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Os futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) abriram a semana com fortes altas na noite de domingo (8), reagindo à escalada dos preços do petróleo, que superaram a marca dos US$ 100 por barril tanto no contrato Brent quanto no WTI. As operações eletrônicas recomeçaram às 21h (horário de Brasília) e, em poucos minutos, os principais vencimentos do grão acumularam ganhos entre 10,50 e 17,50 pontos. O contrato maio alcançou US$ 12,18 por bushel, enquanto o julho chegou a US$ 12,30 por bushel. Esse movimento reflete o impacto direto da alta energética sobre os derivados da soja, especialmente o óleo, que registrou avanços ainda mais intensos.

O óleo de soja liderou os ganhos no complexo, com o contrato maio subindo mais de 3,5% e cotado a 68,91 cents de dólar por libra-peso por volta das 21h40. Analistas destacam que o óleo atua como principal vetor de suporte para o grão nesse cenário, já que o petróleo influencia diretamente os custos de produção de biocombustíveis e óleos vegetais alternativos. O trigo também seguiu a tendência positiva, com posições mais negociadas avançando mais de 2% e alcançando US$ 6,30 por bushel.

Escalada de conflitos impulsiona mercado de energia

A valorização acelerada do petróleo decorre da intensificação dos conflitos no Oriente Médio, que comprometeram a oferta global. O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz reduziu drasticamente o fluxo de exportações da região, afetando produtores como Iraque, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Membros da OPEP enfrentam restrições logísticas, com produção em colapso em alguns campos do sul do Iraque, onde o volume caiu cerca de 70% para 1,3 milhão de barris por dia. Exportações iraquianas despencaram para média de 800 mil barris diários, limitadas pela impossibilidade de trânsito livre de navios-tanque.

Países do Golfo anunciaram cortes preventivos na produção para evitar acúmulo de estoques sem escoamento possível. Analistas internacionais apontam que o caos logístico e as decisões de redução de oferta por parte de grandes produtores mantêm o mercado em volatilidade elevada.

Óleo de soja ganha destaque no complexo

O avanço do óleo de soja supera o do grão em intensidade, beneficiado pela correlação direta com os preços da energia. Esse derivado é componente essencial no biodiesel, e a alta do petróleo torna alternativas vegetais mais competitivas em custo.

Contratos de óleo registraram as maiores variações percentuais na sessão noturna, puxando o complexo soja para cima. O movimento reforça a percepção de que o mercado de energia dita o ritmo das commodities agrícolas ligadas a insumos energéticos.

Trigo também reage à tensão geopolítica

O trigo acompanhou os ganhos, impulsionado por preocupações com alinhamentos regionais que afetam exportadores globais. A aproximação entre Rússia e Irã adiciona incerteza ao suprimento futuro do grão.

Posições na CBOT para trigo subiram consistentemente, refletindo temores de interrupções em rotas comerciais sensíveis. O contrato mais ativo cotado a US$ 6,30 por bushel demonstra a propagação do risco geopolítico para outros cereais.

Atenção voltada para negociações China-EUA

O mercado monitora o encontro entre autoridades comerciais da China e dos Estados Unidos ainda neste mês, além da reunião prevista para abril entre líderes dos dois países. O posicionamento americano no conflito do Oriente Médio ganha atenção especial de Pequim, principal compradora de soja global.

Essas discussões podem influenciar fluxos comerciais agrícolas, mas o foco imediato permanece na dinâmica energética que sustenta as altas atuais. O complexo soja mantém tendência positiva enquanto persistir a pressão sobre o petróleo.

Repercussão nos mercados agrícolas globais

A reação em cadeia atinge outros grãos, com o milho também sensível à alta energética por custos de transporte e produção. A soja, no entanto, destaca-se pela força do óleo como elo principal.

Investidores ajustam posições com base na evolução do conflito, que continua a reduzir a oferta disponível no mercado internacional de energia. A volatilidade deve se manter elevada nos próximos dias.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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