Observatório SPHEREx da NASA identifica moléculas orgânicas cruciais emanando do cometa 3I/ATLAS
O telescópio espacial SPHEREx da NASA realizou uma descoberta significativa, detectando a liberação de moléculas orgânicas fundamentais para processos biológicos a partir do cometa interestelar 3I/ATLAS. Esta observação ocorreu enquanto o raro visitante cósmico fazia sua aproximação mais próxima da Terra.
Os dados foram coletados em dezembro do ano passado, momento em que o cometa contornava o Sol, antes de iniciar sua jornada de retorno para fora do nosso sistema solar. A análise dessas emissões oferece uma janela única para a composição de objetos de outros sistemas estelares.
As moléculas identificadas incluem metanol, cianeto e metano, compostos que, embora sejam essenciais para a biologia terrestre, também podem ser formados por processos não biológicos no espaço. A pesquisa continua a aprofundar o entendimento sobre a química cósmica.
Identificação de moléculas orgânicas cruciais

As recentes observações do SPHEREx revelaram a presença e a liberação de metanol, cianeto e metano a partir do cometa 3I/ATLAS. Estes são os mesmos blocos construtores que desempenham papéis vitais em diversos processos biológicos conhecidos, incluindo a formação de proteínas e outras estruturas celulares complexas.
É importante ressaltar que a natureza “orgânica” dessas moléculas não implica automaticamente a existência de vida extraterrestre. A química orgânica é a base da vida, mas pode surgir e evoluir através de mecanismos astrofísicos naturais, como a interação de radiação com gelo e poeira em ambientes cósmicos frios.
A jornada do cometa 3I/ATLAS pelo sistema solar
O cometa interestelar 3I/ATLAS se destacou como uma “celebridade celestial” em 2025, sendo apenas o terceiro visitante de fora do nosso sistema solar já detectado. Sua trajetória peculiar e a aproximação da Terra em dezembro passado permitiram aos cientistas uma oportunidade ímpar para estudá-lo em detalhes.
Originário de um sistema estelar distante, o 3I/ATLAS viajou por vastas extensões do espaço interestelar antes de ser capturado momentaneamente pela gravidade solar. Sua rápida passagem e posterior afastamento enfatizam a raridade desses eventos para a astronomia.
Este corpo celeste, potencialmente um dos cometas mais antigos observados, despertou intensa especulação sobre suas origens, incluindo teorias que sugeriam tratar-se de uma espaçonave alienígena. No entanto, a comunidade astronômica mantém a confiança de que o 3I/ATLAS é um cometa natural, e as novas descobertas sobre sua composição orgânica reforçam essa visão, sem alterar as conclusões anteriores.
A capacidade de monitorar sua evolução em tempo real, desde sua abordagem até seu retorno ao espaço profundo, forneceu dados cruciais para compreender a dinâmica de objetos interestelares.
O fenômeno da sublimação cometária
A medida que cometas se aproximam de estrelas, o calor irradiado faz com que o gelo em suas superfícies sublime, transformando-se diretamente em gás. Esse processo é fundamental para a atividade cometária e permite que os pesquisadores investiguem a composição interna desses corpos celestes.
Os gases liberados podem formar jatos que emergem da superfície, envolver o núcleo do cometa em uma nuvem conhecida como coma e se estender para trás, formando a característica cauda. A análise espectroscópica desses gases é a chave para identificar os elementos e compostos presentes no cometa.
Observações e dados científicos recentes
Os pesquisadores do SPHEREx publicaram suas descobertas na edição de fevereiro da seção Research Notes da American Astronomical Society (AAS). Esta plataforma é destinada à divulgação de trabalhos em andamento e resultados preliminares, antes da revisão por pares.
Estudos anteriores sobre o 3I/ATLAS já haviam sugerido a erupção de “vulcões de gelo” em sua superfície e a sonda Europa Clipper da NASA também participou das observações, embora com um foco diferente, em sua busca por vida extraterrestre.
A erupção do cometa em dezembro de 2025, após sua passagem próxima ao Sol, resultou em um aumento significativo de seu brilho. Este evento intensificou a liberação de materiais, tornando a detecção dos componentes orgânicos pelo SPHEREx ainda mais notável.
Revelando a composição de outros sistemas
A análise da composição do cometa 3I/ATLAS oferece uma oportunidade sem precedentes para entender a química e os materiais disponíveis em outros sistemas estelares. Sendo um mensageiro de uma região cósmica desconhecida, seus elementos fornecem indícios sobre as condições de formação planetária fora da nossa vizinhança solar.
A detecção de blocos orgânicos fundamentais em um objeto interestelar expande nossa compreensão sobre a ubiquidade desses compostos no universo. Isso sugere que os ingredientes para a vida podem ser comuns em diferentes galáxias, embora as condições para o seu desenvolvimento permaneçam um desafio.
A contribuição do SPHEREx para a astrobiologia
A missão SPHEREx, com sua capacidade de realizar um levantamento espectroscópico de todo o céu em comprimentos de onda infravermelhos, desempenha um papel crucial na astrobiologia. Ao identificar a “impressão digital” de moléculas no espaço, o telescópio contribui para mapear a distribuição de água e moléculas orgânicas em diferentes ambientes cósmicos, essenciais para a busca por vida além da Terra.

















