Farmacêutico explica por que o tradicional creme Nivea da lata azul não é indicado para tratar queimaduras solares na pelePor Jeronimo Santos
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Especialistas alertam que o conhecido creme Nivea da lata azul não possui a formulação ideal para o tratamento de queimaduras solares. O farmacêutico Vicente Calduch, em entrevista, destacou que o produto não deve ser visto como uma solução específica para essas lesões cutâneas.
A confusão em torno de sua eficácia, no entanto, é compreensível. O creme azulado é amplamente reconhecido por sua intensa capacidade de hidratação, proporcionando uma sensação de alívio e frescor à pele após a aplicação. Muitas pessoas interpretam esse conforto como um sinal de reparação dos danos causados pelo sol, mas essa percepção não corresponde à realidade científica.
Conforme esclarecido por Calduch, a composição do creme Nivea foi desenvolvida para reter a umidade na pele, não para reverter os efeitos de lesões provocadas pela exposição solar excessiva. “A fórmula do Creme Nivea contém uma combinação de agentes que agem como emolientes, hidratantes e oclusivos, colaborando para a manutenção da hidratação da derme após a incidência dos raios solares”, detalhou o especialista.
Em outras palavras, o produto atua prevenindo o ressecamento excessivo da pele após o contato com o sol. Componentes como a glicerina são essenciais para que a pele consiga reter água, enquanto outros elementos oleosos formam uma barreira protetora que impede a perda de umidade. É essa ação que justifica a sensação de pele mais suave e confortável que muitos usuários relatam após o uso.
A questão problemática surge quando a expectativa de uso vai além da hidratação e se estende ao tratamento de queimaduras. O farmacêutico enfatiza que a formulação do creme Nivea não inclui ingredientes ativos destinados especificamente ao tratamento de lesões causadas por queimaduras ou por radiação ultravioleta.
Entenda por que o creme Nivea não deve ser aplicado em queimaduras solares
Quando a pele sofre uma queimadura solar, os desafios vão muito além de uma simples desidratação. Ocorre um processo inflamatório significativo, acompanhado de vermelhidão intensa e, em casos mais graves, dor e descamação. Essas manifestações são a resposta do corpo ao excesso de radiação.
Nesses cenários, o objetivo primordial não é apenas hidratar a pele, mas sim acalmar a inflamação e auxiliar na recuperação da barreira cutânea danificada. Por essa razão, existem produtos formulados especificamente para o pós-sol e cremes desenvolvidos para queimaduras, que contêm substâncias calmantes ou regeneradoras adequadas para esse tipo de recuperação.
É nesse ponto que a eficácia da latinha azul da Nivea se mostra limitada. Embora possa proporcionar uma sensação momentânea de alívio na pele esticada e repuxada, ela não aborda a raiz do problema da queimadura. Além de ser ineficaz no tratamento das lesões, o creme também não oferece proteção contra os raios solares, o que significa que sua aplicação antes da exposição ao sol não previne queimaduras.
Quais os cuidados ideais para a pele após a exposição solar
Para resguardar a pele durante períodos de exposição solar, a recomendação é utilizar protetores solares, e não hidratantes comuns. Vicente Calduch esclarece que “os produtos apropriados para a exposição solar são aqueles que incorporam filtros capazes de absorver, refletir ou dispersar a radiação ultravioleta”.
Esses itens de cuidado são desenvolvidos com o propósito específico de proteger a derme dos impactos solares, defendendo-a contra os raios UVA e UVB e, assim, minimizando significativamente o risco de desenvolvimento de queimaduras.
No entanto, a simples posse de um protetor solar não é suficiente; é fundamental conhecer a maneira correta de aplicá-lo. O procedimento ideal envolve passar o produto antes de qualquer exposição ao sol e reaplicá-lo várias vezes ao longo do dia, especialmente após atividades que causem suor ou contato com água.
Adicionalmente, o uso do protetor solar deve ser uma prática diária, mesmo em dias nublados, uma vez que a radiação solar permanece ativa e pode causar danos à pele.
Em resumo, o creme Nivea na latinha azul continua sendo um excelente aliado para a rotina de hidratação diária, demonstrando ser um hidratante de alta qualidade. Contudo, como qualquer produto, ele apresenta suas particularidades e limites. Ele pode, sim, contribuir para a hidratação da pele após a exposição solar, mas não deve, em hipótese alguma, ser empregado como protetor solar ou como método de tratamento para queimaduras. Compreender claramente essa distinção é um passo fundamental para um cuidado cutâneo adequado e eficaz.







