Telescópio Gemini Norte registra dança gravitacional das galáxias NGC 5394 e NGC 5395Por Beatriz
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O Telescópio Gemini Norte, localizado no topo do Maunakea no Havaí, produziu uma imagem detalhada do par de galáxias NGC 5394 e NGC 5395. Essas duas galáxias espirais em interação gravitacional aparecem na constelação de Cães de Caça, a aproximadamente 160 milhões de anos-luz da Terra. A captura revela distorções causadas pela aproximação entre os dois objetos e destaca regiões de intensa formação estelar.
Astrônomos identificaram o par como Arp 84 no Atlas de Galáxias Peculiares compilado por Halton Arp em 1966. A galáxia maior, NGC 5395, forma uma estrutura que lembra o corpo de uma garça, enquanto a menor, NGC 5394, estende-se como cabeça e bico. Uma galáxia distante com formato alongado surge próxima à extremidade do bico, completando a cena visual.
- NGC 5395 classifica-se como galáxia ativa do tipo Seyfert II com possível buraco negro supermassivo no centro.
- NGC 5394 apresenta características de galáxia com alta taxa de formação estelar, do tipo HII.
- A interação já ocorreu ao menos uma vez no passado, segundo análises de dados.
Detalhes da imagem capturada pelo Gemini Norte
O observatório registrou a cena com o Gemini Multi-Object Spectrograph em modo de imagem. A composição em quatro cores exigiu exposição total de 42 minutos. Pontos vermelhos em forma de anel correspondem a regiões HII, onde o hidrogênio ionizado emite luz avermelhada devido à radiação de estrelas jovens e quentes.
Essas regiões surgem da turbulência gerada pela interação gravitacional. O gás hidrogênio concentra-se em áreas específicas e desencadeia bursts estelares. A imagem demonstra como colisões entre galáxias alteram a distribuição de gás e poeira no interior de cada objeto.
NGC 5395 (left) is a striking spiral galaxy 160 million light-years away in Canes Venatici. Its warped form and off-center ring are caused by a dramatic encounter with its smaller neighbour, NGC 5394.
— World and Science (@WorldAndScience) November 25, 2025
(Credit: International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA) pic.twitter.com/Un8awDFg6U
Processo de formação estelar impulsionado pela interação
A aproximação entre NGC 5394 e NGC 5395 distorce as estruturas espirais e modifica o movimento interno do material. Essa dinâmica atrai nuvens de gás para regiões centrais e cria condições favoráveis ao colapso que origina novas estrelas. Regiões HII aparecem espalhadas, marcando os chamados berços estelares onde a atividade é mais intensa.
Em 2020, astrônomos detectaram a supernova do tipo Ib SN 2020aaxs na NGC 5394. O evento representa o colapso final de uma estrela massiva formada durante o processo de interação. A supernova confirma que as colisões galácticas aceleram o ciclo de nascimento e morte estelar.
A galáxia NGC 5394 exibe ventos galácticos multifásicos impulsionados pelo starburst, com gás neutro e ionizado fluindo para fora do centro. Estudos indicam que parte desse material pode escapar da gravidade da galáxia, enriquecendo o meio intergaláctico.
Características peculiares do par conhecido como Galáxia da Garça
Astrônomos descobriram NGC 5394 e NGC 5395 em 1787 pelo observador William Herschel. O apelido Galáxia da Garça surgiu devido ao formato geral do par, com a maior galáxia representando o corpo e a menor o bico. A imagem do Gemini Norte reforça essa analogia visual e permite observar detalhes finos das caudas de maré.
A NGC 5395 possui diâmetro aproximado de 140 mil anos-luz, enquanto a companheira menor apresenta estrutura mais compacta e alta taxa de formação estelar. Ambas giram lentamente uma em torno da outra, em um processo que pode durar milhões de anos até a fusão completa.
Observações que revelam evolução galáctica
A turbulência causada pela interação não destrói apenas estruturas antigas, mas também cria novas. Estrelas jovens surgem em ritmos elevados e iluminam o gás ao redor, produzindo os pontos avermelhados visíveis na imagem. Essa atividade enriquece o universo com elementos pesados formados no interior das estrelas.
O par demonstra que galáxias não permanecem isoladas ou estáticas ao longo do tempo. Movimentos gravitacionais constantes moldam sua aparência e influenciam o ritmo de formação estelar. Dados do Gemini Norte contribuem para modelos que explicam como interações semelhantes ocorreram em épocas anteriores do universo.
Importância científica da captura
A imagem permite medir velocidades e distribuições de material dentro das galáxias. Espectroscopia adicional revela composição química e movimentos internos precisos. Esses dados ajudam a entender mecanismos que regulam o crescimento de galáxias em todo o cosmos.
Astrônomos continuam a monitorar o par para acompanhar mudanças futuras na estrutura. A supernova observada em 2020 serve como marcador temporal da atividade recente desencadeada pela colisão. Estudos futuros com novos instrumentos podem mapear fluxos de gás em maior detalhe.
Aspectos visuais e técnicos da observação
A foto mostra NGC 5395 à esquerda e NGC 5394 à direita na orientação tradicional. Braços espirais distorcidos estendem-se entre as duas galáxias, formando pontes de material. Regiões de formação estelar aparecem como pontos brilhantes ao longo de anéis e caudas.
O Telescópio Gemini Norte, com seu espelho de 8 metros, oferece resolução elevada para capturar detalhes finos mesmo a distâncias cosmológicas. A observação combina filtros que destacam emissões específicas de hidrogênio ionizado e estrelas jovens.
A interação gravitacional entre NGC 5394 e NGC 5395 continua a moldar as duas galáxias. Imagens como a produzida pelo Gemini Norte registram um momento dessa evolução lenta e fornecem evidências diretas dos processos que constroem e transformam estruturas no universo.







