Instagram desativa criptografia em mensagens diretas; Meta muda foco de privacidade de DMs

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Instagram logo Foto: Instagram logo - In Green / Shutterstock.com

O Instagram desativou oficialmente o recurso de criptografia de ponta a ponta (E2EE) para mensagens diretas, alterando significativamente a política de privacidade da plataforma a partir desta sexta-feira (8). Com a mudança, a rede social, controlada pela Meta, passa a ter acesso ao conteúdo integral das DMs, incluindo textos, imagens, vídeos e áudios enviados pelos usuários.

Essa decisão representa uma reviravolta na postura da Meta, que anteriormente defendia a ampliação da criptografia de ponta a ponta como um pilar fundamental da privacidade online. A medida gerou reações opostas, dividindo especialistas em segurança digital e organizações que atuam na proteção de crianças e adolescentes.

Mudança na política de privacidade da Meta

A criptografia de ponta a ponta é reconhecida como o método mais seguro para a troca de mensagens na internet. Ela assegura que apenas o remetente e o destinatário possam visualizar o conteúdo de uma comunicação, impedindo o acesso de terceiros, incluindo o próprio provedor do serviço.

Em 2019, a Meta havia prometido estender essa tecnologia para as plataformas de mensagens do Facebook e do Instagram, reforçando a ideia de que “o futuro é privado”. A empresa completou a implementação no Facebook Messenger em 2023 e, no Instagram, o recurso foi disponibilizado como opcional, com planos de se tornar padrão.

Contudo, após sete anos, a companhia desistiu de expandir a funcionalidade no Instagram. Agora, a plataforma adota apenas a criptografia padrão, um sistema comum em diversos serviços online, como o Gmail, que permite aos provedores de serviço acessar o conteúdo em determinadas circunstâncias.

Reações divergentes à desativação do recurso

A decisão da Meta de remover a criptografia de ponta a ponta do Instagram foi recebida com satisfação por grupos de proteção à infância e condenada por defensores da privacidade. Organizações como a Sociedade Nacional de Proteção de Crianças Contra Crueldade (NSPCC), do Reino Unido, expressaram apoio à medida.

Rani Govender, representante da NSPCC, afirmou que a criptografia de ponta a ponta “pode permitir que autores de crimes deixem de ser detectados”. Ela enfatizou que isso fazia com que o aliciamento e o abuso infantil pudessem passar despercebidos, o que justificaria a ação da empresa.

Em contrapartida, defensores da privacidade manifestaram decepção com a mudança. Maya Thomas, da ONG britânica Big Brother Watch, considerou a criptografia de ponta a ponta uma “das principais formas de crianças protegerem seus dados na internet”. A ativista também levantou preocupações sobre a possibilidade de a Meta estar cedendo a pressões governamentais.

Razões por trás da guinada estratégica da plataforma

A Meta justificou a remoção do E2EE no Instagram alegando baixa adesão dos usuários ao recurso. A empresa comunicou que “as mensagens com criptografia de ponta a ponta no Instagram deixarão de ser compatíveis após 8 de maio de 2026”, e que instruções seriam fornecidas para baixar mídias ou mensagens importantes.

Especialistas, como Victoria Baines em cibersegurança, sugerem que a decisão pode ser mais complexa do que a simples falta de interesse dos usuários. Segundo Baines, plataformas de redes sociais monetizam comunicações e publicações para direcionar publicidade segmentada. Além disso, a Meta tem focado no treinamento de modelos de inteligência artificial (IA), para os quais os dados de mensagens poderiam ser “extremamente valiosos”.

A empresa atualizou os termos e condições do aplicativo discretamente em março, sem um anúncio público da mudança. O Instagram, por sua vez, já havia declarado que mensagens diretas não eram utilizadas para treinar seus sistemas de IA. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, recusou pedidos de entrevista para comentar a decisão.

O cenário da criptografia em outras redes sociais

A decisão da Meta pode influenciar a indústria de redes sociais, que até recentemente via a expansão da criptografia de ponta a ponta como uma direção natural do setor. A medida da gigante tecnológica pode desacelerar essa disseminação, confinando o E2EE principalmente a aplicativos dedicados a mensagens.

Muitas plataformas já adotam ou planejam implementar a criptografia de ponta a ponta, enquanto outras oferecem o recurso como opcional:

  • Padrão: Signal, WhatsApp, Facebook Messenger, iMessage (Apple) e Google Messages.
  • Opcional: O Telegram disponibiliza a funcionalidade, mas não de forma padrão para todas as conversas.
  • Semelhante: O X (antigo Twitter) possui um sistema para mensagens diretas, embora críticos questionem se ele atende aos padrões da indústria em segurança.
  • Em expansão: O Snapchat usa a tecnologia para fotos e vídeos enviados por DMs e planeja estendê-la a mensagens de texto. O Discord planeja tornar chamadas de voz e vídeo protegidas por E2EE de forma padrão.
  • Sem planos: O TikTok informou em março que não possuía planos de implementar a tecnologia em mensagens diretas.

Analistas, incluindo Victoria Baines, creem que a decisão da Meta pode fazer com que a criptografia de ponta a ponta se restrinja, no futuro, a aplicativos cuja principal finalidade é a troca de mensagens seguras.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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