Uma nova imagem mostra um objeto celestial deslumbrante, uma estrela acompanhada por outra, em processo de morte, que lembra uma bola de cristal.
Cientistas captaram a imagem da NGC 1514, apelidada de Nebulosa Bola de Cristal, com o Espectrógrafo Multiobjeto Gemini. O instrumento fica montado no telescópio Gemini North, localizado no Maunakea, um vulcão adormecido no Havaí.
Pesquisadores reservaram algumas horas durante as noites para observar o céu e identificar algo impressionante, disse o astrônomo Travis Rector.
“É uma forma de compartilhar com as pessoas o quão incrível é o nosso universo, por isso a nebulosa não era um alvo científico, mas sim uma escolhida apenas porque parece realmente legal”, afirmou Rector, integrante da equipe do NOIRLab que registrou a imagem. NOIRLab é a sigla para o Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica e Infravermelha da National Science Foundation.
A imagem revela os detalhes marcantes da nebulosa planetária, que está a cerca de 1.500 anos-luz da Terra, na constelação de Touro. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, equivalente a 5,88 trilhões de milhas (9,46 trilhões de quilômetros), o que significa que a luz mostrada na foto foi emitida há aproximadamente 1.500 anos.
As nebulosas planetárias recebem esse nome porque se parecem com planetas quando observadas por um telescópio pequeno. Esses objetos celestes se formam quando estrelas moribundas ejetam suas camadas externas. A expulsão cria uma região de poeira e gás ao redor do núcleo da estrela — um anão branco.
“Elas têm formas distintas. São objetos realmente espetacularmente bonitos e muitas vezes apresentam estruturas muito complexas, mas simétricas”, disse Rector, professor de física e astronomia na Universidade do Alasca em Anchorage.
A imagem impressionante permite que os cientistas observem como um sistema de duas estrelas é afetado quando uma delas chega ao fim da vida antes da outra.
Sistema de duas estrelas
A Nebulosa Bola de Cristal abriga um sistema binário: duas estrelas que se formaram próximas uma da outra ao mesmo tempo e orbitam em torno de si. Mais da metade das estrelas da nossa galáxia fazem parte de sistemas múltiplos, segundo a NASA.
“A primeira estrela está expelindo suas camadas externas. A outra estrela, simplesmente por orbitar ao redor da primeira, meio que intensifica as coisas e cria essas belas formas complexas”, explicou Rector.
As cores da nebulosa aparecem vivas por causa de um filtro no espectrógrafo que permite a passagem de comprimentos de onda específicos de luz, correspondentes a tipos específicos de gás. Os tons avermelhados vêm do hidrogênio quente e o azul brilhante vem do oxigênio quente, que são normalmente os gases mais abundantes produzidos pelas nebulosas planetárias.
O astrônomo germano-britânico William Herschel, que cunhou a expressão “nebulosa planetária” ao notar o formato semelhante a planetas desses objetos, avistou a Nebulosa Bola de Cristal pela primeira vez em 1790.

