Cessar-fogo EUA-Irã enfrenta violações com bombardeios israelenses no Líbano em 9 de abril

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Bombardeio de Israel a Líbano Foto: Bombardeio de Israel a Líbano - Reprodução/Tv Globo

Os ataques israelenses no Líbano continuaram nesta quinta-feira, 9 de abril de 2026, apesar do cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos e Irã. Autoridades libanesas registraram mais de 300 mortos apenas nos bombardeios do dia anterior. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu confirmou o início de conversas diretas com o governo do Líbano para o desarmamento do Hezbollah, com reuniões marcadas para a próxima semana em Washington.

Essas ações ocorrem em um momento de fragilidade da trégua mediada pelo Paquistão. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian denunciou as operações como violação do acordo e alertou que o Irã mantém capacidade de resposta. O Estreito de Ormuz voltou a ter restrições impostas por Teerã, com limitação de passagem de embarcações e divulgação de mapas de rotas alternativas com presença de minas.

Ataques em Beirute elevam número de vítimas

As forças israelenses intensificaram os bombardeios em áreas do sul de Beirute e em outros distritos libaneses na quarta-feira, 8 de abril. O Ministério da Saúde do Líbano atualizou o balanço para 303 mortos somente nesses ataques recentes.

Evacuações foram ordenadas em bairros como Haret Hreik e Gubeiri, onde moradores deixaram residências sob orientação das autoridades. O total de óbitos no conflito no Líbano desde o início de março chegou a 1.888, com mais de 6 mil feridos reportados.

O governo libanês apresentou queixa urgente ao Conselho de Segurança da ONU contra os bombardeios. Representantes libaneses reforçaram o pedido de proteção às forças de paz da Unifil presentes na região.

Netanyahu confirma negociações diretas

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou conversas diretas com autoridades libanesas para o desarmamento completo do Hezbollah. As reuniões iniciais estão previstas para ocorrer no Departamento de Estado dos Estados Unidos, com participação de enviados israelenses e libaneses.

Netanyahu enfatizou que os ataques contra alvos do Hezbollah prosseguiriam mesmo durante o processo de diálogo. Ele instruiu a equipe negociadora a priorizar a segurança das fronteiras israelenses.

As conversas representam o primeiro contato direto entre Israel e o governo do Líbano em anos. O cessar-fogo com o Irã não inclui explicitamente o Líbano, segundo interpretação israelense.

Reações iranianas e restrições no Estreito de Ormuz

O Irã limitou a passagem diária no Estreito de Ormuz a cerca de 15 embarcações. A Guarda Revolucionária publicou mapas indicando presença de minas em rotas alternativas usadas por navios comerciais.

O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que as negociações perdem sentido enquanto ocorrem violações em território libanês. Autoridades iranianas ameaçaram respostas contundentes caso os bombardeios israelenses não cessem.

O fechamento parcial da via marítima afeta o fluxo global de petróleo. Representantes de países do Golfo, como os Emirados Árabes, pediram a reabertura imediata e sem condições da rota estratégica.

Posição dos Estados Unidos e da OTAN

O presidente Donald Trump declarou que tropas, navios e aeronaves americanas permanecerão posicionados na região até a conclusão de um acordo definitivo. Ele criticou a posição da OTAN e exigiu compromissos concretos para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, abriu possibilidade de colaboração aliada para a reabertura da via marítima. Rutte se reuniu com Trump e defendeu que os aliados respondam a solicitações dos Estados Unidos.

Trump ainda ameaçou uma ofensiva mais intensa caso o acordo com o Irã não avance. Ele instou Netanyahu a moderar os bombardeios em certas áreas, mas manteve apoio às ações contra o Hezbollah.

Contexto do cessar-fogo frágil

O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã foi anunciado na terça-feira, 7 de abril, com duração inicial de 15 dias. O acordo previa pausa em ataques ao território iraniano em troca da reabertura do Estreito de Ormuz.

Divergências surgiram imediatamente sobre a inclusão do Líbano no acordo. Israel afirmou que o cessar-fogo não impede operações contra o Hezbollah. O Irã considera os ataques libaneses como violação indireta da trégua.

Negociações indiretas mediadas pelo Paquistão continuam agendadas para os próximos dias. Mais de 60 países manifestaram preocupação na ONU com a escalada no Líbano.

  • Israel bombardeou múltiplos alvos em Beirute e sul do Líbano em 8 de abril
  • Hezbollah respondeu com cerca de 30 lançamentos de mísseis e drones contra localidades no norte de Israel
  • Baixas no Irã desde fevereiro superam 3 mil mortos, segundo organizações de direitos humanos
  • Países europeus como Espanha e Alemanha defenderam reabertura de canais diplomáticos com Teerã

Declarações internacionais sobre a escalada

A União Europeia condenou os bombardeios israelenses no Líbano como desproporcionais. A alta representante Kaja Kallas pediu extensão do cessar-fogo para incluir explicitamente o território libanês.

A Alemanha, por meio do líder Friedrich Merz, alertou para riscos ao processo de paz caso as ações continuem. A Espanha anunciou a reabertura de sua embaixada em Teerã como gesto pela diplomacia.

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional rejeitou qualquer imposição de pedágios ou restrições unilaterais no Estreito de Ormuz. Autoridades libanesas reforçaram o controle de segurança em Beirute após os ataques.

O conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026 entre Estados Unidos, Israel e Irã entra em uma fase de incerteza. Os bombardeios no Líbano testam a durabilidade da trégua anunciada e mantêm tensão elevada na região do Oriente Médio.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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