Adolescente de Campo Grande virou as costas para as telas do celular e registrou um dos encontros mais bonitos do céu de 2026. José Guilherme dos Santos Camargo, de 16 anos, capturou a conjunção entre Vênus e Júpiter, visível a olho nu logo após o pôr do sol no horizonte oeste da Capital.
As fotos mostram os dois planetas brilhando próximos um do outro, criando um espetáculo natural que atrai observadores em várias regiões do Brasil. Embora pareçam colados no céu, os astros estão separados por centenas de milhões de quilômetros no espaço. O fenômeno, chamado de conjunção planetária, acontece quando os corpos celestes se alinham da perspectiva da Terra.
A visibilidade favorece quem olha para o oeste nos primeiros minutos da noite. Especialistas indicam que o par continua observável até o dia 1º de julho, com o momento de maior aproximação registrado entre os dias 8 e 9 de junho. Trata-se de uma das conjunções mais favoráveis do ano para o hemisfério sul, superando em brilho e posição muitos alinhamentos típicos que ocorrem antes do amanhecer.
Guilherme participa ativamente do Clube de Astronomia Carl Sagan, da UFMS, onde atua como monitor. Ele auxilia em observações públicas, opera equipamentos e ministra palestras para levar conhecimento científico à população. O clube, fundado em 2007, promove atividades gratuitas e já realiza eventos regulares no campus e em escolas.
O interesse do jovem começou por volta dos 9 anos e ganhou força em 2022, durante uma observação de cometa promovida pelo grupo no Parque das Nações Indígenas. Desde então, ele frequenta o clube, adquiriu um telescópio em 2023 e registra o céu tanto com equipamentos profissionais quanto com o próprio celular.
Além das fotos, Guilherme compartilha o trabalho no perfil @gui_astronomy nas redes sociais. Para ele, divulgar a astronomia vai além do hobby: é uma forma de combater desinformação e democratizar o acesso ao conhecimento em um país com grande potencial de observação celeste.
Aluno do segundo ano do ensino médio, o estudante planeja cursar Engenharia Aeroespacial no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ele pretende manter a astronomia como atividade permanente, conciliando carreira científica com a paixão que o acompanha desde a infância.

