Previsão Goldman Sachs: petróleo Brent a US$ 85 em 2026 com bloqueio no Estreito

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Goldman Sachs e dólar Foto: Goldman Sachs e dólar - Sergio Photone / Shutterstock.com

O Goldman Sachs atualizou sua projeção para o preço médio do barril de petróleo em 2026, elevando o Brent para US$ 85 e o WTI para US$ 79. A revisão representa um aumento de US$ 8 no Brent e US$ 7 no WTI em relação às estimativas anteriores. A mudança ocorre em meio à interrupção significativa no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, que responde por cerca de 20% do suprimento global. Os analistas apontam que a perda de oferta pode alcançar pico de 17 milhões de barris por dia durante o período de maior tensão.

Os preços atuais do petróleo registram alta expressiva. O Brent é negociado próximo a US$ 112,69 por barril, enquanto o WTI atinge US$ 99,60 por barril. Ambas as referências subiram em comparação ao fechamento anterior. A escalada reflete a proximidade do prazo de 48 horas dado pelo presidente Donald Trump à liderança iraniana para reabertura do estreito.

Trump publicou o ultimato no sábado via TruthSocial. Ele exigiu a reabertura total do Estreito de Ormuz sob ameaça de destruição das usinas de energia iranianas pelas forças americanas. O Irã respondeu afirmando que atacaria infraestrutura de energia e dessalinização de aliados dos EUA no Golfo Pérsico e em Israel caso as usinas sejam atingidas.

Previsão revisada do Goldman Sachs

Os analistas do banco projetam que a interrupção no tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz dure cerca de seis semanas. Após esse período, os embarques de petróleo bruto do Golfo devem se recuperar gradualmente em um mês. Essa perspectiva leva a uma pressão baixista nos preços ao longo do tempo.

A nota destaca que nem todos os observadores compartilham o otimismo quanto à duração curta da crise. Alguns analistas indicam que a interrupção pode se estender por meses, mesmo com o fim dos bombardeios. O fechamento efetivo do estreito seguiu aos ataques conjuntos dos EUA e Israel contra a liderança iraniana.

Barris de petróleo verdes
Barris de petróleo verdes – noomcpk/shutterstock.com

Impacto no suprimento global

O Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado desde o início do conflito. Isso interrompe quase completamente o fluxo de 20% do petróleo mundial. Produtores do Golfo enfrentam limitações de armazenamento, o que força reduções na produção.

A equipe de commodities do Goldman Sachs descreve o evento como o maior choque de oferta na história do mercado de petróleo. A alta concentração de produção e capacidade ociosa no Oriente Médio aumenta a vulnerabilidade da infraestrutura energética global.

Os analistas enfatizam os riscos estruturais revelados pela crise. A dependência de rotas específicas e a concentração geográfica de recursos expõem os mercados a disrupções prolongadas.

Reações no mercado e perspectivas

Os preços do petróleo mantêm volatilidade elevada. O Brent registrou picos acima de US$ 100 em março, com média projetada acima desse patamar no mês. Em abril, a expectativa é de US$ 85 por barril, à medida que rotas alternativas começam a ser utilizadas.

O Goldman Sachs considera cenários de risco. Uma interrupção de dois meses elevaria a média do Brent no quarto trimestre para US$ 93 por barril. A base case aponta para declínio gradual para a faixa dos US$ 70 mais adiante no ano.

Fatores de recuperação projetados

A recuperação gradual depende da reabertura progressiva do estreito. Navios petroleiros enfrentam restrições de passagem, mas alguns já navegam com segurança em rotas alternativas. Países dependentes do suprimento buscam canais diplomáticos para garantir tráfego.

O banco projeta estabilidade nos preços em torno de US$ 80 para Brent e US$ 75 para WTI em 2027. O efeito da resposta de oferta e demanda equilibra a reconstrução de reservas estratégicas.

A crise reforça a necessidade de diversificação de rotas e fontes de energia. Mercados monitoram negociações e movimentos militares para avaliar a duração da disrupção.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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