Rodoviários conquistam aumento de 4,11% e encerram paralisação em Salvador

Greve ônibus

Greve ônibus - Redes sociais

Após oito horas de paralisação, os rodoviários de Salvador encerraram a greve nesta sexta-feira (22) às 8h20. A categoria conseguiu um aumento salarial de 4,11% junto aos empresários de ônibus, resultado apresentado em assembleia realizada no bairro de Nazaré.

A mobilização começou à meia-noite de quinta-feira (21). Diferentemente da rotina, os ônibus que normalmente saem da garagem às 4h30 só circularam a partir das 7h da manhã. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT-BA) havia determinado o funcionamento de pelo menos 60% da frota nos horários de pico e 40% nos demais horários uma restrição que, conforme a Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob), não foi cumprida.

Impacto na mobilidade urbana durante a greve

A cidade enfrentou grande desordem no deslocamento de passageiros. Sem ônibus nas ruas durante a madrugada e madrugada adentro, usuários recorreram a alternativas como metrô, carros particulares, motos por aplicativo e vans. A Secretaria de Mobilidade acionou 180 ônibus do Sistema de Transporte Complementar (STEC), popularmente conhecidos como amarelinhos, para minimizar o impacto.

Greve de onibus – Foto: reprodução

Os pontos de ônibus em terminais críticos registraram aglomeração de passageiros. Muitos enfrentaram atrasos para chegar ao trabalho. Apesar da intervenção com veículos complementares, o serviço funcionou abaixo da capacidade normal durante todo o período de paralisação.

Negociação e concessões salariais

Rodoviários e empresários chegaram a posições distantes nas primeiras tratativas. A categoria solicitava um ganho real de 5% sobre a inflação de 4,18%, o que resultaria em correção salarial de 9,18% — valor que cobrisse a reposição inflacionária e o aumento real pleiteado.

Os empresários contraproposeram um ganho real de 2,36% sobre uma inflação de 4,11%, totalizando uma oferta de 6,47%. Os rodoviários rejeitaram inicialmente essa proposta por considerar insuficiente. Após votação em assembleia na madrugada de sexta-feira:

  • Votação dos rodoviários no bairro de Nazaré aprovou o término da greve
  • Resultado final: aceitação da proposta de 4,11% dos empresários
  • Ganho real conquistado: 0% (apenas reposição inflacionária)
  • Benefícios adicionais: aumento do ticket alimentação foi confirmado pelo Sindicato dos Rodoviários

Histórico da mobilização e contexto

A categoria anunciou a greve na quinta-feira (21) com antecedência de poucas horas. O aviso prévio restrito criou cenário de incerteza para passageiros e operadores. Trabalhadores argumentavam que a inflação acumulada no período anterior reduziu o poder de compra salarial, justificando a reivindicação por ganho real.

O Tribunal Regional do Trabalho atuou como mediador, estabelecendo as percentagens mínimas de frota que deveriam operar. Essa intervenção judicial moldou os contornos da paralisação, impedindo um bloqueio completo do transporte coletivo.

Dados da Semob indicaram que o sistema de ônibus de Salvador transporta aproximadamente 370 mil passageiros diários em condições normais. A paralisação de oito horas afetou dezenas de milhares de deslocamentos matinais, com reflexos em escolas, hospitais, comércio e indústrias.

Acordo fechado com pontos ainda em discussão

O Sindicato dos Rodoviários confirmou oficialmente o término da greve, mas manteve sigilo sobre outros pontos negociados. Além do aumento salarial de 4,11% e do reajuste do ticket alimentação, detalhes como data de vigência do acordo, retroatividade e benefícios complementares ainda não foram divulgados à categoria.

A empresa de transporte público de Salvador não emitiu comunicado imediato sobre o retorno integral das operações. Porém, frota foi gradualmente reposicionada nas garagens para normalização do serviço ao longo do dia.

Essa foi a segunda greve de rodoviários em Salvador em 2024. A primeira ocorreu em março, com duração de 24 horas. Analistas apontam que a categoria vem enfrentando pressão salarial crescente diante da inflação, motivando ações periódicas de mobilização para recomposição de rendimentos.

Veja Também