O índice Nikkei registra terceira maior queda da história com tensões prolongadas no Irã e alta do petróleoPor Bruna
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O índice Nikkei 225 fechou em forte baixa nesta segunda-feira, 9 de março, marcando a terceira maior queda em pontos da história da bolsa de Tóquio. O principal indicador da Bolsa de Valores do Japão encerrou o pregão a 52.728,72 ienes, com recuo de 2.892,12 ienes, equivalente a 5,20%. A aversão ao risco se intensificou globalmente após a nomeação de Mojtaba Khamenei como novo Líder Supremo do Irã, o que ampliou as preocupações com a continuidade do conflito na região. Investidores reagiram à alta súbita dos preços do petróleo, que superaram US$ 100 por barril, pressionando economias dependentes de importações energéticas.
Durante a sessão, o índice abriu em queda de 1.012 ienes e aprofundou as perdas ao longo da manhã, rompendo sucessivamente as barreiras psicológicas de 54.000, 53.000 e 52.000 ienes. A mínima intradiária atingiu 51.407,66 ienes, representando uma desvalorização momentânea de 4.213 ienes em relação ao fechamento anterior. A recuperação parcial ocorreu na parte da tarde, com o mercado aliviado por sinais de que os preços do petróleo estabilizavam após anúncio de reunião dos ministros das finanças do G7 para discutir a liberação coordenada de reservas emergenciais de petróleo pela Agência Internacional de Energia.
Reações do mercado à sucessão no Irã
A nomeação de Mojtaba Khamenei, filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, como Líder Supremo foi confirmada pela Assembleia dos Peritos no Irã. A decisão reforçou a percepção de que os setores mais linha-dura mantêm o controle no país, reduzindo expectativas de moderação nas tensões regionais. Analistas destacaram que o movimento ampliou temores de prolongamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, agora no décimo dia.
O aumento dos preços do petróleo reacendeu alertas sobre estagflação, com estagnação econômica combinada a inflação elevada. A súbita elevação do barril para patamares acima de US$ 100 pressionou setores sensíveis a custos energéticos, como manufatura e transporte.
Setores e ações mais impactados na sessão
Todos os 33 setores listados na Bolsa de Valores de Tóquio fecharam no vermelho. Os maiores recuos ocorreram em metais não ferrosos, produtos de vidro e pedra, máquinas, equipamentos elétricos, eletricidade e gás, além de títulos. Empresas de semicondutores e tecnologia lideraram as perdas entre as ações de maior peso.
Ações da SoftBank Group caíram mais de 11%, enquanto Tokyo Electron recuou acima de 9%. Advantest e outras companhias do segmento de semicondutores perderam mais de 6%, contribuindo significativamente para o arraste do índice. Relatos sobre cancelamento de expansão de centro de dados de IA no Texas por empresa do setor agravaram o movimento em fios elétricos e componentes relacionados, com Fujikura e Oracle registrando quedas próximas de 10%.
Recuperação parcial e ações em alta
Apesar da pressão dominante, algumas ações conseguiram avançar. ROHM subiu mais de 7%, beneficiada por posicionamento em nichos menos expostos à volatilidade energética. Zozo registrou ganho superior a 2%, refletindo resiliência em setores de consumo seletivo.
O índice TOPIX fechou a 3.575,84 pontos, com baixa de 3,8%. O Prime Market recuou 3,81%, para 1.842,67 pontos, com volume negociado de 96.756 bilhões de ienes. No mercado de crescimento, o TSE Growth Market 250 caiu 3,59%, para 743,09 pontos.
Perspectiva dos analistas sobre os desdobramentos
Estrategistas observaram que o mercado oscilou em torno dos níveis de fechamento da manhã antes de reduzir perdas. A pausa na alta do petróleo, impulsionada pela coordenação do G7 e da AIE para liberação de reservas, ofereceu suporte temporário. Os movimentos futuros dependerão das respostas de Estados Unidos e Israel à nova liderança iraniana, além da trajetória dos preços de energia.
O volume de ações negociadas na bolsa de Tóquio atingiu 368.477 milhões de unidades. Das ações listadas no Prime Market, apenas 8% subiram, enquanto 89% caíram e 1% ficaram estáveis.
O índice Nikkei agora acumula perdas expressivas desde o pico recente, com o conflito no Oriente Médio e a escalada energética pesando sobre a confiança dos investidores. A sessão registrou alta volatilidade, com circuit breakers acionados em mercados vizinhos como o da Coreia do Sul.







