas estrelas, fornecendo um modelo robusto para a busca de outras associações estelares difusas. A técnica de datação por rotação, validada neste estudo, promete ser uma ferramenta poderosa para a astrofísica na próxima década, permitindo aos cientistas “rebobinar” o movimento das estrelas e encontrar seus berçários originais. Isso é fundamental para compreender a distribuição de elementos químicos na galáxia.

Além do valor científico, a pesquisa enriquece a narrativa histórica e cultural das Plêiades, um dos objetos mais citados na mitologia e na astronomia antiga. Ao revelar que o aglomerado é muito mais do que o olho humano pode captar, a ciência moderna adiciona uma nova camada de complexidade a um dos ícones mais observados do céu noturno, transformando um ponto de referência visual em um vasto campo de estudo sobre a mecânica celeste.

Palavras-chave

evolução estelar, satélite gaia, aglomerado m45, astronomia moderna, mapeamento celeste

Links pesquisados

https://iopscience.iop.org/journal/0004-637X

https://www.nasa.gov/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite/

https://sci.esa.int/web/gaia

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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