Saúde

Nova variante Cicada da Covid com 75 mutações se espalha por 23 países

Coronavírus bactéria, covid 19
Foto: Coronavírus bactéria, covid 19 - H_Ko/ Shutterstock.com

Uma nova variante da Covid-19, denominada BA.3.2 e apelidada de Cicada, foi identificada inicialmente na África do Sul em novembro de 2024 e já se espalhou para pelo menos 23 países. Essa cepa apresenta aproximadamente 75 mutações na proteína spike, o que representa cerca de o dobro em relação a variantes anteriores como a JN.1. Especialistas acompanham o avanço porque as alterações genéticas podem influenciar a transmissibilidade e a capacidade de contornar parcialmente a imunidade de infecções prévias ou das vacinas atuais.

As detecções da variante aumentaram a partir de setembro de 2025, com picos observados em dezembro do mesmo ano. No período entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, a BA.3.2 chegou a representar cerca de 30% das sequências genéticas reportadas em países como Dinamarca, Alemanha e Países Baixos, embora sem elevar substancialmente o total de casos de Covid na região.

  • A variante foi detectada em amostras clínicas e de águas residuais em múltiplos locais.
  • Monitoramento genômico internacional confirma introduções independentes em diferentes regiões.
  • Até fevereiro de 2026, registros incluíam 23 nações em continentes como África, Ásia, Europa, América do Norte e Oceania.

Características genéticas da variante Cicada

A BA.3.2 faz parte da linhagem Ômicron, mas se destaca por ser geneticamente divergente das cepas dominantes recentes. Em comparação com a LP.8.1, utilizada na formulação das vacinas de 2025-2026, ela apresenta diferenças significativas no domínio de ligação ao receptor e no domínio N-terminal da proteína spike. Essas mudanças incluem deleções e uma inserção de quatro aminoácidos, o que contribui para o perfil de mutações elevado.

Estudos indicam que a resposta imune gerada pelas vacinas atuais contra essa variante tende a ser mais fraca quando comparada a outras cepas em circulação. No entanto, especialistas destacam que ainda existe alguma proteção cruzada, especialmente contra formas graves da doença. A comunidade científica monitora de perto para avaliar possíveis impactos na eficácia vacinal ao longo do tempo.

Monitoramento em diferentes países

As primeiras sequências da BA.3.2 foram obtidas em uma amostra respiratória na África do Sul. Posteriormente, a variante apareceu em Moçambique, Países Baixos e Alemanha ainda em 2025. O aumento gradual de detecções ocorreu sem que houvesse sinais imediatos de maior gravidade clínica na maioria dos casos reportados.

Nos Estados Unidos, a vigilância detectou a variante em amostras de viajantes, em pacientes clínicos e, principalmente, em análises de águas residuais de 25 estados. As introduções parecem ter ocorrido de forma múltipla, conforme análise filogenética das sequências disponíveis. Até o momento, não há indicação de que a Cicada cause doença mais grave ou exija maior taxa de hospitalizações em relação às variantes anteriores.

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Avaliação de especialistas sobre a gravidade

Médicos e pesquisadores da área de doenças infecciosas afirmam que o sistema imunológico das pessoas ainda oferece alguma defesa contra variantes altamente mutadas como essa. Até agora, não foram observados sinais claros de aumento significativo em hospitalizações ou casos graves associados exclusivamente à BA.3.2.

A vigilância genômica continua ativa em vários países para rastrear a evolução do vírus. Autoridades de saúde reforçam a importância de manter as medidas preventivas atualizadas, incluindo vacinação conforme recomendação dos calendários locais, mesmo que a variante atual não represente uma emergência sanitária global.

Situação atual da detecção global

A variante Cicada foi detectada em viajantes internacionais e em sistemas de esgoto de diversas localidades, o que auxilia no monitoramento precoce. Em alguns países europeus, a proporção de sequências positivas subiu de forma notável em curto período, mas o impacto geral sobre o número total de infecções permaneceu dentro dos padrões sazonais observados em anos recentes.

Atualizações de vigilância

Especialistas continuam a analisar dados de sequenciamento para entender melhor o comportamento da BA.3.2 em populações com diferentes níveis de imunidade prévia. O foco permanece na detecção precoce e no compartilhamento de informações entre redes internacionais de vigilância.

A variante BA.3.2, conhecida como Cicada, representa mais um exemplo da evolução contínua do SARS-CoV-2, com as autoridades de saúde mantendo o acompanhamento rotineiro sem alterações drásticas nas recomendações gerais de prevenção até o momento.