Equipe descobre 27 candidatos a planetas orbitando sistemas binários via satélite NASA
Pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul identificaram 27 novos candidatos a planetas circumbinários analisando dados do satélite TESS da NASA. A descoberta, publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, utilizou um método inovador baseado no deslocamento do periapsis em estrelas binárias eclipsantes, contornando limitações do método de trânsito convencional.
Esses planetas candidatos orbitam sistemas estelares binários — configurações onde dois sóis gravitam um ao redor do outro. A pesquisa liderada por Margo Thornton representa um avanço significativo ao detectar mundos cuja geometria orbital os tornaria invisíveis para telescópios terrestres usando técnicas tradicionais.
Limitações do método de trânsito e a necessidade de inovação

O método de trânsito, técnica dominante para descobrir exoplanetas, identifica planetas pelo escurecimento leve que causam ao passar em frente a suas estrelas. Funciona com precisão quando o plano orbital do planeta está alinhado perpendicularmente com a perspectiva terrestre. Porém, para planetas circumbinários, essa exigência geométrica se torna extremamente restritiva.
Se o plano orbital de um planeta estiver inclinado em apenas um grau em relação ao plano da órbita binária, os trânsitos não ocorrem em intervalos regulares e detectáveis. Isso significa que toda uma classe de planetas circumbinários — aqueles com órbitas altamente inclinadas — permanecia invisível aos observadores. A equipe reconheceu que dados observacionais anteriores refletiam um viés intrínseco: só planetas com orientações específicas eram encontrados.
Thornton resume a motivação do estudo: dados observacionais anteriores dependiam exclusivamente da orientação da órbita do planeta, impedindo compreensão completa de como surgem mundos em sistemas binários.
Deslocamento do periapsis como ferramenta de detecção
O novo método aproveitou um fenômeno chamado deslocamento do periapsis — a rotação gradual de órbitas elípticas de corpos celestes. Em sistemas solares, o periapsis de Mercúrio, detectado desde o século XIX, ilustra esse efeito clássico.
A equipe analisou 1.590 estrelas binárias eclipsantes observadas continuamente pelo TESS durante pelo menos dois anos. Quando um planeta externo exerce influência gravitacional sobre um sistema binário, altera sutilmente o momento dos eclipses — o instante preciso em que as duas estrelas obscurecem uma à outra.
Medindo com precisão as variações temporais desses eclipses, os pesquisadores identificaram assinaturas gravitacionais de objetos planetários. A estratégia revelou candidatos que passariam completamente despercebidos pelas técnicas convencionais de trânsito, ampliando a visão sobre a população real de planetas circumbinários.
Características dos 27 candidatos descobertos
As massas dos objetos detectados variam significativamente:
- Mínimo: aproximadamente 12 vezes a massa terrestre
- Máximo: cerca de 3.200 vezes a massa terrestre (aproximadamente 10 vezes a massa de Júpiter)
- Distribuição: espectro amplo entre mundos semelhantes à Terra e gigantes gasosos
Nenhuma confirmação definitiva foi alcançada. Observações adicionais com o método da velocidade radial usando telescópios terrestres serão necessárias. Essa técnica detecta planetas indiretamente pela oscilação das estrelas hospedeiras causada pela órbita planetária, medindo deslocamentos de cor na luz estelar que ocorrem conforme as estrelas se aproximam ou se afastam da Terra.
Significado para futuras descobertas planetárias
Benjamin Montet, professor associado da UNSW que integra a pesquisa, destaca que dados observacionais abundantes e de longo prazo do TESS tornaram possível calcular efeitos extremamente sutis. O satélite, originalmente projetado para capturar trânsitos planetários, demonstrou capacidade inesperada de revelar mundos cujos trânsitos jamais seriam observados da Terra.
Esse resultado é particularmente notável porque evidencia que a metodologia convencional subestima a verdadeira população de exoplanetas. Planetas com órbitas diversas e geometrias desfavoráveis passam despercebidos, sugerindo que o universo contém mais sistemas planetários do que levantamentos anteriores revelaram.
Caso futuras observações confirmem a existência desses candidatos, espera-se compreensão mais profunda sobre os processos de formação planetária na Via Láctea. A descoberta reposiciona como os astrônomos buscam mundos distantes e questiona suposições sobre qual fração real de sistemas exoplanetários humanos conseguem atualmente mapear.

















