Ciência

El Niño deve se instalar em maio e já ser forte no inverno de 2026

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Foto: el niño - neenawat khenyothaa/Shutterstock.com

Um aquecimento acelerado das águas do Pacífico equatorial avança nas próximas semanas. Dados de monitoramento mostram uma grande reserva de calor abaixo da superfície que se desloca para leste. A transição para condições de El Niño ganha força com o apoio de uma onda Kelvin significativa. Modelos climáticos projetam o fenômeno já configurado entre o fim de maio e junho.

A intensidade deve crescer rapidamente e alcançar níveis fortes ainda no inverno. Isso representa uma mudança em relação ao padrão mais comum de instalação do fenômeno em meados do inverno ou primavera. A MetSul Meteorologia destaca o papel da enorme quantidade de água quente acumulada entre 100 e 250 metros de profundidade. Essa reserva atua como uma fonte de energia térmica que emerge na superfície.

Onda Kelvin transporta calor das profundezas para a superfície

Uma onda Kelvin se forma no Pacífico oeste e avança milhares de quilômetros em direção à América do Sul. O pulso de águas quentes viaja abaixo da superfície com anomalias que chegam a 6 graus Celsius acima do normal em alguns pontos. Essa estrutura impulsiona o enfraquecimento dos ventos alísios e facilita o acúmulo de calor na faixa equatorial.

Rajadas de vento de oeste reforçam o processo. Elas ajudam a mover a água quente para leste e ampliam o impacto da onda. O resultado aparece nos gráficos de temperatura subsuperficial da NOAA, que revelam um bolsão expressivo de calor em movimento.

  • A anomalia positiva de temperatura na subsuperfície atinge valores elevados entre 100 e 250 metros.
  • O transporte ocorre de oeste para leste ao longo da linha equatorial.
  • A interação entre oceano e atmosfera acelera a transição para o modo El Niño.
  • Modelos indicam que o aquecimento superficial deve se consolidar nos próximos 30 a 60 dias.

O fenômeno ainda não foi declarado oficialmente. Para isso, são necessárias várias semanas consecutivas com anomalia de pelo menos 0,5 grau Celsius na região Niño 3.4. No entanto, a primeira anomalia em patamar de El Niño já apareceu na superfície do Pacífico equatorial nos últimos dias.

Projeções apontam intensidade forte já no inverno

A MetSul analisa projeções do conjunto de modelos NMME da NOAA. Os mapas mostram anomalias positivas de temperatura da superfície do mar que se instalam e se fortalecem durante o inverno. O pico de intensidade tende a ocorrer no último trimestre do ano, entre a primavera e o início do verão.

Mesmo assim, o evento deve alcançar força significativa bem antes. No fim de maio ou em junho o acoplamento entre oceano e atmosfera já deve configurar o El Niño plenamente. Essa instalação mais cedo repete em parte o observado em 2023, quando o fenômeno foi declarado em junho.

El Nino
El Nino – neenawat khenyothaa/ shutterstock.com

Parágrafos mais curtos ajudam a marcar o ritmo dos dados técnicos. A tendência de aquecimento rápido nas próximas semanas é consistente entre as análises. Modelos climáticos internacionais reforçam o cenário de transição em maio ou junho.

Impactos regionais no Brasil variam conforme a estação

No Sul do país o El Niño costuma elevar o volume de chuvas e a frequência de eventos extremos. Enchentes e cheias de rios ganham risco maior especialmente na segunda metade do ano. Temporais e ciclones também se tornam mais comuns em períodos como inverno e primavera.

Temperaturas ficam acima da média na maior parte das regiões afetadas. No Norte e Nordeste a redução das precipitações predomina. Isso pode agravar períodos secos, aumentar o risco de queimadas na Amazônia e comprometer o abastecimento de água em áreas do semiárido.

O Centro-Oeste e o Sudeste tendem a registrar temperaturas mais elevadas. Ondas de calor ganham força no fim do inverno e na primavera. As chuvas apresentam padrão irregular sem mudança consistente em volume.

  • Risco elevado de chuva excessiva no Rio Grande do Sul a partir da segunda metade do ano.
  • Possibilidade de seca mais acentuada no Nordeste com prejuízos à agricultura.
  • Aumento de queimadas no Norte e no Pantanal devido ao período mais seco e quente.
  • Temperaturas acima da média em grande parte do Centro-Sul do Brasil.

A influência maior do fenômeno deve se concentrar entre setembro e novembro. Esse trimestre concentra o período de maior risco para eventos extremos em 2026 segundo a avaliação da MetSul.

O que define um evento de El Niño

O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Pacífico equatorial ficam mais quentes que a média por um período sustentado. Os ventos de leste enfraquecem e alteram a circulação atmosférica global. A fase oposta, La Niña, traz águas mais frias e ventos mais fortes na região.

Essas mudanças afetam padrões de chuva e temperatura em vários continentes. No Brasil o Sul registra maior volume de precipitação enquanto o Norte e Nordeste enfrentam redução. Os efeitos variam conforme a intensidade e o momento do ciclo.

Histórico mostra que episódios ocorrem a cada três a cinco anos em média. Pescadores peruanos batizaram o aquecimento como El Niño por causa da proximidade com o período natalino. A captura de peixes caía quando a água quente chegava à costa.

Monitoramento segue em curso com dados atualizados

Agências como NOAA e organizações meteorológicas brasileiras acompanham o desenvolvimento semana a semana. A presença da onda Kelvin e o aquecimento subsuperficial são os principais sinais observados agora.

Projeções continuam sujeitas a ajustes. A força final do evento depende de como a atmosfera responderá ao calor oceânico nos próximos meses. Por enquanto o cenário aponta para instalação precoce e intensidade elevada já no inverno.

O acompanhamento permanece essencial para ajustes em alertas de tempo e preparo para impactos sazonais.

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