A NASA declarou oficialmente inoperante a sonda MAVEN. A espaçonave orbita Marte desde 2014 e perdeu contato em dezembro do ano passado. A agência confirmou o fim da missão nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026. Equipes tentaram restabelecer a comunicação por meses sem sucesso.
A última transmissão recebida pela Rede de Espaço Profundo ocorreu em 6 de dezembro. A sonda passou atrás de Marte e não reapareceu com sinal normal. Dados parciais indicaram que ela entrou em modo de segurança e girava descontroladamente. Isso provocou perda de energia solar.
Investigação aponta falha após passagem atrás de Marte
A sonda MAVEN funcionava normalmente antes de entrar na zona de sombra de Marte. Ao sair do outro lado, a telemetria mostrou problemas graves. O comitê de revisão da NASA concluiu que a recuperação não era mais viável.
- Tentativas de comando enviadas pela Deep Space Network falharam repetidamente
- Análise de fragmentos de dados confirmou rotação inesperada
- Modo de segurança ativado impediu o alinhamento correto dos painéis solares
- Investigação sobre a causa exata do incidente continua em andamento
Técnicos trabalharam com dados limitados durante o período de conjunção solar. A pausa natural na comunicação complicou os esforços iniciais. Mesmo após a janela, os sinais enviados não obtiveram resposta.
Lançamento e extensão recorde da missão
A MAVEN decolou em novembro de 2013 a bordo de um foguete Atlas V. Ela chegou à órbita marciana dez meses depois. A missão principal previa apenas um ano terrestre de operações. A agência estendeu o trabalho por mais de uma década devido aos resultados consistentes.
A espaçonave cumpriu o objetivo de estudar a evolução da atmosfera marciana. Instrumentos mediram a interação com o vento solar ao longo dos anos. Os dados ajudaram a entender como Marte perdeu grande parte de sua atmosfera antiga.
Contribuições científicas seguem disponíveis
Os registros coletados pela MAVEN continuam acessíveis para pesquisadores. A diretora da Divisão de Ciências Planetárias da NASA destacou o valor duradouro das informações. A sonda foi pioneira no estudo detalhado da camada superior da atmosfera.
Cientistas publicaram centenas de artigos com base nessas medições. A MAVEN também atuou como retransmissora de dados para rovers na superfície. Esse papel ampliou a capacidade de comunicação com veículos como Perseverance e Curiosity.
Outras sondas mantêm presença da NASA em Marte
Com o fim da MAVEN, restam duas orbitadoras da agência em operação. A Mars Odyssey, lançada em 2001, e a Mars Reconnaissance Orbiter, de 2005, seguem ativas. Ambas também superaram em muito suas expectativas originais de vida útil.
- Mars Odyssey continua mapeando o planeta desde o início do século
- Mars Reconnaissance Orbiter fornece imagens de alta resolução
- As duas sondas ainda apoiam comunicações com exploradores de superfície
- NASA avalia planos futuros para nova geração de missões orbitais
A perda da MAVEN marca o encerramento de uma fase importante da exploração. A agência planeja manter o arquivo de dados para consultas futuras. Uma coletiva de imprensa transmitida nesta tarde detalhou os próximos passos.
Legado técnico da missão
A sonda foi a primeira dedicada exclusivamente ao estudo da atmosfera e sua interação com o vento solar. Instrumentos a bordo registraram eventos de tempestades solares e escape de gases. Essas observações contribuíram para modelos sobre o clima antigo de Marte.
Engenheiros da NASA e parceiros comerciais acompanharam a operação por mais de 11 anos. A extensão repetida da missão demonstrou a robustez do projeto original. Mesmo com o fim operacional, o impacto científico permanece.
A sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia, e o Trace Gas Orbiter também continuam em atividade. O conjunto de orbitadores garante continuidade nas observações do Planeta Vermelho. A NASA deve divulgar mais detalhes sobre o legado completo da MAVEN nas próximas semanas.

