EUA propõem tarifas de 25% adicionais a 60 economias, incluindo Brasil e China, por trabalho forçadoPor Luís Henrique Costa
5 min de leitura
![]() |
O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a imposição de tarifas adicionais sobre produtos de 60 economias globais. A medida visa países acusados de omissão no combate ao comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado. Brasil, China e Reino Unido estão entre as nações citadas na proposta detalhada em documento divulgado na terça-feira (2).
Essa decisão dos EUA surge um dia após o órgão de comércio do governo Trump sugerir a taxação de 25% sobre todas as importações do Brasil. As acusações do USTR destacam uma falha generalizada. Parceiros comerciais dos Estados Unidos não teriam lidado adequadamente com a importação de bens fabricados sob condições análogas à escravidão.
Proposta do USTR afeta diversas nações
A recomendação do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) detalha a imposição de tarifas adicionais sobre uma vasta gama de produtos. Sessenta economias foram citadas no documento divulgado na noite da última terça-feira (2). Entre os países mencionados explicitamente na proposta estão o Brasil, a China, a Argentina, a Índia, a Rússia e o Reino Unido. Essas nações são acusadas de terem se omitido. Eles falharam em tomar medidas eficazes contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado, segundo a administração norte-americana.
A iniciativa da Casa Branca é uma continuação da política comercial do presidente Donald Trump. Ela ocorreu um dia após a sugestão do USTR de aplicar uma taxa de 25% sobre todas as importações oriundas do Brasil.
Falha em combater trabalho forçado é criticada
O embaixador Jamieson Greer, figura chave no USTR, manifestou preocupação com a situação. Ele afirmou que a falha dos parceiros comerciais dos Estados Unidos em lidar com a importação de bens fabricados com trabalho forçado é “inaceitável”. Essa declaração sublinha a seriedade da posição norte-americana. A administração dos EUA considera a inação como uma violação de princípios comerciais e éticos fundamentais.
Greer enfatizou as consequências diretas para o mercado interno americano. Ele ressaltou que a situação atual “cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais”. Essa perspectiva fundamenta a proposta de tarifas como uma forma de restabelecer um ambiente de concorrência que seja percebido como mais justo.
Alíquotas de tarifas variam conforme a omissão
Em resposta a essas omissões, o USTR propôs tarifas adicionais sobre todos os produtos das economias investigadas. As alíquotas foram diferenciadas. Elas variam conforme a postura de cada país em relação à proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado. A medida busca incentivar a adoção de políticas mais rigorosas.
Para as economias que já impõem uma proibição à importação de produtos provenientes de trabalho forçado, ou que se comprometeram a aplicar tal proibição, a alíquota proposta é de 10% para as tarifas adicionais. Este grupo inclui nações como Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e União Europeia. Esses países possuem regimes parciais ou compromissos firmados para impedir o fluxo dessas mercadorias.
Para todas as outras economias, que não se enquadram nesses critérios mais brandos, o USTR propõe uma alíquota mais elevada, de 12,5%, para as tarifas adicionais. Este grupo é significativamente mais numeroso e abrange diversas potências econômicas globais.
- Economias com 12,5% de tarifa adicional por falha em proibir ou aplicar eficazmente a proibição de bens produzidos com trabalho forçado:
* África do Sul, Arábia Saudita, Argélia, Angola, Argentina, Austrália, Bahamas, Bahrein, Bangladesh, Brasil, Camboja, Catar, Chile, China, Cingapura, Colômbia, Coréia do Sul, Costa Rica, Egito, El Salvador, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Guatemala, Guiana, Honduras, Hong Kong, Índia, Iraque, Israel, Japão, Jordânia, Cazaquistão, Kuwait, Líbia, Malásia, Marrocos, Nova Zelândia, Nicarágua, Nigéria, Noruega, Omã, Peru, Reino Unido, República Dominicana, Rússia, Sri Lanka, Suíça, Taiwan, Tailândia, Trinidad e Tobago, Turquia, Uruguai, Venezuela, Vietnã.
- Economias com 10% de tarifa adicional por não aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado:
* Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão, União Europeia.
Contexto e possíveis impactos das novas tarifas
A imposição de tarifas pelo governo dos Estados Unidos reflete uma postura mais assertiva em relação às práticas comerciais globais. A questão do trabalho forçado se consolidou como um ponto central na política externa e comercial da administração Trump. Essa iniciativa representa uma pressão significativa sobre os países envolvidos.
A potencial aplicação dessas tarifas adicionais pode gerar tensões diplomáticas e econômicas consideráveis. Os países citados na lista, incluindo grandes parceiros comerciais como Brasil e China, precisarão avaliar suas respostas e, possivelmente, revisar suas políticas internas de fiscalização. A China, notavelmente, já negou acusações de trabalho forçado em outras ocasiões, indicando um cenário complexo para futuras negociações.







