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A Ucrânia protesta contra retorno da Rússia à Bienal de Veneza em 2026

Bienal de Veneza
Foto: Bienal de Veneza - ColorMaker/ Shutterstock.com
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A Ucrânia manifestou indignação oficial contra a decisão dos organizadores da 61ª Bienal de Arte de Veneza de permitir a participação da Rússia. Os ministérios das Relações Exteriores e da Cultura de Kiev emitiram comunicado conjunto pedindo a reversão da medida. A Rússia retorna ao evento pela primeira vez desde 2019, após ausência nas edições de 2022 e 2024 motivada pela invasão em larga escala da Ucrânia iniciada em fevereiro de 2022.

Os ministros Andrii Sybiha (Relações Exteriores) e Tetyana Berezhna (Cultura) destacaram que a Bienal condenou a agressão russa em 2022 e defendeu a paz e o diálogo. Eles argumentam que autorizar a presença russa agora envia sinal perigoso de normalização da agressão e tolerância a crimes de guerra. A declaração reforça que eventos culturais internacionais devem preservar neutralidade e evitar politização.

O pavilhão russo apresentará o projeto “Árvore enraizada no céu”, com participação de mais de 40 músicos, artistas, filósofos e poetas. Mikhail Shvydkoi, representante especial do presidente russo para cooperação cultural internacional, afirmou que a iniciativa enfatiza a temporalidade da política em contraste com a eternidade da comunicação cultural.

Reações oficiais da Ucrânia

Os ministérios ucranianos apelaram diretamente aos organizadores para reconsiderarem a decisão. Eles lembraram a posição firme adotada pela Bienal nas edições anteriores.

A Ucrânia considera inaceitável a participação russa enquanto a guerra continua. O comunicado classifica a medida como apoio implícito à agressão.

Posição dos organizadores da Bienal

A Fundação La Biennale di Venezia incluiu a Rússia entre os 99 participantes nacionais confirmados. O evento ocorre de 9 de maio a 22 de novembro de 2026, nos Giardini e Arsenale, além de locais espalhados pela cidade.

Os organizadores rejeitam exclusão ou censura de cultura e arte. Eles afirmam seguir regulamentos aplicados igualmente a todos os países, inclusive aqueles em conflitos.

Declaração russa sobre o projeto

Mikhail Shvydkoi confirmou que a Rússia nunca deixou efetivamente a Bienal. Ele destacou a presença do pavilhão como prova de que a cultura russa não está isolada.

O projeto envolve performances sonoras e busca diálogo entre o visível e o invisível. Inspirado na filósofa francesa Simone Weil, explora paradoxos entre fontes de significado e sua manifestação.

Ausência anterior e contexto histórico

A Rússia esteve ausente em 2022 após artistas e curador retirarem-se em protesto à invasão. Em 2024, o pavilhão foi cedido à Bolívia.

A Bienal manteve o pavilhão russo fechado nessas edições, alinhando-se a condenações internacionais iniciais. A retomada ocorre no quinto ano do conflito em curso.

Governo italiano se posiciona

O Ministério da Cultura italiano esclareceu que a decisão cabe exclusivamente aos organizadores da Bienal. A pasta optou por não intervir na controvérsia.

Autoridades italianas enfatizaram independência da instituição cultural. Elas reconhecem a oposição manifestada por Kiev e outros setores.

O projeto russo busca estabelecer espaço de troca cultural apesar das tensões geopolíticas atuais. A participação inclui artistas de diversas origens.

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