Um jovem foi detido de forma preventiva nesta quarta-feira (17) como o principal suspeito de assassinar Iasmyn Eckhardt da Silva, uma adolescente de 14 anos. O corpo da garota foi localizado em uma área de mata no município de Foz do Iguaçu, localizado no oeste do Paraná.
Conforme o delegado Marcelo Pereira Dias, o indivíduo, de 18 anos, tinha uma relação de amizade com Iasmyn. Em seu depoimento, ele admitiu a autoria do crime, alegando que acreditava que a vítima estaria planejando uma emboscada contra ele.
A identidade do suspeito não foi revelada pela polícia até o momento. A equipe do Mix Vale está buscando contato com a defesa do investigado.
Ainda segundo informações do delegado, o homem foi identificado por meio de registros de câmeras de segurança situadas nas proximidades do local onde o corpo da jovem foi encontrado. As filmagens não foram divulgadas oficialmente pelas autoridades.
“Foi possível observar que a menina chegou ao local acompanhada do indivíduo, que foi posteriormente identificado e reconhecido pelos parentes da vítima como um amigo próximo dela. A equipe de investigação conseguiu localizar esse indivíduo após o seu retorno do trabalho”, detalhou o delegado.
A contestação familiar da versão do suspeito sobre uma suposta emboscada
Na residência do suspeito, a polícia encontrou o telefone celular de Iasmyn e um par de chinelos que pertenciam à adolescente. Além disso, as roupas que ele usava no dia do crime também foram apreendidas; elas apresentavam manchas de sangue e foram encaminhadas para análise pericial.
Momentos antes de ser detido, moradores da região tentaram agredir o suspeito, mas a intervenção dos policiais evitou a ação. Ele foi então conduzido à delegacia de homicídios de Foz do Iguaçu, onde passou pelo interrogatório.
De acordo com o delegado, o homem será responsabilizado pelos crimes de homicídio e furto. Com a prisão do suspeito, a expectativa é que o inquérito seja concluído em um prazo de até dez dias. Ele permanece custodiado na cadeia pública de Foz do Iguaçu.
Detalhes da confissão: o que o suspeito revelou sobre a morte da adolescente
Durante seu depoimento, o homem confessou ter sido o autor da morte de Iasmyn, garantindo que agiu sozinho. Ele negou qualquer ato de abuso sexual contra a vítima e afirmou que o assassinato não havia sido premeditado.
Segundo o delegado Marcelo Pereira Dias, o suspeito manifestou desconfiança de que a adolescente estaria organizando uma emboscada contra ele. O investigado relatou que havia recebido ameaças de um terceiro homem, que também era amigo de Iasmyn.
No decorrer do interrogatório, o homem descreveu minuciosamente como executou o assassinato da adolescente, conforme informado pelo delegado.
“Ficou evidenciado que ele de fato agrediu a vítima com um tijolo. Um desses objetos foi encontrado no local, contendo vestígios de sangue. Ele golpeou a vítima por pelo menos quatro vezes na nuca e na lateral da cabeça, o que levou à morte da vítima no local”, explicou o delegado.
O homem ainda declarou que persuadiu Iasmyn a acompanhá-lo até o ponto onde o crime ocorreu, usando a desculpa de que precisava pegar uma porção de drogas. O suspeito afirmou ter permanecido no local por aproximadamente 40 minutos após o ato e, em seguida, saiu sozinho.
“Conforme seu relato, ele deixou a vítima no local dos fatos vestida. Ele nega ter cometido qualquer tipo de ato contra a dignidade sexual da vítima e mencionou a possibilidade de outras pessoas terem frequentado o local após sua saída”, detalhou o delegado.
Dias comunicou que a polícia buscará mais imagens de câmeras de segurança para reconstruir o trajeto percorrido pelo suspeito e pela vítima antes do crime. A investigação também visa confirmar se, de fato, não houve a participação de outras pessoas no assassinato.
A posição da família sobre a narrativa apresentada pelo autor
Elizani Rotela, tia de Iasmyn, contesta veementemente a versão apresentada pelo suspeito em seu depoimento. Ela ressalta que, para a família, a sobrinha era vista como uma criança e jamais teve qualquer envolvimento com atividades criminosas.
“Era uma criança boa, tranquila. No início do ano, ela participou da colônia de férias. Eu a levei para o meu trabalho, ela brincou a semana inteira conosco. É o tipo de informação que consideramos muito importante compartilhar, para reforçar que ela não tinha envolvimento com drogas, que não era garota de programa, que não estava envolvida com o crime e que ele era amigo dela”, declarou a tia. A família defende a memória de Iasmyn, ressaltando a urgência de questionar a violência em vez de buscar culpabilidade na vítima, um padrão frequentemente observado em casos de violência contra mulheres e meninas.
Elizani relata que o suspeito frequentava a casa de Iasmyn e que ela depositava confiança nele. A tia desmente categoricamente a alegação de que a sobrinha estaria supostamente organizando uma emboscada para o amigo.
A tia também contou que, na noite em que o crime aconteceu, Iasmyn recebeu uma mensagem do amigo pedindo ajuda para recuperar uma moto que ele dizia ter quebrado. Logo em seguida, a adolescente saiu de casa para auxiliá-lo, mas não retornou.
“Sempre que há violência contra a mulher ou contra uma menina, as pessoas logo questionam: mas o que ela estava fazendo? Era usuária de drogas, era prostituta, estava na rua? Precisamos parar de fazer esse tipo de pergunta e começar a questionar por que homens se sentem à vontade para cometer tais atos contra corpos de mulheres todos os dias”, enfatizou Elizani.
Os últimos momentos e a descoberta do corpo
O crime ocorreu durante a madrugada de domingo (14). Iasmyn era estudante e completaria 15 anos em 9 de julho. O delegado informou que testemunhas relataram ter ouvido uma discussão na área onde o corpo foi localizado.
“Existem relatos de que a vítima clamou por socorro e, logo após, dois veículos deixaram o local”, afirmou o delegado.
Iasmyn foi encontrada sem vida na tarde de domingo (14) em uma área de mata próxima ao cruzamento da Avenida Sabiá com a Rua Sérgio Gasparetto, no bairro Portal da Foz. O corpo foi avistado por um morador, que imediatamente acionou a Polícia Militar.
De acordo com a Polícia Civil, a adolescente apresentava ferimentos graves na cabeça e no rosto.
“A vítima tinha lesões na face e na cabeça. Perto do corpo foi encontrado um fragmento de concreto com sinais de sangue, o que sugere que ela pode ter sido atingida por esse objeto”, explicou Marcelo Pereira Dias.
Conforme o laudo da Polícia Científica, a causa da morte foi uma lesão craniocerebral provocada por ação contundente.

