Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou 65 notificações de mortes suspeitas associadas ao uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras. Os casos ocorreram entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025. O sistema de farmacovigilância da agência recebeu 2.436 relatos de eventos adversos relacionados aos princípios ativos semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida no mesmo período. A Anvisa enfatiza que as notificações indicam suspeita, sem comprovação de relação causal direta com os medicamentos.

Esses fármacos são indicados principalmente para o tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns casos, para o controle de obesidade sob prescrição médica. A popularização para fins estéticos de perda de peso aumentou o volume de uso e, consequentemente, as notificações de reações adversas. A agência monitora continuamente os dados para avaliar o perfil de segurança dos produtos.

Atualização dos números de notificações

O balanço atual supera dados anteriores divulgados pela Anvisa no início de fevereiro de 2026, quando se mencionavam seis óbitos suspeitos ligados especificamente a pancreatite aguda. Agora, o total de 65 abrange complicações diversas reportadas ao sistema Vigimed. A maioria das vítimas notificadas é do sexo feminino. As marcas comerciais envolvidas incluem Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Saxenda, Trulicity e Victoza.

As notificações abrangem produtos originais, versões biossimilares e, em alguns casos, itens manipulados ou contrabandeados. Especialistas reforçam que o aumento reflete maior exposição ao medicamento, não necessariamente alteração no risco inerente.

GLP-1 canetas
GLP-1 canetas – Edugrafo/shutterstock.com

Principais princípios ativos monitorados

Os medicamentos analisados atuam como agonistas do receptor GLP-1, hormônio que regula glicose e saciedade. A semaglutida responde pela maior parte dos eventos adversos recentes, representando cerca de 69% nos últimos anos. A liraglutida e a tirzepatida contribuem com parcelas menores, em torno de 15% cada.

A dulaglutida também integra o grupo monitorado. As bulas aprovadas já descrevem riscos como pancreatite aguda, inclusive casos graves e fatais. O uso fora das indicações aprovadas eleva a probabilidade de eventos adversos.

  • Semaglutida: presente em Ozempic e Wegovy.
  • Tirzepatida: componente principal do Mounjaro.
  • Liraglutida: encontrada em Saxenda e Victoza.
  • Dulaglutida: comercializada como Trulicity.

Alertas emitidos pela agência reguladora

Em 9 de fevereiro de 2026, a Anvisa publicou alerta específico sobre risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido desses fármacos. O documento orienta suspensão imediata em caso de sintomas como dor abdominal intensa e busca por atendimento médico. A agência compara dados internacionais, como os do Reino Unido, que registraram 1.296 notificações de pancreatite, incluindo 19 óbitos, entre 2007 e outubro de 2025.

No Brasil, o foco permanece no acompanhamento profissional para evitar automedicação. Fabricantes como Novo Nordisk e Eli Lilly reiteram que os riscos constam nas bulas e recomendam uso exclusivo conforme prescrição.

Contexto do monitoramento de farmacovigilância

A Anvisa não investiga óbitos de forma isolada, mas analisa o conjunto de notificações para identificar padrões. O processo envolve avaliação clínica e científica detalhada, considerando fatores como comorbidades, uso concomitante de outros remédios e condições pré-existentes. O aumento nas notificações exige reforço nas orientações de segurança.

Pacientes devem relatar qualquer reação adversa ao sistema Vigimed ou ao profissional de saúde responsável. A agência mantém os registros dos medicamentos aprovados e proíbe comercialização irregular de lotes não autorizados.

Orientações para uso seguro dos medicamentos

O uso deve ocorrer exclusivamente sob orientação médica, com avaliação de benefícios e riscos individuais. Sintomas graves demandam interrupção imediata e notificação. A prescrição responsável contribui para minimizar complicações potenciais.

A Anvisa continua o monitoramento ativo e pode emitir novas atualizações conforme novos dados surgem.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Destaques

    Apagão atinge Regional de Mafra e deixa cerca de 600 sem luz

  2. Ciência

    Tempestade solar na Terra: NOAA calcula 35% de chance de apagões de rádio e monitora satélites

  3. Mundo

    Ataque em Cracóvia: homem dispara de carro contra pessoas na praça central e mata cinco na Pôlonia

  4. Destaques

    Desabamento no Brás: prédio de quatro andares cai com cerca de 20 pessoas na Rua Maria Joaquina em São Paulo

  5. Destaques

    Pai de Meghan Markle preso na Flórida: agentes federais detêm Thomas Markle em investigação sobre abuso infantil

  6. Destaques

    Servidora pública esfaqueia mulher em festa de Halloween; polícia investiga tentativa de homicídio

  7. Internet

    Falha em sistema bancário no Japão atinge 128 instituições e operadora descarta ataque cibernético

  8. Destaques

    Botnet TV box: polícia e gigantes de tecnologia derrubam rede de 1,3 milhão de aparelhos adulterados

  9. Destaques

    Jogador Bismarck é morto em Natal após ataque no Beco da Lama: meia conquistou títulos no Piauí

  10. Destaques

    Polícia descarta investigar por homicídio namorado de jovem que caiu do 7º andar

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.