Dusty May, campeão por Michigan, é o novo treinador do Dallas Mavericks em uma aposta no cenário universitário
O Dallas Mavericks está em fase final de negociação para contratar Dusty May, atual técnico do Michigan, como seu novo treinador principal. Essa transição promete impactar profundamente o panorama do basquete universitário e o futuro da NBA.
Aos 49 anos, May conduziu a equipe de basquete da Universidade de Michigan à conquista do título nacional de 2026. Ele agora assumirá o comando de uma organização que projeta Cooper Flagg como um atleta central. A demissão de Jason Kidd ocorreu depois que os Mavericks registraram uma campanha de 26 vitórias e 56 derrotas no ano anterior.
Em duas temporadas comandando a equipe em Ann Arbor, May estabeleceu um impressionante retrospecto de 64 vitórias e 13 derrotas com Michigan. Antes disso, seu trabalho na Florida Atlantic foi notável, garantindo duas classificações consecutivas para o torneio da NCAA, incluindo uma participação no Final Four de 2023. Apesar de ter recusado outras propostas no basquete universitário na atual entressafra, o desafio da NBA sempre despertou seu interesse.
A contratação de May representa a primeira vez que um técnico universitário assume um posto na NBA desde John Beilein, que também veio de Michigan para o Cleveland Cavaliers em 2019. Para encontrar um exemplo de alguém que deixou o basquete universitário imediatamente após um título nacional, é preciso voltar a Larry Brown, que saiu do Kansas em 1988. Já o último treinador campeão da NCAA a fazer a transição para a NBA foi Billy Donovan, da Flórida, em 2015.
O impacto da chegada de May nos Mavericks e a situação de Michigan
Essa transição posiciona May à frente da futura geração dos Mavericks, time que está sendo moldado em torno de Cooper Flagg, o Novato do Ano da NBA na temporada anterior, que liderou Dallas com uma média de 21 pontos por partida. Em contrapartida, a saída do treinador gera um cenário de instabilidade repentina em Michigan, que havia tido uma campanha vitoriosa na NCAA. A expectativa era que a universidade repetisse o sucesso, pois Jeff Borzello, da ESPN, havia colocado Michigan na terceira posição em seu ranking preliminar dos 25 melhores times.
A partida de May abre a possibilidade para os atletas de Michigan explorarem novas oportunidades. Conforme as normas da NCAA, uma janela de transferência de 15 dias é ativada cinco dias depois da oficialização da contratação ou do anúncio público de um novo técnico principal.
Esse período concederá aos diretores de Michigan a chance de buscar uma solução interna, considerando a experiência do treinador assistente Mike Boynton, que já foi técnico principal em Oklahoma State. Alternativamente, eles podem optar por contratar um novo comandante e, ao mesmo tempo, esforçar-se para reter o elenco talentoso.
O time de Michigan conta com nomes importantes como Elliot Cadeau, que foi eleito o Jogador Mais Valioso do Final Four, o promissor Trey McKenney, do segundo ano, além de uma recente leva de atletas transferidos de grande potencial, como JP Estrella, Moustapha Thiam e Jalen Reed.
A decisão dos Mavericks de desligar Kidd ocorreu pouco depois da contratação de Masai Ujiri, o novo presidente e governador alternativo encarregado de gerir as operações de basquete da franquia. Isso aconteceu mesmo com o clube tendo uma dívida de mais de US$ 40 milhões com Kidd pelos quatro anos remanescentes de seu contrato.
Durante as cinco temporadas sob a liderança de Kidd, os Mavs registraram um retrospecto de 205 vitórias e 205 derrotas. Pontos altos incluíram a chegada às finais da Conferência Oeste em 2022 e às finais da NBA em 2024. Contudo, a equipe ficou de fora dos playoffs nas duas últimas temporadas, após a polêmica e inesperada troca do astro Luka Doncic para o Los Angeles Lakers em fevereiro de 2025, movimento que culminou na demissão do gerente geral Nico Harrison em novembro do mesmo ano.
A busca do Dallas por um novo técnico e o perfil de Dusty May
Durante a busca por um substituto para Kidd, informações da liga, conforme apurado por Tim MacMahon da ESPN, indicam que o Dallas também investigou o interesse de Jon Scheyer, de Duke, técnico que trabalhou com Flagg em sua única temporada universitária. O processo incluiu ainda entrevistas com diversos assistentes técnicos da NBA, mas os Mavericks deram prioridade à contratação de May.
A escalada na carreira de May apresenta similaridades com a trajetória de Brad Stevens, hoje executivo do Boston Celtics. Stevens, por sua vez, transformou duas participações em finais nacionais pela Universidade Butler na posição de treinador principal dos Celtics em julho de 2013.
May se destacou como um dos técnicos mais promissores da nova geração do basquete após guiar a FAU, então nona colocada da Conference USA, ao Final Four de 2023. Os Owls foram eliminados por apenas um ponto para San Diego State na semifinal. Durante sua passagem pela FAU, May acumulou temporadas notáveis, com retrospectos de 35 vitórias e 4 derrotas e 25 vitórias e 9 derrotas.
Nas suas quatro últimas temporadas como técnico principal no basquete universitário, ele alcançou um impressionante recorde de 124 vitórias e 26 derrotas. Em 2025, o Michigan havia perdido para Auburn, o time número 1 do ranking, nas oitavas de final do torneio da NCAA.
Ao longo dessa trajetória, a reputação de May cresceu, sendo reconhecido tanto pela sua competência tática durante os jogos quanto pela habilidade em montar elencos e otimizar o funcionamento dos jogadores em quadra. Seu estilo frequentemente incluía a utilização de formações com atletas altos, com Michigan se consolidando como uma resposta eficiente à tendência do “small ball” no basquete universitário, empregando diversos pivôs com sucesso.
O contrato não assinado e a trajetória de Dusty May
Durante as celebrações do título da Universidade de Michigan em abril, o diretor atlético Warde Manuel havia anunciado publicamente que May tinha aceitado um novo contrato que o manteria na instituição por um longo período. No entanto, esse acordo não chegou a ser formalmente assinado na época do comunicado de Manuel, e nenhuma declaração oficial sobre um novo vínculo foi feita nos meses subsequentes.
May iniciou sua carreira como gerente de basquete na Universidade de Indiana e, a partir dali, progrediu por todas as etapas da função de treinador. Sua trajetória inclui passagens como coordenador de vídeo na USC e atuações como assistente técnico em diversas universidades, como Eastern Michigan, Murray State, UAB, Louisiana Tech e Flórida.
Essa jornada por diferentes regiões do país culminou com sua chegada ao posto de treinador principal na FAU em 2018.

















