Ciência

Cometa PANSTARRS exibe segunda cauda durante passagem pelo Sol

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Foto: Cometa - Nazarii Neshcherenskyi/ iStock

O cometa C/2025 R3 (PANSTARRS) apresentou uma segunda cauda durante sua aproximação ao Sol. O fenômeno foi captado nas últimas 24 horas antes de o objeto sair do campo de visão de um telescópio espacial. Cientistas russos acompanham o caso e avaliam possíveis causas. O corpo celeste deve se aproximar o suficiente da Terra para observação nos próximos dias.

Telescópio LASCO registra formação da estrutura extra

O Laboratório de Astronomia Solar do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia de Ciências da Rússia divulgou as imagens. O telescópio LASCO registrou o aparecimento da cauda adicional no cometa. As características ficaram evidentes no domingo, 26 de abril. Normalmente, cometas desenvolvem caudas por ação do vento solar. Esta, porém, surgiu de forma repentina.

Uma das hipóteses principais aponta para o impacto de nuvens de plasma lançadas pelo Sol nos dias 23 e 24 de abril. O início da formação coincidiu com o momento estimado em que o cometa poderia ter sido atingido por um choque solar. O aumento súbito na densidade e temperatura do gás ao redor teria desencadeado uma cauda iônica. O vento solar normal não seria suficiente para isso.

  • O cometa passou pelo periélio em 19 de abril, a cerca de 0,499 UA do Sol.
  • A segunda cauda se formou no meio da tarde de 25 de abril, segundo os registros.
  • Cientistas consideram também outras possibilidades, como coincidência ou atividade de gêiser no núcleo.
  • A estrutura pode ser temporária e desaparecer em pouco tempo.

Cometa segue trajetória hiperbólica da Nuvem de Oort

O PANSTARRS é um cometa hiperbólico originário da Nuvem de Oort. Sua última passagem próxima ao Sol ocorreu há cerca de 170 mil anos. Depois desta aproximação, ele deve deixar o Sistema Solar de forma definitiva. A órbita não permite retorno previsível.

Astrônomos monitoram o objeto desde sua descoberta em setembro de 2025 pelo survey Pan-STARRS no Havaí. Naquela época, ele estava a 3,60 UA do Sol e com magnitude aparente ao redor de 20. O brilho aumentou conforme se aproximava do periélio. Imagens recentes mostram coma esverdeada e cauda principal alongada.

Observação da Terra depende de permanência da cauda extra

A luz solar ainda impede a visualização direta do cometa nestes dias. Ele deve se tornar visível do hemisfério sul nos primeiros dias de maio, logo após o pôr do sol, próximo ao horizonte oeste. A maior aproximação da Terra ocorreu em 26 de abril, a cerca de 72 milhões de quilômetros.

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cometa – Yuriy Kulik/Shutterstock.com

Especialistas indicam que binóculos ajudam na observação. O cometa pode alcançar magnitude suficiente para ser visto a olho nu em condições de céu escuro. A permanência da segunda cauda até o momento da visibilidade reforçaria a hipótese do impacto de plasma. Caso contrário, a estrutura temporária ganha mais força como explicação.

Detalhes técnicos do evento solar e do cometa

O Laboratório russo destacou que o fenômeno ocorreu após duas ejeções de plasma do Sol. A interação com o cometa pode ter alterado localmente o ambiente de gás. Caudas iônicas respondem de forma sensível a variações no vento solar. Disconexões e estruturas complexas já foram observadas em outros cometas.

O PANSTARRS mantém atividade típica de cometas de longo período. A liberação de gases e poeira forma a coma e as caudas. A cauda de íons aponta na direção oposta ao Sol, enquanto a de poeira segue a órbita. Imagens captadas por outros observatórios mostram detalhes na cauda principal, com nós e curvaturas.

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