Imagens da Nasa revelam trajeto de 28 horas do cometa interestelar 3I/ATLAS pelo espaço

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3I/ATLAS Foto: 3I/ATLAS - Reprodução/The Virtual Telescope Project

A agência espacial norte-americana utilizou o equipamento TESS para criar um registro visual impressionante, unindo diversas fotografias que formam um clipe de 28 horas focado na jornada do corpo celeste 3I/ATLAS. Essa captação ocorreu na janela entre os dias 15 e 22 de janeiro de 2026, momento em que o viajante espacial já havia superado sua aproximação máxima com o nosso Sol e começava a se distanciar. Nas imagens geradas, o visitante cósmico surge como um ponto luminoso destacando sua cauda voltada para a estrela central do nosso sistema, contrastando com o brilho das constelações ao fundo.

O trabalho de montagem desse material audiovisual foi liderado pelo cientista Daniel Muthukrishna, pesquisador vinculado ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e membro do projeto. Durante a coleta de dados, houve um pequeno hiato operacional entre 15 e 18 de janeiro, provocado por uma falha temporária nos painéis de captação de energia solar, o que forçou o equipamento a entrar em um estado de proteção automática. Mesmo com essa pausa, o volume de fotografias obtidas foi suficiente para mapear o caminho percorrido pelo corpo celeste com extrema precisão.

Embora a missão principal desse telescópio seja a busca por mundos fora do nosso sistema solar através da observação de trânsitos planetários, suas lentes de grande alcance espacial foram fundamentais para enquadrar o 3I/ATLAS. Todo o acervo gerado por essa varredura já se encontra liberado para acesso público no Arquivo Mikulski, um repositório voltado para informações de telescópios espaciais.

  • A identificação inicial do 3I/ATLAS aconteceu no dia 1º de julho de 2025, graças aos equipamentos do complexo ATLAS instalados no território chileno.
  • O formato hiperbólico de sua órbita serviu como prova definitiva de que o corpo celeste veio de fora do nosso sistema, constatação feita logo após o primeiro avistamento.
  • O ponto de maior proximidade com a nossa estrela, conhecido como periélio, foi atingido em 30 de outubro de 2025, a uma distância de 1,4 unidade astronômica — o que equivale a cerca de 210 milhões de quilômetros.

Como a tecnologia de varredura espacial identifica corpos celestes

O equipamento caçador de exoplanetas da Nasa tem a capacidade de monitorar vastas áreas do cosmos por ciclos que duram cerca de trinta dias. Seu método de trabalho baseia-se em notar quedas sutis na luminosidade de estrelas longínquas, o que geralmente indica que um planeta cruzou a frente do astro. Graças a essa visão panorâmica privilegiada, a máquina conseguiu registrar a presença do 3I/ATLAS ainda no mês de maio de 2025, antecipando a descoberta oficial em quase sessenta dias.

Para confirmar essa detecção precoce, os especialistas precisaram sobrepor milhares de fotografias daquela época, encontrando o rastro do visitante de forma retroativa. Naquele momento inicial, o corpo celeste exibia uma luminosidade estável, sem qualquer indício de formação de cauda ou emissão de gases. Foi apenas na janela de observação de janeiro de 2026 que a dinâmica mudou, revelando a estrutura alongada e brilhante impulsionada pela radiação solar.

Detalhes visuais e comportamento do viajante cósmico

A animação montada pela equipe científica exibe o alvo como um pequeno ponto acelerado cruzando a escuridão pontilhada de estrelas. A formação de sua cauda direcionada para o Sol é um traço característico de corpos gelados que entram em atividade, liberando grandes quantidades de poeira e elementos gasosos ao serem aquecidos. Mesmo que as lentes do telescópio não ofereçam a nitidez ideal para enxergar minúcias, a continuidade das imagens entrega material rico para avaliar as flutuações de luz emitidas pelo núcleo.

A comunidade acadêmica agora se prepara para destrinchar esses arquivos em busca de padrões cíclicos que ajudem a definir o tempo exato que o objeto leva para girar em torno do próprio eixo, atualmente calculado em 7,1 horas graças a medições anteriores do Telescópio Espacial Hubble. O esforço conjunto dos cientistas envolve a checagem de pequenas vibrações na extensão da cauda, um sinal direto de como o núcleo rochoso está rotacionando no vácuo.

O nível de agitação química e física do visitante aumentou drasticamente depois que ele contornou a nossa estrela. Análises baseadas em espectroscopia apontam que ele carrega partículas de poeira de dimensões consideráveis, apresentando um tom avermelhado que lembra muito a composição visual dos asteroides classificados como tipo D, comuns nas bordas do nosso sistema.

Diferenças em relação a outros visitantes de fora do sistema

Este é apenas o terceiro corpo celeste com origem comprovada em outra região da galáxia a cruzar a nossa vizinhança. O pioneiro nessa lista foi o 1I/’Oumuamua, descoberto em 2017, que chamou a atenção por seu formato de charuto e pela total ausência de uma nuvem de gás ao seu redor. Dois anos depois, o 2I/Borisov entrou nos radares, mostrando uma estrutura clássica de cometa, com cauda bem definida e reações químicas familiares aos astrônomos.

Em contraste com o misterioso ‘Oumuamua, o novo visitante começou a expelir material e formar sua nuvem protetora quando ainda estava a distâncias imensas. Sua estrutura geológica parece abrigar elementos orgânicos que sofreram forte radiação ao longo de milênios, o que justifica a cor avermelhada captada pelos sensores. Além disso, a curva extremamente aberta de sua rota comprova que ele viaja a velocidades altíssimas, impossibilitando que a gravidade solar o prenda em uma órbita fechada.

Apoio de lentes de alta resolução na coleta de dados

O veterano Telescópio Espacial Hubble também entrou na força-tarefa, registrando 36 fotografias detalhadas entre o final de 2025 e o início de 2026. Essa sessão de fotos aproveitou um momento geométrico raríssimo, onde a Terra, o Sol e o viajante espacial ficaram alinhados com uma margem de erro de apenas 0,69 graus. O resultado desse posicionamento perfeito foram imagens com uma qualidade de definição muito superior àquelas geradas pelo equipamento de varredura de exoplanetas.

Através dessas capturas de alta fidelidade, os cientistas conseguem visualizar com clareza as ramificações da cauda e as fortes emissões de material partindo do núcleo. Todo esse volume de informações refinadas funciona como um guia para ajustar e interpretar corretamente os vídeos menos nítidos do TESS. A união dessas duas frentes de observação entrega um panorama robusto sobre como a superfície do objeto reage ao calor.

O caminho percorrido desde a primeira detecção

O primeiro sinal de alerta sobre a aproximação do corpo celeste soou quando ele ainda navegava a 4,5 unidades astronômicas de distância da nossa estrela central. Imediatamente, observatórios baseados no solo terrestre focaram no alvo e atestaram a existência de uma nuvem difusa e um rastro característico. O uso de diferentes tecnologias de captação ao redor do globo serviu para cravar, sem margem de dúvidas, que se tratava de um cometa ativo.

Em sua jornada de saída, o objeto cruzou as proximidades da rota de Marte e continuou sua viagem rumo ao espaço profundo após o mês de janeiro de 2026. Como sua velocidade de deslocamento é extrema, o campo gravitacional do nosso sistema não tem força suficiente para freá-lo ou capturá-lo. Essa passagem relâmpago é vista pela comunidade científica como

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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