Cientistas da NASA desvendam a idade do cometa 3I/ATLAS, o objeto mais antigo encontrado no sistema solar
Uma equipe de pesquisadores, liderada por Martin Cordiner, astroquímico e cientista planetário do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, anunciou esta semana uma descoberta crucial: o cometa interestelar 3I/ATLAS é o objeto mais antigo já identificado no sistema solar. Sua formação é estimada entre 10 e 12 bilhões de anos atrás, e sua composição química singular oferece novos insights sobre as condições existentes em sistemas planetários primordiais, conforme detalhado em um artigo recém-publicado na revista Nature.
Cordiner explicou que o 3I/ATLAS, com aproximadamente 2,6 quilômetros de diâmetro, é provavelmente a rocha espacial de maior idade que se sabe ter viajado pelo nosso sistema. Ele também ressaltou a raridade do objeto, sendo apenas o terceiro corpo interestelar a ser detectado nesta região espacial.
As evidências sugerem que o cometa se desenvolveu em um ambiente de frio extremo, com temperaturas em torno de -243 graus Celsius. Essa característica o diferencia significativamente das condições de formação da Terra e de outros planetas do nosso sistema, que surgiram há cerca de 4,5 bilhões de anos. “Nunca antes observamos um objeto como o 3I/ATLAS”, afirmou Cordiner.
As análises foram conduzidas utilizando o Telescópio Espacial James Webb, que permitiu aos cientistas investigar a proporção de isótopos. Estes são variações de elementos químicos como hidrogênio e carbono, e suas medições foram cruciais para entender a origem do cometa 3I/ATLAS.
Os isótopos de hidrogênio coletados forneceram informações essenciais sobre a radiação e a temperatura do ambiente onde o 3I/ATLAS tomou forma. Paralelamente, os isótopos de carbono serviram como indicadores sobre a composição da nuvem de gás interestelar que deu origem tanto ao cometa quanto ao seu sistema planetário original.

Um dos achados mais notáveis foi a presença de cerca de 30 vezes mais deutério, um isótopo do hidrogênio, na água do cometa em comparação com outros cometas do nosso sistema solar. As proporções de isótopos de carbono também apresentaram diferenças marcantes em relação às encontradas em objetos do nosso próprio sistema e em nuvens interestelares.
Para o cientista Martin Cordiner, a interpretação mais provável é que o 3I/ATLAS seja um fragmento remanescente do processo de formação planetária que ocorreu em torno de uma estrela diferente da nossa.
“Nossas observações realizadas com o Telescópio Espacial James Webb revelam que o ambiente de formação planetária do sistema de origem do 3I/ATLAS era notavelmente distinto do nosso próprio sistema solar”, detalhou Cordiner. Ele adicionou que “provavelmente era mais frio, com menor abundância de metais, e sujeito a uma radiação ultravioleta e cósmica mais intensa”.
Apesar das condições geladas e distantes de sua origem, o 3I/ATLAS surpreende por ser rico em moléculas orgânicas. Entre elas, estão compostos que contêm carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e enxofre. Cordiner enfatizou que essa descoberta “demonstra que, mesmo com uma origem fria e distante, os elementos voláteis essenciais para a vida como a conhecemos eram abundantes nesse distante disco de formação planetária”.
A análise da composição de carbono do 3I/ATLAS aponta para uma formação há aproximadamente 12 bilhões de anos, durante um período de intensa criação estelar em sua região. Considerando que o universo surgiu há cerca de 13,8 bilhões de anos com o Big Bang, a idade do 3I/ATLAS o coloca em um período em que o cosmos tinha apenas cerca de 13% de sua idade atual, oferecendo uma janela rara para o estudo das condições primordiais do universo.
Os pesquisadores especulam que o cometa se formou na Via Láctea, mas sua idade não exclui a possibilidade de uma origem em outra galáxia. Cordiner ponderou que, embora as distâncias intergalácticas sejam vastas, “um objeto interestelar veloz pode levar apenas um bilhão de anos para chegar aqui vindo de nossos vizinhos galácticos mais próximos, as Nuvens de Magalhães”.
A ejeção do 3I/ATLAS de seu sistema planetário original pode ter ocorrido devido a interações gravitacionais com outros planetas. No entanto, os cientistas também consideram a possibilidade de que o evento tenha sido resultado de algum tipo de colisão.
O cometa 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar detectado pela humanidade, seguindo o 1I/’Oumuamua, observado em 2017, e o 2I/Borisov, descoberto em 2019. Sua passagem continua a ser um fascinante objeto de estudo para cientistas e astrônomos ao redor do mundo.
Atualmente, a trajetória do 3I/ATLAS o leva em direção à órbita de Saturno. A expectativa é que ele ultrapasse a órbita de Plutão, o planeta anão, por volta de 2029, e comece a sair da fronteira externa do sistema solar por volta do ano de 2035.
Apesar de algumas especulações a respeito de uma natureza extraterrestre mais incomum, os pesquisadores mantêm a convicção de que o 3I/ATLAS é um objeto de origem natural. Cordiner afirmou que “bons cientistas estão sempre dispostos a atualizar seus conhecimentos, mas avaliamos as evidências para cada hipótese com grande rigor”. Ele concluiu dizendo que, “neste caso, as evidências foram claras desde o princípio de que estávamos observando um objeto similar a um cometa, e com o tempo essa interpretação foi confirmada por observações subsequentes”.

















