Telescópio no fundo do mar testa leis de Einstein no Mediterrâneo e analisa 5.828 eventos de neutrinosPor Carolina Costa
2 min de leitura
![]() |
Um telescópio submarino instalado no fundo do Mar Mediterrâneo analisou 5.828 eventos de neutrinos atmosféricos e confirmou a validade das leis fundamentais da relatividade formuladas por Albert Einstein, sem registrar desvios nas medições. A colaboração científica internacional KM3NeT divulgou a análise na sexta-feira (06 de novembro de 2026), após 1,4 ano de registros contínuos obtidos com o detector subaquático KM3NeT/ORCA.
O levantamento avaliou a invariância de Lorentz, princípio segundo o qual as leis físicas permanecem idênticas para qualquer observador, independentemente de sua velocidade ou direção de movimento. Modelos teóricos que tentam integrar a relatividade geral à mecânica quântica sugerem que o espaço-tempo pode ser descontínuo em escalas minúsculas, o que causaria alterações detectáveis no deslocamento de partículas elementares.
Os neutrinos funcionam como sondas precisas para esse tipo de investigação porque quase não interagem com a matéria comum e atravessam o planeta sem sofrer desvios mecânicos relevantes. Durante a trajetória, essas partículas realizam oscilações entre três estados conhecidos:
- Neutrino do elétron (eletrônico)
- Neutrino do múon (muônico)
- Neutrino do tau (tauônico)
Estrutura do experimento submarino no Mediterrâneo
O equipamento opera ancorado nas profundezas marítimas e registrou as partículas produzidas pelo impacto de raios cósmicos na atmosfera da Terra. As medições foram realizadas durante a fase preliminar de montagem da infraestrutura oceanográfica, utilizando seis linhas operacionais de detecção.
Os sensores registraram a direção e a energia de chegada de cada candidato a neutrino atmosférico. A contagem final não apontou anomalias na taxa de transformação entre as partículas, descartando falhas na simetria do espaço-tempo na escala observada.
A pesquisa impôs limites experimentais inéditos para alterações nas oscilações entre neutrinos muônicos e tauônicos. Mesmo com uma fração da capacidade total planejada, os instrumentos submarinos obtiveram precisão comparável à de observatórios veteranos da área, como o IceCube, na Antártica, e o Super-Kamiokande, no Japão.
Próximas etapas com o detector KM3NeT
A infraestrutura continua em processo de instalação no fundo do mar para ampliar a rede de sensores. O projeto planeja também integrar os dados do KM3NeT/ARCA, módulo projetado para captar neutrinos astrofísicos com níveis energéticos mais elevados vindos de regiões remotas do cosmos.







