Ações da BYD recuam com queda de 55% no lucro do primeiro trimestrePor Beatriz
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A BYD Company Limited reportou queda de 55,4% no lucro do primeiro trimestre de 2026, alcançando 4,09 bilhões de RMB, enquanto as vendas domésticas de veículos elétricos caíram 15,5% na comparação anual. O resultado pressiona as cotações da ação 1211 negociada em Hong Kong, onde o papel fecha a HK$ 99,30 nesta terça-feira. A deterioração dos lucros contrasta com o desempenho das exportações, que atingiram recorde de 135 mil unidades em abril, crescimento de 70% ante o mesmo mês do ano anterior.
O sentimento dos investidores enfrenta dinâmica mista. Abril trouxe venda de 321.123 unidades de veículos de nova geração, aumento de 6,96% sobre março, porém marcou o oitavo mês consecutivo de queda anual. Analistas que cobrem a empresa reconhecem a pressão imediata. Ao mesmo tempo, veem nas remessas internacionais um fator de sustentação de longo prazo para a companhia chinesa.
Metas de preço variam entre HK$ 87 e HK$ 147
As projeções de terceiros para o próximo ano refletem divergências profundas sobre a recuperação da rentabilidade. O Goldman Sachs estabelece preço-alvo de HK$ 134 com recomendação de compra, entendendo que o primeiro trimestre representa o ponto mais baixo para vendas e lucro líquido. A corretora espera recuperação gradual entre o segundo e quarto trimestres, com demanda por modelos de carregamento rápido como catalisador. A Nomura reitera compra com alvo de HK$ 127, acima da estimativa anterior de HK$ 123, apostando na expansão internacional como driver sustentável.
O BNP Paribas adota postura mais cautelosa. A instituição atribui classificação de desempenho inferior ao mercado com preço-alvo de HK$ 87, a avaliação mais conservadora entre os bancos que analisaram os resultados. O banco sinaliza pressão para rebaixar projeções de lucros, citando queda acentuada no lucro líquido comparado ao ano anterior e incerteza quanto ao ritmo de recuperação das margens domésticas. O Citigroup mantém compra com alvo de HK$ 142, prevendo que o lucro líquido principal do segundo trimestre poderá atingir cerca de 11,30 bilhões de RMB se volumes no exterior se mantiverem e preços internos se estabilizarem.

Análise consensual aponta estabilidade apesar das revisões
A agregação da Simply Wall St inclui 25 analistas com cobertura sobre a BYD. A meta média permanece em HK$ 124 para os próximos doze meses, inalterada apesar de revisões para baixo nas estimativas de receita e lucro por ação para 2026. A estimativa mais alta alcança HK$ 147, enquanto a mais conservadora fica em HK$ 86,99. Conforme a plataforma, a diferença entre as revisões não alteraria materialmente a avaliação de longo prazo da empresa. As visões mais otimistas concentram-se no crescimento das entregas internacionais, expectativa de recuperação dos lucros domésticos a partir do segundo trimestre e margens de lucro bruto melhores do que previsto.
Essa variedade de perspectivas convive com a realidade dos números atuais. Apenas a divisão de exportações oferece dinamismo à narrativa corporativa. O mercado interno enfrenta pressão competitiva intensa com guerra de preços entre fabricantes de veículos elétricos, erodindo margens. O lucro comprimido do trimestre reflete essa dinâmica desafiadora. Investidores que apostam na recuperação citam o potencial de estabilização de preços no segundo semestre e o crescimento exponencial no exterior como razões para manter posição comprada.
Indicadores técnicos mostram fraqueza no curto prazo
O preço da ação 1211 se posiciona em HK$ 99,30, alinhado com a média móvel simples de 100 dias em HK$ 99,64. Permanece, contudo, abaixo de densa faixa de médias móveis que abrangem as SMA de 20, 50 e 200 dias em aproximadamente HK$ 106, HK$ 103 e HK$ 104, respectivamente. O conjunto de médias móveis de 10 até 200 dias apresenta sinal de venda. A média móvel de Hull para nove períodos em HK$ 100,61 aponta para baixo.
O índice de força relativa de 14 dias marca 42,13, leitura neutra-baixa que não indica sobrevenda extrema. Sugere pressão compradora limitada no curto prazo. O índice direcional médio em 15,76 indica que a tendência de baixa predominante carece de forte convicção direcional neste momento. Para cima, o pivô clássico R1 em HK$ 110,78 marca a primeira resistência acima dos níveis atuais. Fechamento diário acima desse nível colocaria a área R2 próxima a HK$ 119,07 em vista. Para baixo, o ponto de pivô em HK$ 105,12 atua como resistência, enquanto S1 em HK$ 96,83 funciona como suporte significativo caso a média de 100 dias seja rompida. S2 em HK$ 91,17 marca o próximo nível.
Histórico recente revela trajetória volátil de dois anos
As ações da 1211 oscilavam entre 220 e 250 dólares de Hong Kong até meados de 2024, período relativo de estabilidade apesar da intensificação da concorrência global no mercado de veículos elétricos. A partir do final de setembro de 2024, o papel se recuperou, subindo de cerca de 240 para 320 dólares de Hong Kong no início de outubro, impulsionado pelos anúncios de estímulo econômico de Pequim que beneficiaram as ações chinesas listadas em Hong Kong.
Esse ímpeto se estendeu até o início de 2025. As ações da BYD ultrapassaram os 465 dólares de Hong Kong no final de maio de 2025, pico do conjunto de dados históricos. O movimento coincidiu com números recordes de entregas internacionais e crescente interesse em empresas chinesas de tecnologia. Reversão forte se seguiu. As ações caíram para faixa de 310 a 335 dólares de Hong Kong durante o choque tarifário de abril de 2025, quando o governo Trump intensificou medidas comerciais contra a China, antes de se estabilizarem parcialmente.
No final de 2025, o papel havia recuado ainda mais para faixa de HK$ 92 a HK$ 100, pressionado pela deterioração das perspectivas de lucro no mercado interno e pressão contínua sobre margens. As ações permaneceram nessa faixa comprimida até 2026. O fechamento em HK$ 99,30 em 6 de maio de 2026 representa recuo aproximado de 74,7% em relação ao pico de maio de 2025 e praticamente se mantém estável no acumulado do ano desde fechamento de HK$ 95,25 em 31 de dezembro de 2025.
Perspectivas divergem entre recuperação e pressão contínua
Os principais pontos de discordância entre analistas residem em três aspectos. Primeiro, a velocidade e magnitude da recuperação dos lucros domésticos no segundo semestre de 2026. Segundo, a capacidade de a BYD manter o ritmo de crescimento nas exportações sem sacrificar margens globalmente. Terceiro, o impacto das tensões comerciais globais e políticas tarifárias no acesso aos mercados internacionais.
Os bancos mais otimistas argumentam que a companhia passou pelo período mais desafiador e que o momentum internacional oferece sustentação estrutural. Instituições mais céticas apontam que a compressão de margens no mercado doméstico pode persistir além do que o consenso antecipa, e que o crescimento internacional pode não compensar a fraqueza doméstica nos próximos trimestres. A volatilidade do preço da ação reflete essa incerteza genuína entre participantes do mercado.







