Aprovação de Trump cai para 35% com enfraquecimento do apoio republicano

Trump ataque Estado Islamico

Trump ataque Estado Islamico - Divulgação

A aprovação presidencial de Donald Trump atingiu 35% em pesquisa divulgada em Washington, refletindo queda significativa entre seus apoiadores republicanos. Levantamento Reuters/Ipsos de quatro dias, encerrado segunda-feira, mostrou recuo de um ponto percentual em relação a sondagem anterior do mesmo instituto este mês. O índice atual fica acima apenas do ponto mais baixo da presidência, 34%, registrado mês passado, e representa trajetória descendente desde os 47% iniciais de janeiro de 2025.

A erosão de apoio atinge especialmente o núcleo duro republicano. Dos eleitores do partido, 79% aprovam desempenho de Trump, queda de 82% no levantamento anterior e redução drástica frente aos 91% no início do mandato. Simultaneamente, 21% dos republicanos dizem desaprovar o presidente, comparado a apenas 5% logo após posse em janeiro de 2025. Crescimento exponencial em discordância revela fissura interna significativa.

Gasolina cara e conflito no Irã impactam aprovação

Preços elevados nos postos de gasolina representam fator central na queda de apoio. Após Trump ordenar ataques ao Irã em fevereiro ao lado de Israel, o conflito interrompeu expressiva parcela do comércio global de petróleo. Combustível para americanos subiu cerca de 50% desde então, atingindo bolsos de eleitores e gerando inquietação entre aliados republicanos que defendem maiorias parlamentares nas eleições legislativas de novembro.

O custo de vida, tema promesseiro da campanha de 2024, tornou-se ponto de vulnerabilidade. Entre republicanos, apenas 47% aprovam manejo de Trump sobre assunto, enquanto 46% desaprovam, divisão quase perfeita. No conjunto da população, apenas um em cinco aprova gestão do presidente sobre custo de vida, indicador alarmante para estratégia política.

Divisão republicana sobre políticas centrais

A pesquisa, realizada online com 1.271 adultos em âmbito nacional, apresentou margem de erro de 3 pontos percentuais para população geral e 5 pontos para republicanos. Estrategistas políticos republicanos alertam que queda de popularidade pode sinalizar enfraquecimento de entusiasmo entre eleitores do partido antes de novembro, quando ambas as câmaras do Congresso estarão em disputa.

Jeanette Hoffman, consultora republicana, destacou: “A preocupação maior é que republicanos não parecem tão motivados para comparecer nas eleições legislativas quanto democratas agora.” Ela observou que permanece indefinido o impacto real dos números em queda, considerando que quatro em cada cinco republicanos continuam apoiando Trump. “80% ainda é um número bem grande,” afirmou.

Tópicos específicos mostram cenário fragmentado entre republicanos:

  • Aprovação de Trump sobre imigração permanece firme em 82%, pouco alterada
  • Apenas 62% de republicanos aprovam manejo da situação no Irã
  • Desaprovação sobre Irã atinge 28% entre republicanos
  • Democratas e dois terços dos independentes desaprovam amplamente ações no Irã
  • Apenas um em quatro respondentes considera ação militar no Irã válida

Estratégia presidencial e ceasefire frágil

Trump assumiu presidência argumentando evitar o que chamou de “guerras eternas”, intervenções militares prolongadas como as nos contextos iraquiano e afegão. Posiciona conflito iraniano como sucesso, citando operações que mataram líder e múltiplos políticos sênior do país.

Cessar-fogo frágil permanece desde abril. Irã, porém, recusou-se largamente a permitir passagem de navios-tanque pelo Estreito de Hormuz, via que concentrava um quinto do comércio petroleiro global antes da guerra. Obstáculo energético mantém pressões sobre economia americana e mercados globais, complicando narrativa de vitória presidencial.

Política de imigração, tema central em 2024 e mobilizador de apoiadores que Trump chama de movimento MAGA (Make America Great Again), mantém solidez. Essa área representa um dos poucos redutos onde aprovação republica se sustém próxima a patamares anteriores, diferenciando-se do padrão descendente em outros domínios.

Analistas observam que desempenho em custo de vida representa inversão de promessa de campanha. Biden predecesssor enfrentou crítica por alta inflação; Trump garantiu reverter cenário. Números atuais indicam falha em cumprir compromisso, gerando decepção mensurável entre eleitores que esperavam melhoria em poder aquisitivo.

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