O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) conquistou a maioria dos votos em seis nações asiáticas, enquanto o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), saiu vitorioso em cinco países da Ásia e da Oceania no segundo turno disputado neste domingo (25). Os dados constam nos boletins de urna emitidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) logo após o encerramento do expediente nas seções eleitorais localizadas no oriente. O documento impresso por cada máquina de votação ao final do pleito permite a conferência pública dos números locais antes mesmo da totalização oficial da Justiça Eleitoral.
A dianteira na soma parcial de votos fora do território nacional passou para Flávio Bolsonaro assim que entraram no cômputo os resultados do Japão, onde o parlamentar atingiu 80,08% dos votos válidos nas apurações mais recentes. Antes disso, Lula havia aberto a contagem na frente com triunfos consecutivos na Oceania, superando a marca de 63% da preferência entre os cidadãos que compareceram às urnas na Nova Zelândia, primeiro país a concluir a votação, e na Austrália.
Desempenho detalhado de Flávio Bolsonaro e Lula na Ásia e na Oceania
Terceiro maior colégio eleitoral brasileiro no exterior, o Japão encerrou a votação às 5h pelo horário de Brasília (17h no fuso local) e deu a Flávio Bolsonaro 28.538 votos (80,08% dos válidos), ante 7.098 votos (19,92%) destinados a Lula. A vantagem de 21.440 votos consolidou e ampliou uma leitura preliminar que apontava 25.543 a 7.141 para o candidato do PL. Ao todo, 37.616 pessoas compareceram às 119 urnas distribuídas nas cidades japonesas de Tóquio, Nagoia e Hamamatsu, o equivalente a cerca de 42,6% do eleitorado local, com o registro de 1.132 votos em branco e 848 nulos.
Na Austrália, a soma de 29 boletins de urna das seções de Canberra e Sydney confirmou a vitória de Lula por 6.017 votos (63,46% dos válidos) contra 3.465 votos (36,54%) de Flávio Bolsonaro, atualizando uma parcial prévia que marcava 5.290 a 2.934 para o petista. O país da Oceania contabilizou 9.795 eleitores presentes, além de 118 votos em branco e 195 nulos. Já na Nova Zelândia, das 3.119 pessoas aptas a votar, 526 compareceram às cinco seções eleitorais: Lula recebeu 418 votos (80,54% dos válidos) e Flávio Bolsonaro somou 101 votos (19,46%), com quatro brancos e três nulos.
Em território chinês, o placar muda de acordo com a inclusão da região administrativa especial de Hong Kong na conta. Nas seções da China Continental, que englobam Pequim, Xangai e Cantão, Lula venceu por 375 votos (73,7% dos válidos) contra 134 (26,3%) do adversário, registrando índices favoráveis de 85,1% na capital chinesa, 73,4% em Xangai e 59,3% em Cantão. Em Hong Kong, contudo, Flávio Bolsonaro levou a melhor por 133 votos a 127. Quando os números da China Continental são somados aos de Hong Kong, Lula totaliza 502 votos (65,28%) frente a 267 votos (34,72%) do senador.
Entre as outras sete nações asiáticas que tiveram boletins de urna divulgados pelo TSE até o período da manhã, o candidato do PT ganhou em duas e o representante do PL ficou na liderança em cinco. Lula superou o oponente em Singapura, por 213 votos (63,77%) a 121 (36,23%), e na Coreia do Sul, onde anotou 148 votos (64,35%) contra 82 (35,65%). Na direção oposta, Flávio Bolsonaro venceu em Taiwan por 130 votos (58,04%) a 94 (41,96%), na Tailândia por 60 votos (51,72%) a 56 (48,28%), na Malásia por 44 votos (51,76%) a 41 (48,24%), nas Filipinas por 39 votos (59,09%) a 27 (40,91%) e na Indonésia por 23 votos (60,53%) a 15 (39,47%).
