Ministro israelense instiga ‘Líbano em chamas’ e desafia protocolo EUA-Irã após militares mortos

Israel e Líbano

Israel e Líbano - MP_Foto/Shutterstock.com

O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, proferiu declarações contundentes nesta sexta-feira (19), em um momento de crescentes apelos globais pelo fim dos confrontos no Oriente Médio. O governo de Israel reafirma que prosseguirá com sua ação militar contra o grupo Hezbollah no Líbano, desconsiderando o protocolo de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã.

“Com o devido respeito aos norte-americanos, Israel precisa comunicar a todos que a vida de nossos jovens e a proteção de nossos moradores não são negociáveis. Todo o Líbano tem que arder”, declarou Ben Gvir em nota oficial. Ele ainda adicionou: “Por cada pranto de uma mãe israelense, mil mães libanesas devem derramar lágrimas.” O ministro, figura proeminente da extrema direita e parceiro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, é conhecido por sua retórica inflamada, que neste contexto, desafia diretamente os esforços diplomáticos.

Tais manifestações ocorreram logo após o anúncio do exército israelense sobre a perda de quatro de seus militares em um embate na região sul do Líbano, também nesta sexta-feira. Os recentes ataques aéreos israelenses na mesma área causaram, nas últimas horas, a morte de ao menos 18 pessoas e deixaram 33 feridos, conforme um relatório preliminar divulgado pelo Ministério da Saúde libanês, caracterizando-se como os mais violentos em semanas.

A nação israelense prossegue com sua investida no território vizinho, independentemente da formalização do protocolo entre Irã e Estados Unidos, que estabelece uma paralisação das ações bélicas em todas as frentes da região. Na quinta-feira (18), Benjamin Netanyahu já havia reiterado que as tropas israelenses permaneceriam na porção sul do Líbano “pelo período que fosse preciso”, uma postura que reflete a pressão política interna enfrentada pelo premiê às vésperas de eleições.

Bandeiras de Israel e Libano – Cristian Valderas/shutterstock.com

Essa postura encontra respaldo em outros membros do gabinete, como o ministro ultranacionalista das Finanças, Bezalel Smotrich. Ele utilizou a rede social X para expressar que “é necessário deixar o fogo falar […] abrir os portões do inferno”, fazendo uma clara referência aos soldados mortos, ainda que não tenha citado o Líbano diretamente.

Para intensificar a pressão sobre Netanyahu, cuja base parlamentar se mostra frágil diante da proximidade das eleições, programadas para, no máximo, o final de outubro, Avigdor Lieberman, que comanda um partido nacionalista oposicionista, reivindicou a imposição de “um alto preço […] do qual a parte adversária jamais se recuperará”. Ele argumentou, também no X, que se as fortalezas do Hezbollah “continuarem intactas, isso representará um evidente revés para o primeiro-ministro e para o ministro da Defesa”.

Escalada dos ataques militares na região do Líbano

Israel declarou nesta sexta-feira ter atacado “mais de 80 pontos estratégicos” e eliminado “dezenas” de integrantes do Hezbollah, justificando as ações como “resposta às infrações do cessar-fogo”. Os bombardeios atingiram pelo menos uma dezena de localidades vizinhas a Nabatiyé, no sul libanês, dentre elas Harouf, onde oito indivíduos faleceram, conforme balanço provisório da Agência Nacional de Informação Libanesa (ANI). Outros ataques aéreos israelenses foram registrados na área de Baalbek, no setor leste do Líbano.

A escalada da investida militar está provocando uma nova leva de êxodo populacional. Conforme informações da ANI, centenas de habitantes “iniciaram a fuga, saindo da região de Tiro em veículos sobrecarregados, transportando colchões e objetos pessoais”.

Em um comunicado emitido ao amanhecer, o Hezbollah, grupo com apoio iraniano, divulgou que seus combatentes lançaram ofensivas contra as forças israelenses próximas às colinas de Ali Taher, nas adjacências de Nabatiyé, utilizando “mísseis e morteiros”. Já na noite de quinta-feira, a organização havia reportado a destruição de três tanques de Israel durante embates travados entre seus integrantes e uma unidade do exército israelense na porção sul do Líbano.

Posicionamento da França sobre o acordo diplomático

Em entrevista concedida à rádio France Info na manhã de hoje, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, instou Israel a honrar o pacto selado entre Irã e Estados Unidos. “Este compromisso estabelece o fim das hostilidades; o governo israelense precisa acatá-lo, e os Estados Unidos, especialmente, devem aplicar a pressão necessária sobre a administração israelense para garantir seu cumprimento”, afirmou o chanceler.

Barrot, no entanto, minimizou a postergação das conversações que estavam agendadas para iniciar na Suíça, entre Washington e Teerã, com o objetivo de colocar em prática o consenso alcançado na quarta-feira (17). “O trecho mais desafiador ainda se aproxima, mas não convém superestimar os atrasos nos encontros, uma vez que este acordo já foi firmado”, ponderou.

“O fundamental agora é que os debates, incluindo aqueles de caráter técnico, possam prosseguir para que as fases iniciais estipuladas pelo acordo possam ser efetivadas”, concluiu o ministro francês.

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