Após décadas, tecnologia de DNA resolve mistério de adolescente grávida assassinada em 1975 em Waukegan
Uma adolescente grávida, cujo corpo foi descoberto sem identificação há mais de cinco décadas no estado de Iowa, foi finalmente reconhecida como uma jovem que residia em Waukegan, Illinois, graças a modernos testes de DNA. O avanço representa uma quebra no mistério que perdurava por gerações.
Os resultados foram anunciados nesta terça-feira pelo Projeto DNA Doe, uma organização especializada na identificação de pessoas desaparecidas através da genealogia genética. Em 11 de abril de 1975, um pescador encontrou os restos mortais de uma menina negra no Rio Mississippi, no Condado de Clinton, Iowa. Ela estava sem roupas, joias ou qualquer outro pertence que pudesse ajudar em sua identificação. Naquela época, os legistas estimaram sua idade entre 12 e 23 anos, e que ela havia sido baleada na cabeça meses antes.
A autópsia confirmou que a morte foi um homicídio e revelou que a jovem estava grávida de dez semanas no momento em que foi morta.
Por muito tempo, a vítima era conhecida apenas como Jane Clinton Doe. Durante as décadas que se seguiram à descoberta do corpo, sua identidade permaneceu desconhecida, e o responsável por seu assassinato nunca havia sido capturado. No ano passado, o caso foi encaminhado ao Projeto DNA Doe, que utiliza métodos avançados de genealogia genética para identificar vítimas sem nome. A aplicação dessa metodologia inovadora tem sido crucial para trazer respostas em casos considerados insolúveis.
Em outubro de 2025, um grupo de 16 genealogistas, oriundos de três países diferentes, dedicou um fim de semana inteiro para analisar as evidências e trabalhar na elucidação do caso.
Matthew Waterfield, membro da equipe do Projeto DNA Doe, compartilhou que “é provavelmente o trabalho mais gratificante em que já me envolvi”. Ele descreveu o processo como árduo e frequentemente demorado, exigindo grande esforço, mas ressaltou a paixão de todos os envolvidos pelo objetivo final de dar um nome às vítimas.
A organização informou que a equipe realizou uma descoberta significativa logo no início das investigações. Os genealogistas conseguiram identificar os avós da adolescente, que moravam na Louisiana e posteriormente se estabeleceram na região de Kenosha, em Wisconsin.
A partir dessas informações, eles conseguiram rastrear o filho mais velho do casal, que havia servido na Marinha dos Estados Unidos e residido em diversas localidades do país, antes de se fixar com a esposa e os filhos na década de 1970. Foi então que descobriram a existência de uma filha.

“Não tínhamos certeza se eles tinham uma filha. Então vimos que eles tiveram alguns filhos, e foi só quando encontramos um registro de nascimento na Califórnia com o nome de Cheryl Edwards que percebemos que provavelmente se tratava de uma filha da família que estávamos investigando, o que confirmamos”, explicou Waterfield. Ele acrescentou que, ao pesquisar sobre ela, não encontraram “absolutamente nenhuma prova de que ela estivesse viva depois de 1975”, o que para a equipe foi um forte indicativo de que ela poderia ser a Jane Doe.
A equipe então comunicou ao Departamento de Segurança Pública de Iowa a suspeita de que Jane Clinton Doe seria Cheryl Lynn Edwards, a filha desaparecida. Um investigador do Departamento de Segurança Pública conseguiu localizar e contatar um membro da família de Edwards, que confirmou seu desaparecimento há muito tempo.
Testes adicionais de DNA realizados confirmaram definitivamente que a vítima conhecida como Jane Clinton Doe era, de fato, Cheryl Lynn Edwards, conforme divulgado pelas autoridades.
O gabinete do xerife do Condado de Clinton informou que a família de Edwards a procurava desde o seu sumiço. As autoridades afirmaram que, com a identificação finalmente concluída, a investigação sobre o assassinato de Cheryl Edwards poderá ser retomada com novas perspectivas e focar na busca por justiça após tanto tempo.

















