Salão automotivo de Pequim destaca direção autônoma e robotaxis

Salão do Automóvel

Salão do Automóvel - Foto: VanderWolf Images / Shutterstock.com

O salão automotivo de Pequim abriu as portas nesta sexta-feira com foco claro em tecnologias de direção inteligente. O evento ocupa 380 mil metros quadrados na periferia da capital chinesa e reúne centenas de fabricantes, mais de mil veículos e centenas de milhares de visitantes. Poucos carros exibidos tinham alguém ao volante. As montadoras locais investem pesado em software e potência de computação para tornar a condução “sem mãos” uma realidade prática.

As vendas domésticas de veículos de passageiros caíram 17% nos primeiros três meses do ano após o fim de um programa de subsídios. A BYD, líder no segmento de elétricos, registrou sete meses seguidos de queda nas vendas. Diante da concorrência feroz no mercado interno, as empresas chinesas voltam atenção para a direção autônoma como forma de diferenciar produtos e gerar receita adicional por meio de serviços de software.

Evento reúne mais de mil veículos em área ampla

A Auto China 2026, que segue até 3 de maio, serve de palco para demonstrações de sistemas avançados de assistência ao motorista. Fabricantes exibem desde estacionamento por comando de voz até ajustes automáticos de iluminação e música conforme o humor detectado do condutor. O espaço amplo permite que o público teste de perto as novidades em mobilidade inteligente.

  • Várias marcas apresentaram veículos elétricos com recursos de inteligência artificial integrados
  • Demonstrações incluíram comandos naturais como “estacione perto da entrada do shopping”
  • Sistemas também detectam sinais de estresse e adaptam o ambiente interno do carro

Montadoras como Great Wall Motors levaram o Haval Raptor Plus, enquanto Hyundai mostrou o Ioniq V e a Cadillac exibiu um modelo elétrico. O ambiente reforça a transição do setor para veículos conectados e com maior automação.

Huawei anuncia investimento bilionário em software autônomo

A Huawei revelou planos de destinar até 80 bilhões de yuans nos próximos cinco anos para desenvolver software e capacidade de computação dedicados à direção autônoma. A empresa, conhecida por eletrônicos de consumo, amplia presença no setor automotivo por meio de parcerias e sistemas operacionais próprios.

Xpeng destacou um modelo de inteligência artificial que permite comandos mais fluidos ao veículo, sem necessidade de especificar locais exatos no mapa. Xiaomi, que entrou recentemente no mercado de carros, apresentou um sistema operacional que faz reservas em restaurantes, compila anotações e gerencia pedidos de café durante a viagem. O conjunto integra funções do dia a dia ao carro de forma nativa.

Robotaxis enfrentam barreiras regulatórias apesar de testes em cidades

Serviços de robotaxi operam em algumas cidades chinesas, mas a adoção em larga escala ainda esbarra em regras de segurança e aprovação de órgãos públicos. Na semana passada, o governo encerrou consulta pública sobre novas normas de segurança para veículos autônomos. Não existem diretrizes nacionais unificadas até o momento, e as autoridades mantêm abordagem cautelosa.

No mês passado, vários veículos Apollo Go da Baidu pararam de forma inesperada no meio da rua em Wuhan e deixaram passageiros aguardando por horas. O incidente expõe limitações técnicas e a necessidade de maior robustez antes de expansão mais ampla. Empresas como Geely planejam lançar milhares de táxis autônomos no exterior a partir do próximo ano por meio de sua divisão de mobilidade Caocao.

Montadoras buscam mercados externos em meio a queda interna

Com as vendas domésticas pressionadas, exportações chinesas de veículos subiram mais de 60% no primeiro trimestre. A Chery, maior exportadora do país, vendeu 13.500 unidades no Reino Unido entre setembro e março e definiu meta de 10 milhões de carros vendidos globalmente por ano até 2030, ante 5 milhões em 2025. A empresa considera instalar instalações de produção e pesquisa no Reino Unido.

Parcerias internacionais também avançam. Lyft e Uber anunciaram colaboração com a Baidu para usar seu software de direção autônoma. Veículos chineses devem circular em Londres ainda este ano. Analistas apontam que o Reino Unido atrai as empresas por ser visto como aberto a veículos elétricos chineses, ao contrário de outros mercados que citam preocupações de segurança nacional.

A concorrência com players globais como a Waymo, que opera com sucesso em São Francisco e Los Angeles, motiva o esforço chinês. No entanto, especialistas destacam que o mercado doméstico saturado exige inovações constantes em software para manter rentabilidade além da simples venda de carros.

Concorrência acirrada impulsiona inovação em todo o setor

Quase todas as grandes montadoras chinesas desenvolvem alguma versão de direção inteligente, o que diferencia o país de outros mercados. Consultores do setor observam que apenas vender veículos de passageiros deixou de ser suficiente para gerar lucro sustentável. Recursos adicionais baseados em inteligência artificial, como atualizações remotas e serviços personalizados, ganham importância para aumentar receita.

O salão também reflete o momento de transição da indústria. Fabricantes tradicionais e empresas de tecnologia competem lado a lado para definir o futuro da mobilidade. O tema central permanece na integração entre hardware, software e regulamentação para que os avanços tecnológicos cheguem ao público de forma segura e confiável.