Deputadas acionam PF e MPF para apurar crimes de ódio e incitação à necrofilia contra jovem morta em rope jump

Maria Eduarda Rodrigues - Reprodução/ Redes Sociais

Maria Eduarda Rodrigues - Reprodução/ Redes Sociais

Três parlamentares federais, Erika Hilton (PSOL-SP), Tabata Amaral (PSB-SP) e Talíria Petrone (PSOL-RJ) solicitaram investigações a respeito de publicações nas mídias sociais que associam a falecida Maria Eduarda Rodrigues, vítima de um acidente em um salto de *rope jump* no último fim de semana, a comentários que incitam necrofilia e estupro. As deputadas divulgaram perfis que veicularam fotos da moça e sugeriram a existência de “uma festa” no Instituto Médico Legal (IML), configurando vilipêndio de cadáver.

A deputada Erika Hilton comunicou, nesta segunda-feira, ter oficialmente contatado a Polícia Federal (PF). Ela classificou como “tenebrosa” a possibilidade de tais comentários serem feitos livremente na internet sem que as plataformas digitais ajam para coibir os responsáveis.

A parlamentar ressaltou a gravidade da situação, afirmando que “isso é misoginia, isso é incitação e isso é crime”. Hilton acrescentou que a investigação de crimes cibernéticos como este é responsabilidade da PF e que a inação das “big techs”, que geram bilhões, não pode continuar a “normalizar tantos horrores”.

As postagens destacadas pela deputada incluíam frases como “se juntar direitinho as peças dá para se divertir” e “vou fazer concurso para o IML”, evidenciando o teor das agressões.

Em uma iniciativa similar, Tabata Amaral protocolou uma ação junto ao Ministério Público Federal (MPF) com o objetivo de investigar crimes de ódio cometidos na esfera virtual. A deputada lamentou que Maria Eduarda tenha se tornado alvo de comentários misóginos, enfatizando que “nem mesmo no leito de morte, nós, mulheres, temos paz”.

Tabata caracterizou os responsáveis pelas agressões como “criminosos que reduziram a imagem de Maria Eduarda a um objeto de deboche e crueldade”. Segundo a parlamentar, há uma conivência das redes sociais na disseminação de discursos que promovem a violência contra as mulheres.

A deputada defendeu a urgência de criminalizar o ódio direcionado às mulheres, mencionando o Projeto de Lei da Misoginia, e alertou que “não podemos permitir que esses covardes sigam impunes”.

Além das menções a “IML em festa”, outros perfis também ironizaram que “mulheres que se acham deusas” não deveriam sentir “pena” por uma morte trágica, reforçando a onda de ataques.

Outra voz no Congresso, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) também se manifestou, reiterando a necessidade de criminalizar a misoginia “com urgência”. Ela informou que o material ofensivo foi recolhido e encaminhado à PF para que as devidas providências legais sejam tomadas.

Talíria Petrone expressou sua indignação com a falta de respeito, afirmando que “nem mesmo após a morte as mulheres são respeitadas”. Ela denunciou os “comentários nojentos sobre abuso sexual de seu cadáver” publicados por perfis no Twitter.

Falha em salto de rope jump resulta na morte de jovem de 21 anos em Limeira – Reprodução/ Redes Sociais

A fatalidade no salto de rope jump

A educadora física Maria Eduarda Rodrigues perdeu a vida ao despencar de uma altura de aproximadamente 40 metros na estrutura conhecida como Ponte do Esqueleto, localizada na zona rural de Limeira, São Paulo. Vídeos gravados pelos participantes mostram o instante em que ela foi conduzida por três instrutores até a plataforma e arremessada na modalidade “aviãozinho”, porém sem estar conectada às cordas de segurança. Imediatamente após a queda, as testemunhas expressam desespero ao notar a grave falha.

Os indivíduos responsáveis pelo lançamento — Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra, que operavam sob nomes informais como “Ih voei” e “Entre cordas” — foram detidos em flagrante por homicídio com dolo eventual, acusação que foi mantida após a conversão da prisão em preventiva.

A investigação policial revelou que a atividade não era realizada por uma empresa formalmente estabelecida e regulamentada. Conforme a delegada responsável, os organizadores agiam de forma autônoma, usando as marcas divulgadas nas redes sociais apenas para promover os saltos. Após a grande repercussão da tragédia, os perfis ligados ao grupo foram retirados do ar.

A defesa dos três suspeitos alega que eles possuem vasta experiência na execução de atividades de aventura e argumenta que o incidente teria sido a primeira morte registrada em sua carreira profissional.

A apuração também indicou que Maria Eduarda desembolsou R$ 180 pela vivência do salto e mais R$ 150 para ter a experiência gravada por uma câmera 360 graus. O equipamento, que estava nas mãos da jovem pouco antes da queda, ainda não foi encontrado pelas equipes de investigação.

Residente de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda trabalhava em uma academia e frequentemente compartilhava em suas redes sociais conteúdos sobre esportes, natureza e bem-estar. Horas antes do acidente, ela postou uma foto em frente a placas que alertavam sobre o risco de morte no local. Em uma postagem feita minutos antes do salto, brincou: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”. Após seu falecimento, o perfil da jovem também foi desativado.

A Ponte do Esqueleto, uma construção ferroviária inacabada que agora pertence à União, apresenta um histórico recente de acidentes, tornando-se um local de risco. Em 2024, uma ciclista faleceu após cair do viaduto, e outras duas mulheres sofreram ferimentos graves em ocorrências registradas nos meses anteriores. A Prefeitura de Limeira e a Secretaria de Patrimônio da União mantêm um impasse sobre a responsabilidade pela fiscalização e controle de acesso à área.

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