O presidente da Fifa, Gianni Infantino, subiu o tom durante a coletiva de imprensa oficial realizada na Cidade do México, nesta quarta-feira, antecedendo a abertura da Copa do Mundo. Embora tenha pedido para que os jornalistas priorizassem o debate sobre o futebol, o dirigente teve de responder a questionamentos complexos envolvendo as restrições migratórias dos Estados Unidos e a política de preços dos ingressos para o torneio.
O caso mais emblemático envolve o árbitro Omar Abdulkadir Artan, da Somália, que foi impedido de entrar em território americano por agentes de imigração. O profissional precisou retornar à Turquia, local de origem do seu voo. Diante do veto, Infantino adotou uma postura de pragmatismo institucional, afirmando que a Fifa é uma entidade esportiva e não possui soberania sobre forças policiais ou decisões de governos nacionais.
Seleção do Irã precisou mudar base de treinamentos para o México
O contexto geopolítico também pressionou a organização do Mundial. O Irã, que enfrenta um cenário de guerra contra Estados Unidos e Israel, encarou severas restrições burocráticas para garantir sua participação. Apesar de os vistos dos atletas terem sido liberados na última sexta-feira, o estafe técnico da equipe teve as autorizações negadas pela embaixada americana na Turquia, gerando protestos diplomáticos por parte dos iranianos.
Por conta do atraso nas liberações governamentais, o planejamento logístico da seleção do Irã foi alterado de última hora. Inicialmente, o grupo ficaria hospedado e treinaria na cidade de Tucson, no Arizona, nos Estados Unidos. Com o impasse, a delegação foi remanejada para Tijuana, no México, onde desembarcou no último domingo. Infantino celebrou a presença do país no torneio e relembrou visitas pessoais feitas ao elenco para assegurar que eles disputariam a competição.
Defesa da relação com Donald Trump e mercado de ingressos
Ao ser questionado sobre a interlocução com a Casa Branca, Infantino elogiou a parceria com o presidente Donald Trump, destacando que o apoio direto do governo americano foi fundamental para viabilizar a estrutura logística da Copa do Mundo. Segundo o dirigente, o envolvimento do governo federal facilitou os trâmites iniciais necessários para receber o megaevento em solo norte-americano.
Preços das entradas refletem mercado local e combatem cambistas
- Cifra inicial: O bilhete mais barato para os jogos custa 60 dólares, valor apontado pela Fifa como o menor praticado no mercado esportivo dos Estados Unidos para eventos desse porte.
- Repasse financeiro: A entidade máxima garantiu que o montante arrecadado com as vendas é integralmente revertido para o desenvolvimento do futebol de base em federações periféricas.
- Mercado secundário: A proliferação de plataformas legais de revenda inflacionou os preços finais, mas Infantino justificou que manter os valores oficiais baixos apenas alimentaria a margem de lucro dos cambistas cadastrados.
- Volume comercializado: Mais de seis milhões de ingressos já foram adquiridos pelos torcedores para as partidas da competição.
Abertura do Mundial acontece nesta quinta-feira no Estádio Azteca
A bola rola oficialmente para a Copa do Mundo nesta quinta-feira, às 16h (horário de Brasília), com o confronto entre México e África do Sul no histórico Estádio Azteca. As duas seleções integram o Grupo A do torneio, que também conta com Coreia do Sul e República Tcheca. O fechamento da primeira rodada deste grupo ocorre no mesmo dia, às 23h.

