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O Tesouro Nacional lançou oficialmente nesta segunda-feira um novo título de investimento destinado a pessoas que buscam aplicações simples com previsibilidade de rendimento. O Tesouro Reserva funciona como alternativa à poupança, aos CDBs e às caixinhas digitais oferecidas pelos bancos, com características pensadas para facilitar o acesso de investidores iniciantes. A aplicação mínima é de apenas R$ 1, e a rentabilidade fica atrelada à taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,50% ao ano.

O produto já estava em fase de testes com clientes do Banco do Brasil desde a quinta-feira anterior. Hoje, conforme tradição do mercado, o toque da campainha na B3 marca o início oficial da oferta ao público geral. O governo desenvolveu este título em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional, focando em “simplicidade e previsibilidade” para quem deseja formar uma reserva financeira com segurança.

Funcionamento e regras de aplicação

O investimento permite resgate a qualquer momento do dia, inclusive nos finais de semana, com possibilidade de transferência via PIX. Não há descontos ao resgatar antecipadamente, o que difere do Tesouro Selic tradicional. O vencimento do papel é de três anos, mas essa data não limita a disponibilidade dos recursos do investidor.

A operação no Banco do Brasil segue fluxo direto: o cliente acessa a área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos, seleciona o Tesouro Reserva, define o valor e confirma a operação. Nos demais bancos, o funcionamento será semelhante assim que cada instituição implementar o produto. A disponibilização em outras instituições financeiras dependerá da adesão e implementação de cada uma.

Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, avalia que o novo título aproxima o Tesouro Direto da experiência que investidores já encontram em fintechs e plataformas digitais. A facilidade de acesso, a aplicação mínima reduzida e a possibilidade de resgate a qualquer hora tornam o produto competitivo para quem quer guardar dinheiro com segurança e rapidez.

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Rentabilidade e marcação a mercado

O rendimento do Tesouro Reserva é atrelado à Selic, mas ainda não foi detalhado se a rentabilidade será equivalente a 100% da taxa. A grande diferença em relação ao Tesouro Selic convencional está na ausência da marcação a mercado, mecanismo que faz o valor dos títulos oscilar diariamente conforme mudam as expectativas do mercado para juros e inflação.

Na prática, isso significa que o valor aplicado não sofrerá oscilações no momento da compra ou do resgate. O investidor que coloca R$ 1.000 receberá essa quantia de volta sempre que solicitar resgate, independentemente do cenário de mercado. Essa previsibilidade é um diferencial importante para investidores conservadores que não querem se expor a volatilidade diária.

Por ser um título de dívida pública emitido pelo governo federal, o risco é classificado como baixo. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o produto mira quem “quer rentabilidade, mas também quer segurança”. Em um ambiente de juros ainda elevados no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para este perfil de investidor.

Competição com CDBs e outras aplicações

O Tesouro Reserva enfrenta disputa direta com CDBs, LCIs, LCAs e caixinhas digitais. Especialistas apontam que o diferencial está na combinação entre segurança garantida pelo governo, rapidez no saque e previsibilidade de rentabilidade. Contudo, o desafio será competir com o retorno oferecido por CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não possuem taxas adicionais.

Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, destaca que CDBs são investimentos de renda fixa onde o cliente empresta dinheiro ao banco em troca de juros, oferecendo retornos que podem superar a Selic em momentos de competição. As LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) são títulos de renda fixa usados pelos bancos para financiar o setor imobiliário, geralmente isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) funcionam de forma semelhante, mas os recursos são direcionados ao financiamento do agronegócio.

Nas caixinhas digitais, o banco organiza e aplica automaticamente o dinheiro do cliente em investimentos de renda fixa voltados a objetivos específicos. O Tesouro Reserva tende a ser alternativa competitiva especialmente para a reserva de emergência, pela combinação entre segurança, rapidez no saque e previsibilidade de ganho.

Tabela de impostos e custos

Como qualquer investimento do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva está sujeito à tabela regressiva de Imposto de Renda aplicada a investimentos de renda fixa. A alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e diminui gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

O Imposto de Renda incide apenas sobre os rendimentos, não sobre o valor total aplicado. Se uma pessoa investir R$ 1.000 e após um período o saldo subir para R$ 1.100, o IR será cobrado apenas sobre os R$ 100 de ganho. O investimento também está sujeito a Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em caso de resgate nos primeiros 30 dias da aplicação. Após esse período, o imposto deixa de ser aplicado.

Há ainda taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano. Porém, aplicações de até R$ 10 mil são isentas dessa cobrança, o que favorece pequenos investidores. Essa isenção torna o produto ainda mais acessível para quem está começando a investir em títulos públicos.

Acesso e próximos passos

Clientes do Banco do Brasil têm acesso imediato ao Tesouro Reserva através da plataforma de investimentos da instituição. O Ministério da Fazenda informou que a oferta em outras instituições financeiras dependerá de adesão e implementação própria de cada banco. Não há data específica para expansão, mas espera-se que instituições de médio e grande porte implementem o produto nos próximos meses.

O lançamento oficial marca mais uma etapa da estratégia do governo federal para democratizar o acesso a investimentos em títulos públicos. A plataforma Tesouro Direto já oferecia o Tesouro Selic tradicional, mas o novo Tesouro Reserva simplifica significativamente a experiência para investidores que não querem lidar com complexidades de marcação a mercado.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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