Distribuição dos 918 mil eleitores aptos a votar fora do país
O segundo turno presidencial conta com 918.876 cidadãos residentes no exterior aptos a votar, contingente que equivale a aproximadamente 0,5% do total de 158,7 milhões de eleitores registrados em toda a eleição. A estrutura de votação fora das fronteiras nacionais abrange 186 cidades espalhadas por 134 países, onde o eleitor escolhe exclusivamente os cargos de presidente e vice-presidente da República. Como a norma do TSE exige o cadastro mínimo de 30 eleitores aptos para a abertura de uma seção em solo estrangeiro, 16 nações africanas, dez asiáticas, quatro americanas e duas europeias ficaram sem registro de votação já na etapa inicial do pleito.
Os seis países que reúnem os maiores colégios eleitorais de cidadãos residentes no exterior são:
- Estados Unidos: 265.022 eleitores aptos
- Portugal: 134.374 eleitores aptos
- Japão: 88.293 eleitores aptos
- Canadá: 46.345 eleitores aptos
- Reino Unido: 41.895 eleitores aptos
- Alemanha: 41.401 eleitores aptos
Histórico de votação no primeiro turno e na disputa de 2022
Na primeira rodada da corrida presidencial, realizada em 4 de outubro de 2026, a apuração geral consolidada de todas as urnas do exterior apontou Lula na liderança com 157.387 votos (47,57% dos válidos), seguido por Flávio Bolsonaro com 143.900 votos (43,49%), em uma jornada marcada por 62,69% de abstenção fora do país. Naquele domingo, o petista ganhou em 64 países, o senador do PL triunfou em 36 nações e Guiné-Bissau registrou empate exato, com 17 votos para cada um dos dois finalistas. Já no resultado nacional totalizado do primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 56.104.268 votos (47,03% dos válidos) na chapa com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), enquanto Lula somou 53.876.617 votos (45,16%) ao lado do vice Geraldo Alckmin (PSB). Quatro anos antes, na votação de segundo turno de 2022 no exterior, Lula havia vencido o então presidente Jair Bolsonaro (PL) por 152.905 votos (51,28%) a 145.264 votos (48,72%).
O retrospecto específico das localidades da Ásia e da Oceania que encerraram a apuração mostra que os vencedores locais do primeiro turno se repetiram na etapa decisiva. Em 4 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro já havia saído vitorioso no Japão por 24.601 votos a 5.234 e liderado a contagem em Taiwan com 107 votos. Lula, por seu lado, tinha vencido a primeira rodada na Austrália por 4.562 votos a 2.579, na China (incluindo Hong Kong) por 367 a 203, na Nova Zelândia por 234 a 64, em Singapura por 190 a 92 e na Coreia do Sul por 123 a 72.
Fuso horário de 29 horas e previsão de divulgação oficial pelo TSE
A operação de coleta de votos fora do território nacional estende-se por um período total de 29 horas em razão das diferenças de fuso horário pelo planeta, funcionando, em regra, das 8h às 17h na hora local de cada país. A primeira seção eleitoral foi aberta em Wellington, na Nova Zelândia, às 16h de sábado (24) pelo horário de Brasília, com encerramento à 1h deste domingo e emissão dos primeiros boletins de urna por volta de 1h50. No território nacional, a abertura das seções ocorreu às 8h.
Até as 9h12 deste domingo, os boletins de urna referentes às seções instaladas na Europa, na África, no Oriente Médio e no continente americano ainda não haviam sido disponibilizados. Nessas faixas de fuso horário, tanto a recepção de eleitores quanto o fechamento de urnas e a emissão de relatórios seguiam em curso ao longo da manhã e da tarde.
A totalização oficial consolidada dos votos computados no exterior só é liberada pelo TSE depois das 17h (horário de Brasília) de 25 de outubro de 2026, momento em que se encerra a votação em todo o país. O fechamento das últimas urnas eletrônicas instaladas no exterior acontece quatro horas mais tarde, às 21h pelo horário de Brasília, nas seções eleitorais do Canadá.

