Avi Loeb identifica dois novos candidatos robustos a meteoros interestelares no catálogo CNEOS da NASAPor Beatriz
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O astrônomo Avi Loeb, da Universidade Harvard, em colaboração com o pós-doutorando Richard Cloete, anunciou a identificação de dois novos candidatos a meteoros interestelares no banco de dados CNEOS, mantido pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. Os eventos, denominados CNEOS-22 e CNEOS-25, ocorreram respectivamente em 28 de julho de 2022, no Pacífico tropical leste, e em 12 de fevereiro de 2025, no Mar de Barents, no Ártico. As velocidades heliocêntricas registradas superam a velocidade de escape do Sistema Solar em níveis estatisticamente significativos, com desvios de 8,7 e 5,5 sigma. A análise utilizou um modelo de incerteza calibrado empiricamente em 2025, que diferencia eventos anteriores e posteriores a 2018 quanto à precisão das medições. Nenhum dos milhões de simulações Monte Carlo realizadas produziu órbitas ligadas ao Sol para esses candidatos. Os objetos possuem tamanhos estimados entre 1,2 e 1,8 metro de diâmetro, comparáveis a dimensões humanas. Essa descoberta reforça a presença de material interestelar no entorno terrestre. Os eventos não haviam sido previamente reconhecidos como candidatos interestelares.
Os candidatos surgem de uma revisão detalhada do catálogo completo de fireballs detectados por sensores governamentais americanos. As medições de velocidade permitem calcular órbitas heliocêntricas e verificar se os impactadores estavam gravitacionalmente ligados ao Sol.
- Velocidade heliocêntrica acima de cerca de 42 km/s indica origem interestelar.
- Energia de impacto e altitude de pico de brilho fornecem estimativas de massa e tamanho.
Detalhes do evento CNEOS-22
O fireball CNEOS-22 foi registrado às 01:36 UTC de 28 de julho de 2022, sobre o Pacífico tropical leste, a aproximadamente 600 quilômetros a oeste do Peru, em altitude de 37,5 quilômetros. Sua energia de impacto equivaleu a 0,69 quiloton de TNT, com velocidade de entrada de 30 quilômetros por segundo.
A velocidade heliocêntrica alcançou 46,98 km/s, superando a escape solar de 41,79 km/s em 8,7 desvios padrão. Simulações Monte Carlo confirmaram que nenhuma realização produziu órbita ligada ao Sol.
O objeto tinha massa estimada de 6,4 toneladas e raio de 0,9 metro, assumindo densidade sólida de 2 g/cm³. A pressão dinâmica do ar no pico de brilho atingiu 5,2 megapascals.
Características do candidato CNEOS-25
O evento CNEOS-25 ocorreu às 04:33 UTC de 12 de fevereiro de 2025, sobre o Mar de Barents, entre Novaya Zemlya e Franz Josef Land, em altitude de 42 quilômetros. A energia liberada correspondeu a 0,13 quiloton de TNT, com velocidade de impacto de 22 km/s.
Sua velocidade heliocêntrica foi de 45,63 km/s, acima da escape de 42,4 km/s, com significância de 5,5 sigma. Todas as distribuições Monte Carlo mantiveram o objeto não ligado ao Sistema Solar.
Estima-se massa de 2,2 toneladas e raio de 0,6 metro. A pressão do ar no pico foi de 1,5 megapascals.

Metodologia de calibração empregada
A identificação baseou-se em modelo de incerteza calibrado em 2025, que cruzou dados CNEOS com redes independentes de observação terrestre. Esse modelo separa eventos pré e pós-2018 em regimes de discrepância alta e baixa.
A transformação de velocidades geocêntricas para heliocêntricas considerou rotação terrestre, precessão, nutação e movimento polar. A energia específica heliocêntrica positiva confirma status interestelar.
Restrição aos eventos pós-2018 garantiu robustez estatística. Os dois candidatos destacam-se como únicos com órbitas não ligadas em todas as simulações.
Comparação com objetos interestelares conhecidos
Objetos maiores como 1I/’Oumuamua, 2I/Borisov e 3I/ATLAS transitam o Sistema Solar interno, mas corpos menores só se revelam como fireballs ao entrar na atmosfera em velocidades hiperbólicas.
As velocidades excessivas dos novos candidatos, de 16,9 a 21,5 km/s, ficam no extremo inferior da distribuição galáctica local. Isso é consistente com detecção preferencial de impactadores menores em velocidades mais baixas.
Localizações e possibilidades de recuperação
O CNEOS-22 caiu em águas profundas do Pacífico, a 3-4 quilômetros, apresentando desafios semelhantes a expedições anteriores para meteoros interestelares. Sua maior energia sugere potencial para fragmentos recuperáveis.
Já o CNEOS-25 impactou área de plataforma continental rasa, entre 200 e 400 metros, no Mar de Barents. A proximidade temporal favorece mobilização rápida antes de dispersão por correntes e gelo.
Essas localizações oferecem oportunidades distintas para buscas futuras de material interestelar. Expedições poderiam revelar composições químicas de outros sistemas estelares.
Implicações para densidade de objetos interestelares
A presença de dois candidatos em período recente sugere densidade significativa de objetos metrônicos interestelares na órbita terrestre. Estimativas indicam milhões de corpos semelhantes transitando o Sistema Solar interno a qualquer momento.
Essa população reforça a viabilidade de estudos diretos de material extraterrestre. Análises futuras do catálogo CNEOS podem revelar mais candidatos com refinamento de modelos de incerteza.
A calibração pós-2018 aumenta confiança em identificações robustas. Eventos anteriores, como IM1 e IM2, permanecem candidatos, mas com maior incerteza.
Avanços no estudo de visitantes interestelares
Descobertas como essas ampliam o conhecimento sobre distribuição de velocidades de objetos galácticos. Corpos pequenos complementam observações telescópicas de objetos maiores.
A combinação de dados governamentais com análises acadêmicas acelera identificações. Futuras missões espaciais poderão interceptar ou monitorar tais visitantes com maior precisão.
O catálogo CNEOS continua sendo fonte valiosa para buscas sistemáticas. Atualizações regulares de sensores melhoram a detecção de eventos hipervelozes.








