Byd e Geely disputam fábrica mexicana para driblar tarifas de Trump em veículos elétricosPor Maria
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As montadoras chinesas Byd e Geely apresentaram propostas para adquirir uma fábrica no México anteriormente operada por Nissan e Mercedes. A unidade tem capacidade anual de 230 mil veículos e representa uma estratégia para estabelecer produção local na América do Norte. Essa movimentação ocorre em resposta às tarifas impostas pela administração Trump sobre importações automotivas.
As tarifas de 25% sobre veículos fabricados no México e de até 100% sobre carros elétricos diretamente da China dificultam as exportações chinesas para os Estados Unidos. A aquisição da planta permitiria às empresas produzir localmente e reduzir barreiras comerciais. Fontes do setor indicam que as negociações avançam em meio a um cenário de reestruturação do mercado automotivo regional.
O México registrou queda nas exportações de veículos para os Estados Unidos em 2025, influenciada diretamente pelas medidas protecionistas. A possível entrada de investimentos chineses pode gerar empregos, mas também levanta debates sobre dependência externa.
Estratégia das montadoras chinesas
A Byd concentra esforços em expandir presença global por meio de produção fora da China. A empresa já opera unidades em outros países da América Latina e busca reforçar posição no segmento de veículos elétricos.
A Geely, por sua vez, adota abordagem semelhante ao investir em instalações estrangeiras. A marca controla outras linhas de produção internacional e vê no México uma porta de entrada para mercados norte-americanos.
- Produção local evita tarifas diretas sobre importações chinesas.
- Acesso facilitado ao mercado dos Estados Unidos via acordos comerciais regionais.
- Redução de custos logísticos em comparação com exportações asiáticas.
- Aproveitamento de mão de obra mexicana qualificada no setor automotivo.
Impacto das tarifas no setor mexicano
As medidas tarifárias anunciadas por Trump em 2025 afetaram diretamente a indústria automotiva do México. O país exportou cerca de 2,8 milhões de veículos para os Estados Unidos em anos anteriores, mas registrou recuo significativo após a imposição dos 25%.
A associação mexicana do setor relata declínio de quase 3% nas exportações no ano passado. Projeções indicam queda ainda maior em 2026 se as barreiras permanecerem inalteradas.
O México respondeu com tarifa de 50% sobre carros chineses importados. Essa medida visa proteger produção local, mas não impede investimentos diretos em fábricas.
Autoridades mexicanas avaliam as propostas da Byd e da Geely com cautela. O investimento chinês pode compensar perdas de empregos causadas pela saída de outras montadoras.

Contexto das barreiras comerciais
A administração Trump manteve e ampliou tarifas sobre veículos elétricos chineses para proteger indústria americana. As alíquotas chegam a 100% em importações diretas da China, limitando acesso de marcas como Byd ao mercado dos EUA.
Outros países ajustaram políticas semelhantes. O Canadá, por exemplo, reduziu tarifas para quota limitada de 49 mil veículos chineses por ano em acordo recente.
A União Europeia aplicou taxas adicionais sobre Evs chineses no ano passado. Essas barreiras globais incentivam montadoras a buscar produção regionalizada.
Detalhes da fábrica em disputa
A unidade localizada no México possui infraestrutura para 230 mil veículos por ano. Anteriormente gerida por parceria entre Nissan e Mercedes, a planta ficou ociosa após realocação de produções.
A capacidade instalada atrai interesse de múltiplos players. A Byd destaca expertise em baterias e motores elétricos para conversão rápida da linha.
A Geely traz experiência em plataformas modulares. A empresa pode adaptar a fábrica para modelos híbridos e elétricos de suas submarcas.
Negociações envolvem governo mexicano em discussões sobre incentivos fiscais. A decisão final depende de garantias de geração de empregos e transferência de tecnologia.
Movimentações recentes das empresas
A Byd registrou crescimento expressivo em mercados latino-americanos apesar das restrições. A montadora domina cerca de 70% das vendas de elétricos e híbridos plug-in no México.
A Geely aumentou vendas no país em mais de 237% em 2025. O desempenho reflete aceitação de modelos acessíveis equipados com tecnologia avançada.
Ambas as empresas enfrentam ações judiciais nos Estados Unidos questionando legalidade das tarifas. A Byd ingressou com processo alegando irregularidades na aplicação das alíquotas.
Perspectivas para o mercado norte-americano
A produção mexicana pode permitir exportações com tarifas reduzidas para os Estados Unidos. Analistas apontam que veículos montados localmente contornam parte das barreiras impostas à China.
O setor automotivo americano monitora desenvolvimentos com atenção. Montadoras tradicionais temem concorrência de modelos chineses mais baratos mesmo com ajustes de preço.
O México equilibra atração de investimentos estrangeiros com proteção da indústria nacional. A entrada de capital chinês representa oportunidade de recuperação após impactos tarifários.
A disputa pela fábrica sinaliza nova fase na expansão global das montadoras chinesas. As empresas adaptam estratégias para superar restrições comerciais e manter crescimento em veículos elétricos.
Dados do mercado de Evs
O segmento de veículos elétricos cresce em todo o mundo apesar das barreiras. A China responde pela maioria da produção global e busca mercados alternativos.
- Vendas mexicanas de modelos chineses atingiram 306 mil unidades em 2025.
- Participação de veículos eletrificados chegou a 9% do total no país.
- Quota canadense permite até 49 mil importações chinesas anualmente.
- Projeção de expansão para 70 mil unidades em cinco anos.
Esses números demonstram resiliência do setor chinês frente às tarifas. A relocação de produção aparece como solução viável a longo prazo.







